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Filme, que estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas brasileiros, tem um cantor que interrompeu a carreira e virou objeto de culto no centro da ação

Rose Bryne em cena de Juliet, Nua e Crua
Divulgação
Rose Bryne em cena de Juliet, Nua e Crua

Não é todo filme que chega aos cinemas com as credenciais que “Juliet, Nua e Crua” ostenta. Adaptado da obra homônima de Nick Hornby, escrito pelos excelentes Jim Taylor (“Sideways – Entre Umas e Outras”) e Tamara Jenkins (“A Família Savage”), produzido por Judd Apatow (“O Virgem de 40 anos”) e dirigido por Jesse Peretz, que tem no currículo a direção de alguns dos melhores episódios de séries como “Girls”, “Divorce” e “Nurse Jackie”, o longa transborda em atrativos.

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“Juliet, Nua e Crua” conta a história de Annie Platt ( Rose Bryne ), uma mulher que leva uma vida de certo descontentamento em uma cidadezinha que fica nos arredores de Londres. Ela trabalha em uma galeria local que está bem abaixo de seu talento e capacidade e parece desencontrada de seu namorado Duncan (Chris O´Dowd), um professor de artes aparentemente sem grandes ambições na vida.

Duncan tem como obsessão musical Tucker Crowe ( Ethan Hawke ), um músico que alcançou status cult depois de abandonar a carreira após seu disco mais bem sucedido comercial e criticamente. Duncan faz parte de uma comunidade online dedicada a venerar Crowe e a (tentar) decifrar os muitos mistérios de sua existência. De posse de uma versão demo de seu álbum mais famoso, “Juliet”, intitulado “Juliet, naked”, Duncan se lança em uma nova viagem obsessiva, mas é Anne que muito acidentalmente estabelece uma conexão com o desaparecido Crowe.

Ethan Hawke em cena de Juliet, Nua e Crua
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Ethan Hawke em cena de Juliet, Nua e Crua

Os contatos são pela internet e disparam um sentimento que tem muita identificação, solidão e compreensão e pouco de platônico. Enquanto isso Duncan busca apoio e pontos de convergências em uma relação extraconjugal.

O longa de Peretz é, sim, sobre música e o poder redentor e agregador da arte, mas é também sobre a diapasão de nossas fantasias, erros e desejos e como eles nos deformam. É, também, sobre como essas dores nos municiam para sermos pessoas melhores para nós mesmos e para aqueles que queremos em nossas vidas.

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Os ases de "Juliet, Nua e Crua"

Cena de Juliet, Nua e Crua, que estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas brasileiros
Divulgação
Cena de Juliet, Nua e Crua, que estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas brasileiros

Ethan Hawke, uma espécie de imperador do cinema independente americano, está ótimo na pele de Crowe. É impressionante como a vivência de Hawke nessa seara do cinema e a percepção do espectador sobre ele ajudam a tornar mais vívidas as angústias desse cantor tão molestado pelo próprio passado. Rose Bryne, uma das poucas atrizes de sua geração capazes de transitar incólume por registros cômicos sutis e pelo drama mais afiado, é um poderoso ímã em cena. O’ Dowd está em seu território ao fazer um bonachão que pende para o babaca.

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O elenco é seguramente um dos maiores atrativos do filme, mas "Juliet, Nua e Crua” se verifica como o excelente entretenimento que é por ofertar personagens tridimensionais com diálogos inteligentes e conflitos que ecoam forte na audiência.

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