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O ano foi especialmente bom para os blockbusters americanos, mas há espaço na lista para produções do Irã, Coreia do Sul e França. Veja o ranking

Chegou a vez dos melhores filmes do ano na retrospectiva 2018 do iG Gente . São 20 produções, das mais diferentes e variadas procedências a figurar em um ranking que foi especialmente difícil de elaborar - atestando a ótima temporada para os lançamentos cinematográficos.

Há blockbusters, filmes que discutem o espaço das minorias, produções oscarizadas e longas mais artísticos, como os mais recentes de Lars Von Trier e François Ozon, figurando na lista dos melhores filmes apresentada nesta retrospectiva 2018 .

20 – “Sem Data, Sem Assinatura”, de Vahid Jalivand

Crônica urbana
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Crônica urbana "Sem Data, Sem Assinatura" mexe no vespeiro do fatalismo social

Todo ano algum filme iraniano entra na lista e não é para menos. A cinematografia iraniana é incrivelmente reflexiva das contradições que caracterizam o país. Neste primeiro filme de Jalivand, há a contraposição do totalitarismo do regime aos valores morais dos cidadãos a partir de um acidente automobilístico que gera inesperadas reminiscências.

Leia crítica: Crônica urbana "Sem Data, Sem Assinatura" mexe no vespeiro do fatalismo social

19 – “Juliet, Nua e Crua”, de Jesse Peretz

Cena de Juliet, Nua e Crua
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Cena de Juliet, Nua e Crua

Adaptado de uma obra de Nick Hornby e com toda a vibe da trilogia “Antes do Amanhecer” acompanhando Ethan Hawke, que aqui faz um cantor no ostracismo, mas que é objeto de culto do marido da personagem de Rose Bryne. Estão aqui alguns dos melhores diálogos do ano em uma comédia dramática que faz jus a definição e encanta com suas verdades doloridas e sonhos despedaçados.

Leia a crítica: "Juliet, Nua e Crua" trata das dores que nos fazem evoluir como seres humanos

18 - “O Sacrifício do Cervo Sagrado”, de Yargos Lanthimos

Nicole Kidman e Colin Farrell em cena de O Sacrifio do Cervo Sagrado
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Nicole Kidman e Colin Farrell em cena de O Sacrifio do Cervo Sagrado

O cinema do grego Yorgos Lanthimos só melhora e nessa ópera trágica cheio de estilismos protagonizada por Colin Farrell e Nicole Kidman, como dois pais indefesos mediante uma maldição lançada sobre seus filhos, é uma overdose de apuro estético e simbologia no melhor que o cinema pode oferecer. É um filme pesado, denso e que arrasa o espectador. Visual e narrativamente ostenta uma beleza igualmente asfixiante.

17 - “Desobediência”, de Sebastián Lelio

Rachel McAdams e Rachel Weisz em cena de
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Rachel McAdams e Rachel Weisz em cena de "Desobediência"

Primeiro filme americano do chileno Sebastián Lelio, do oscarizado “Uma Mulher Fantástica”, “Desobediência” é uma crônica cheia de sutilezas, mas também de rara potência, sobre intolerância religiosa, sexualidade e, principalmente, os pactos que fazemos com nós mesmos para viver ou sobreviver. É um filme que se monta sobre minúcias e tem um roteiro nada menos do que espetacular na abordagem dos conflitos e nos seus arranjos.

Leia a crítica: Paixão entre mulheres em comunidade judaica detona conflitos em "Desobediência"

16 - “O Amante Duplo”, de François Ozon

Cena de O Amante Duplo, excelente filme de François Ozon que integra a programação do Festival Varilux e estreia comercialmente em breve
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Cena de O Amante Duplo, excelente filme de François Ozon que integra a programação do Festival Varilux e estreia comercialmente em breve

Habituê de listas de melhores do ano, Ozon é um cineasta que corre riscos, como demonstra a sensacional abertura desse filme  - um close mais do que ginecológico em uma vulva que permite n analogias com o que virá a seguir. Entusiasta da psicanálise, o cineasta aborda a questão da identidade sob um prisma empolgante e muito sensual com dividendos difusos, é verdade, mas únicos e estimulantes de um debate intenso e plural.

Leia a crítica: Com trama labiríntica, "O Amante Duplo" versa sobre a manipulação do desejo

15 - “O Ódio que Você Semeia”, de George Tillman Jr.

O Ódio que Você Semeia
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O Ódio que Você Semeia

Mais uma adaptação na lista. O filme baseado na obra de Angie Thomas é daqueles que já te pega pela emoção na largada e não solta mais. Uma crônica pungente e cheia de reverberações atuais e necessárias sobre o racismo e a maneira cultural e institucionalizada com que ele se fincou particularmente nos EUA. É isso tudo sem deixar de ser um filme sobre crescimento, a exemplo de “Lady Bird”, outro ótimo “filme adolescente, mas sério” que tivemos em 2018 nos nossos cinemas.

Leia também: “O Ódio que Você Semeia” acredita que o amor é capaz de vencer o preconceito

14 – “Colette”, de Wash Westmoreland

Keira Knightley brilha intensamente em Colette, destaque do Festival Mix Brasil
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Keira Knightley brilha intensamente em Colette, destaque do Festival Mix Brasil

Em um ano de protagonistas femininas fortes no cinema, Colette desponta como a mais vanguardista delas e não é à toa. Keira Knightley aborda a primeira escritora francesa com a devida combinação de solenidade e intransigência e contribui para fazer deste filme, emancipado por um roteiro primoroso, uma produção sofisticada, sensual e contemporânea no todo e nas partes.

Leia a crítica: Com erotismo delicado e Keira Knightley, “Colette” espia feminismo extemporâneo

13 - “Em Chamas”, de Chang-Dong Lee

Cena de Em Chamas, um thriller psicológico cheio de reminiscências
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Cena de Em Chamas, um thriller psicológico cheio de reminiscências

Uma das experiências estéticas mais inventivas e arrojadas de 2018, “Em Chamas” é um filme camaleônico, para dizer o mínimo. É uma crônica sobre a juventude sul-coreana de classe baixa no mesmo compasso que é uma história de amor e um thriller. Tudo desenvolvido com sagacidade e senso rítmico por Lee. Um filme que brilha nos momentos mais íntimos e se pronuncia nas suas resoluções extemporâneas.

Leia também: Thriller psicológico peculiar, "Em Chamas" afasta certezas e abraça a catarse

12 – “Custódia”, de Xavier Legrand

Cena de Custódia, um dos melhores filmes do ano
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Cena de Custódia, um dos melhores filmes do ano

Superficialmente é mais um filme sobre uma disputa por guarda entre homem e mulher após um divórcio ruidoso, mas a maneira como Legrand filma é desoladora. Aos poucos “Custódia” vai ganhando ares de filme de terror e o que estava no campo das dúvidas e versões tira o fôlego da audiência em um dos filmes mais impactantes de 2018. O longa merecidamente ganhou o Leão de Prata de direção em Veneza em 2017.

Leia também: "Custódia" mostra violência do desamor e imperfeição da Justiça de família

11 – “Paris 8”, de Jean-Paul Civeyrac

Longa-metragem
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Longa-metragem "Paris 8" deve estrear em cidades brasileiras nesta quinta

Filmes sobre cinema ecoam forte em quem é apaixonado pela sétima arte e “Paris 8” inegavelmente tanto mira como se beneficia dessa realidade. É um filme sobre um jovem que vai a Paris estudar cinema e descobre o amor, o desejo, a política, a dor, as frustrações. É um filme de afetos, mas comporta certa desesperança. Tudo alinhado da maneira mais poética e cinematográfica possível. Lindo de ver e de sentir!

Leia a crítica: Cinema e amadurecimento se confundem no afetuoso “Paris 8”

10 – “Pantera Negra”, de Ryan Coogler

Cenas de super-heróis: T'Challa e Killmonger no desafio pela armadura do Pantera Negra
Divulgação/Disney/Marvel Studios
Cenas de super-heróis: T'Challa e Killmonger no desafio pela armadura do Pantera Negra

Nenhum filme em 2018 provocou tamanho impacto cultural como “Pantera Negra”, que muito provavelmente será o primeiro filme de super-herói indicado ao Oscar de melhor filme. Coogler supera a fórmula Marvel e entrega uma alegoria política de primeira grandeza sem deixar de apresentar um visual acachapante e personagens icônicos dentro de um bem-vindo grito de representatividade. Além de ser um filme de ação empolgante, “Pantera Negra” é um drama robusto e cheio repercussões emocionais e sociais.

Leia a crítica: Alegoria política faz "Pantera Negra" superar hype e ser melhor filme da Marvel

9 – “Tully”, de Jason Reitman

Cena de Tully
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Cena de Tully

Esse reencontro de Reitman, da roteirista Diablo Cody e Charlize Theron depois de “Jovens Adultos” (2011) rende um dos filmes mais sensíveis e reflexivos da temporada. E dos mais empoderados também! De quebra, oferta uma visão singular da maternidade porque o faz a partir das demandas da mulher e não da mãe ou da esposa.  É doce,  sem perder a crítica de vista, e conta com uma das personagens mais iluminadas do ano.

Leia a crítica: "Tully" aborda estafa e angústia da vida adulta a partir da perspectiva materna

8 –  “Missão Impossível: Efeito Fallout”, de Christopher McQuarrie

Tom Cruise em cena de Missão: Impossível - Efeito Fallout
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Tom Cruise em cena de Missão: Impossível - Efeito Fallout

Tom Cruise ainda é o cara e esse sexto volume, o melhor, da série “Missão Impossível” mostra isso. Ação alucinante, um roteiro esperto, personagens divertidos e algumas das cenas mais impressionantes dos últimos dez anos no cinema. E o filme é divertido pacas! Daqueles que você quer ver de novo assim que acaba. Cinema é isso também!

Leia a crítica: Pura adrenalina, "Missão: Impossível - Efeito Fallout" dá novo fôlego à série

7 –  “Eu, Tonya”, de Graig Gillespie

Única estrangeira da categoria, Margot Robbie também é a única indicada pela primeira vez. A atriz australiana concorre por
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Única estrangeira da categoria, Margot Robbie também é a única indicada pela primeira vez. A atriz australiana concorre por "Eu, Tonya"

Montado de maneira sublime e com atores fantásticos (Margot Robbie, Sebastian Stan e Allison Janney), “Eu, Tonya” triunfa por contar uma história essencialmente dramática – e para lá de triste – com um senso de humor dos mais incômodos. É um filme que trabalha bem a vertente jornalística do cinema explorando pontos de vista e versões favorecendo uma narrativa mais rica e contextualizada legando à audiência o juízo sobre aqueles personagens.

Leia a crítica: Com humor incômodo, "Eu, Tonya" conta incomum história de 2ª chance desperdiçada

6 – “Infiltrado na Klan”, de Spike Lee

Infiltrado na Klan
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Infiltrado na Klan

Cineasta de mão cheia, Lee devia um filme com um senso de humor tão apurado e personagens tão bem delimitados há algum tempo. “Infiltrado na Klan” é sensacional não apenas pela quitação desse débito, mas pelo olhar aguçado do cineasta aos ciclos de ódio e sua lógica. Tudo embalado em uma trama assustadoramente pop e com vestígios de thriller policial. Coisa de mestre!

Leia a crítica: Spike Lee traça retrato atemporal da América em "Infiltrado na Klan"

5 – “Um Lugar Silencioso”, de John Krasinski

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"Um Lugar Silencioso"

Em um ótimo ano para atores-diretores e para o terror, John Krasinski está por cima da carne seca. “Um Lugar Silencioso” é cinema em todo o seu potencial. A maneira como o diretor trabalha o som – em um futuro apocalíptico os humanos não podem fazer barulho ou criaturas implacáveis os destroem - , a trilha sonora e a imagem para produzir suspense, empatia, medo, afeição é uma coisa de gênio. Além de seu inegável valor estético e narrativo – e do excelente exercício de gênero que é -, “Um Lugar Silencioso” é , ainda, uma boa parábola sobre paternidade.

Leia a crítica: Por que "Um Lugar Silencioso" é o melhor filme de terror da atualidade?

4 – “Nasce uma Estrela”, de Bradley Cooper

Bradley Cooper e Lady Gaga em cena de Nasce uma Estrela
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Bradley Cooper e Lady Gaga em cena de Nasce uma Estrela

Sim, você já viu esse filme antes, mas nunca da maneira como Bradley Cooper contou. O cineasta cativa com sua visão para essa história de amor, fama e perdição e entregou o maior fenômeno cultural de 2018 que não tinha embalagem da Marvel. O que não é pouca coisa! Claro, ele tinha Lady Gaga a seu lado e o cinema também é feito de sinergias como essa. Cantamos, choramos e vibramos com Jack e Ally e há muito tempo um casal de cinema não provocava tal arrebatamento.

Leia a crítica: "Nasce uma Estrela" triunfa ao costurar conflitos pessoais aos da fama

3 – “Três Anúncios para um Crime”, de Martin McDonagh

Woody Harrelson e Frances McDermond devem ser indicados ao Oscar por suas atuações no filme
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Woody Harrelson e Frances McDermond devem ser indicados ao Oscar por suas atuações no filme

Vencedor de dois Oscars, a produção não poderia faltar na lista de melhores filmes da retrospectiva 2018. Um filme sobre raiva, fúria – o primeiro sobre a era Trump – e também sobre perdão, sobre a compreensão de que é preciso desenvolver defesas para seguir em frente, mas que também é preciso saber renunciar a algumas delas. “Três Anúncios para um Crime” é um testamento da época que vivemos.

Leia a crítica: Soberbo, “Três Anúncios para um Crime” captura América enfurecida da era Trump

2- “A Casa que Jack Construiu”, de Lars Von Trier

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A ousadia do cineasta dinamarquês parece não ter limites. Aqui ele se compara a um psicopata e relaciona o trabalho de um serial killer cheio de transtornos obsessivos a obras de arte. É uma visão radical, mas que Von Trier escalda com gosto e fundamento e obriga seu espectador a teorizar junto com ele. É um filme rebuscado e cheio de referências, o que agrada ainda mais admiradores do cineasta. Mas é, fundamentalmente, arte crua e cinema de verve, provocante. Do tipo que é bom e muito bem-vindo!

Leia a crítica: Incômodo e absolutista, "A Casa que Jack Construiu" é arte em estado bruto

1-“Trama Fantasma”, de Paul Thomas Anderson

Daniel Day Lewis e Vicky Krieps em cena de Trama Fantasma, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22)
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Daniel Day Lewis e Vicky Krieps em cena de Trama Fantasma, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22)

A história de amor mais bizarra e esquisita que o cinema já concebeu? Sim, mas também uma elaboração corajosa e revisionista a respeito das relações entre feminino e masculino. “Trama Fantasma” é daqueles filmes que melhoram cada vez que pensamos nele.

Daniel Day Lewis oferta um dos melhores trabalhos da década e ajuda a tornar o filme mais completo, detalhista e reverberante. “Trama Fantasma” é lindo de ver, confuso de sentir e delirantemente verdadeiro nas verdades que desentranha da nossa alma e justamente por isso encabeça a lista dos melhores filmes de 2018.

Leia a crítica: Esquisitice de “Trama Fantasma” adorna história de amor e conflito de gêneros