O ator, que está no elenco do longa “Corações Sujos”, fala ao iG sobre a chegada do primeiro filho homem e explica como mantém a harmonia da relação de 9 anos com a mulher

Pai de Gabriela, 13 anos, e Sophia, de 11, do casamento com Roberta Richard, e de Manuela, 5 anos, da união que já dura nove anos com Cynthia Howlett , Eduardo Moscovis faz parecer fácil a tarefa de administrar uma família grande e que acaba de receber mais um integrante: Rodrigo , de quatro meses.

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O menino, ainda “um nenezinho pequenininho, bonitinho”, como o próprio pai o define, veio para contrabalançar a família, que até então vivia uma supremacia feminina. “Brinco com as meninas que chegou o reforço, que a minoria está crescendo”, conta Moscovis, que vive um papel semelhante na TV, no seriado “Louco Por Elas”, da Globo.

O ator confessa que nem sempre o equilíbrio familiar vem fácil e que precisou contar com o apoio da “turma” quando, há sete anos, decidiu se afastar da televisão para investir em outros projetos, além de abrir mão do contrato com a TV Globo.

“Eu tomei uma decisão exclusiva minha com relação às minhas coisas, porém eu tinha que fazer um acordo com quem já estava no pacote e falei: ‘Galera, vocês não vão sofrer com isso. Ninguém vai ter que se mudar, mudar demais os hábitos. A gente vai ter que, sim, ficar mais atento, mas ninguém vai precisar sair da escola em que estuda’”, lembra ele, que também está no ar no elenco do programa “Saia Justa”, do canal pago GNT.

Du Moscovis fala sobre participação no longa “Corações Sujos”

Recentemente Moscovis desmentiu rumores de uma possível crise em seu casamento. Para o ator, a atenção é o ingrediente principal para manter um relacionamento saudável. Entretanto, ele não nega que a tarefa é árdua. “A partir do momento em que nasce mais um filho, a gente vai se adaptando com isso para ser bacana. Isso não quer dizer que não aconteçam coisas, que não seja difícil, que não tenha a rotina do dia a dia, que não tenha o desgaste. É assim: a gente escolheu isso? A gente continua se escolhendo para isso?”, pontua.

Para ele, a atenção está nos pequenos detalhes. “Uma mensagem, um obrigado, um e-mail que é passado às 3h, ou um recado que se deixa, uma mensagem no telefone.” A seguir, a entrevista exclusiva com o ator que está no elenco de “Corações Sujos”, filme de Vicente Amorim que estreia sexta-feira (17):

Eduardo Moscovis sobre como manter a longevidade da relação:
Isabela Kassow
Eduardo Moscovis sobre como manter a longevidade da relação: "Uma mensagem, um obrigado, um e-mail que é passado às 3h"

iG: O seu afastamento das novelas foi para ter a oportunidade de fazer outros projetos em que acreditava, como teatro ou esse filme, por exemplo?
Eduardo Moscovis: É isso. O teatro é mais fácil de conciliar com um projeto de televisão porque se o espetáculo estiver pronto você só precisa ir fazê-lo de quinta a domingo. É difícil apenas quando a gente está ensaiando. Mas com um projeto de cinema você precisa de mais tempo disponível. O meu afastamento foi uma tentativa de abertura de espaço para isso.

iG: Você voltou ao ar este ano no seriado “Louco Por Elas”. Pensa então em voltar a fazer novelas agora?
Eduardo Moscovis: Ainda não penso porque estou no meio de um projeto de TV, a gente está para voltar a trabalhar agora em agosto e não sabe ainda que cara vai ter essa segunda temporada, que duração vai ter. Na primeira , a princípio, seriam oito episódios. Aí a gente foi gravando e fizemos 14 episódios. Então não tem por que pensar em outro projeto de televisão agora, né?

Nessa coisa da Gabriela estar se apresentando como uma pessoa nova que ela está virando, acho que está muito tranquilo ainda. Acho que eu ainda continuo sendo aceito”

iG: Mas você se vê fazendo novelas novamente?
Eduardo Moscovis: Essa novela “Avenida Brasil”, por exemplo, seria um trabalho que eu poderia estar fazendo feliz... Ela faz o resgate de uma forma de comunicação com vários tipos de público, tem uma dramaturgia retrabalhada, enquanto se dizia que era um meio esgotado... Acho que o João Emmanuel (autor) conseguiu dar uma leitura nova. Mas é uma novela de um público absurdo, diário, isso acarreta uma superexposição de quem está alí, né? Adriana (Esteves), Débora (Falabella), a galera que está trabalhando, fica numa superexposição... Não tem jeito. Aí é se preparar para isso (risos).

iG: Você também estava procurando por uma exposição menor ao se afastar das novelas?
Eduardo Moscovis: Eu vinha de uma exposição muito grande. Uma novela das oito e depois uma novela das seis que foi um absurdo de audiência, “Alma Gêmea”. Tive um mês de intervalo entre uma e outra. Isso já faz sete anos. Aos poucos estou conseguindo voltar a esse contato direto com o público com o “Louco por Elas”, que tem sido tão elogioso. Acho bacana.

iG: Sete anos foi um tempo longo.
Eduardo Moscovis: Não foi uma coisa totalmente premeditada, porque outros projetos foram aparecendo. Pode parecer que foi uma aversão, mas na verdade eu sempre deixei claro que não era um “nunca mais vou fazer”.

iG: A atriz Ana Paula Arósio, por exemplo, se afastou totalmente da carreira e passou a viver no interior de São Paulo. Recentemente ela declarou que não é “só de fama e dinheiro que se deve viver”. Você entende esse tipo de afastamento?
Eduardo Moscovis: Entendo totalmente, mas acho que é um afastamento possível de acontecer em qualquer tipo de vida, independente da profissão. Se você estiver a fim de mudar tem todo o direito de fazer o que quiser. Você direciona ou tenta redirecionar de acordo com a sua necessidade. Se você não estiver fazendo mal para ninguém...

iG: Você sempre evitou o rótulo de galã e procurou papéis diferentes. Teve medo de receber esse rótulo?
Eduardo Moscovis: Eu tenho interesse em fazer qualquer tipo de personagem. É muito delicado ficar falando sobre isso. Normalmente são os outros que rotulam você de alguma cosia e isso vai existir, vai acontecer, se for verdade. Não tenho uma preocupação com isso. Quero poder fazer coisas diferentes: comédia, drama, personagens intensos, personagens que aparecem em 5% do filme, como foi esse.

O ator é pai de Gabriela, de 13 anos, Sophia, de 11, Manuela, de 5, e Rodrigo, de 4 meses
Isabela Kassow
O ator é pai de Gabriela, de 13 anos, Sophia, de 11, Manuela, de 5, e Rodrigo, de 4 meses

iG: Ter entrado no elenco do “Saia Justa” faz parte desse pensamento?
Eduardo Moscovis: O “Saia Justa” é difícil porque é a gente. Não tem personagem. E acho que foi por isso que topei fazer. Estava a fim de experimentar isso também, ser um pouco mais autêntico na minha escolha. Eles me ligaram e achei engraçadíssimo ser chamado. Perguntei até se era uma ligação séria. E tem sido ótimo para mim como exercício mesmo.

iG: Teve alguma coisa que disse e gostaria de não ter falado?
Eduardo Moscovis: Um monte (risos). Não vou lembrar, mas o tempo todo. Às vezes, assistindo ao programa, eu penso “podia ter falado isso”. Quando estou em casa, naquele lugar confortável de ser o público, sabe? Falo: “Pô, podia ter tido uma tirada mais inteligente ou bem-humorada”.

iG: Você evita fazer anúncios e presença vip em eventos. Por quê?
Eduardo Moscovis: Eu estaria indo representar um produto, dando o meu aval e assinando embaixo. Isso porque alguém acredita que me vendo dizendo que eu uso aquilo vai fazer com que outras pessoas usem. Ainda não tive nenhuma situação da vida financeira que eu tivesse que topar uma coisa em que não acreditasse. As coisas que fiz foram coisas que pensei “posso fazer isso, é legal” ou “posso fazer sem doer, não estou mentindo muito” (risos). Não tive ainda uma situação financeira de estar num vermelho absurdo, da minha família dependendo de uma grana, de eu dizer: “Vou topar fazer isso pelo dinheiro”. Sacou? Pode ser que aconteça.

Eu tinha que fazer um acordo com quem já estava no pacote e falei: ‘Galera, vocês não vão sofrer com isso. Ninguém vai ter que se mudar. A gente vai ter que, sim, ficar mais atento, mas ninguém vai precisar sair da escola que estuda’”

iG: Você poderia estar ganhando mais dinheiro se estivesse fazendo a novela das oito? Você se organizou para fazer isso.
Eduardo Moscovis: Me organizei. Eu estava me preparando para abrir mão do meu salário mensal. E tinho uma estrutura que eu ia continuar bancando. Não tomei uma decisão exclusiva minha. Quer dizer, eu tomei uma decisão exclusiva minha com relação às minhas coisas, porém eu tinha que fazer um acordo com quem já estava no pacote e falei: “Galera, vocês não vão sofrer com isso. Ninguém vai ter que se mudar ou mudar os hábitos demais. A gente vai ter que, sim, ficar mais atento, mas ninguém vai precisar sair da escola em que estuda”.

iG: Como está sendo não ser o único homem dentro de casa?
Eduardo Moscovis: Por enquanto é só simbólico, só psicológico. De não estar sozinho, de brincar com as meninas que chegou o reforço, que a minoria está crescendo e tal. Essas besteiras (risos). É um nenezinho pequenininho, bonitinho.

iG: Você desmentiu que teria uma crise no seu casamento com a Cynthia. A relação de vocês dura nove anos. Qual o segredo para preservar o amor entre marido e mulher com tantas coisas ao redor, tantos filhos?
Eduardo Moscovis: Não tem receita para essas coisas. É tentar ser atento, fazer daquela relação uma relação feliz, sincera. Eu sou feliz com a minha turma, sou amarradão nelas e nele, agora. Isso não quer dizer que não seja difícil, que não tenha a rotina do dia a dia, que não tenha o desgaste. É assim: a gente escolheu isso? A gente continua se escolhendo para isso? Então vamos tentar nos ajudar? Às vezes você segura um pouco, é uma negociação. As crianças vão crescendo, a gente vai envelhecendo, amadurecendo uma porção de outros pontos de vista. É a evolução. A gente está há nove anos casados, namorando, junto. Acho que os segredos das relações é estar atento ao outro. Se você realmente tem interesse no outro, qualquer que seja a sua relação, de trabalho, de amizade do que for, é você tentar estar atento. No meio dessa maluquice que a gente vive, no meio de tanta informação, é você tentar se manter consistente na atenção. “Desculpa, não posso te dar atenção agora, mas eu estou atento em você”. Uma mensagem, um obrigado, um e-mail que é passado às 3h, ou um recado que se deixa, uma mensagem no telefone. A gente tem tanto recurso agora, né?

iG: Com as suas filhas, já passou por alguma situação difícil ou por algum mico com um assunto feminino?
Eduardo Moscovis: Eu acho que não. Vou ficar aqui pretensioso dizendo que eu acho que não (risos). Mas elas podem vir a dizer que sim.

iG: No programa “Homens Possíveis”, do GNT, você disse que a Gabriela está na fase do mico, da vergonha de ser vista com o pai.
Eduardo Moscovis: Mas você sabe que nem tá? É muito mais de zoação porque, até agora, pelo menos, a gente vive uma relação muito bacana. É lógico que tem o momento dela, dos 13 anos que estão chegando. A gente já passou por isso, mas acho que, dentro dessas vergonhas, dessa dificuldade, nessa coisa de ela estar se apresentando como uma pessoa nova que ela está virando, acho que está muito tranquilo ainda. Acho que eu ainda continuo sendo aceito (risos).

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