O apresentador Gregg Wallace foi desligado do MasterChef britânico após um relatório independente confirmar 45 denúncias de assédio , nudez indevida e linguagem ofensiva entre 2005 e 2024. O documento foi encomendado pela produtora Banijay e elaborado por um escritório de advocacia externo, que apurou um total de 83 acusações contra o apresentador .
A revelação exclusiva da BBC News desencadeou novas denúncias. Após a veiculação da reportagem, mais de 50 pessoas procuraram a emissora para relatar episódios de conduta inadequada cometidos por Wallace nos bastidores do programa e em outros eventos da televisão britânica.
A maioria das queixas envolve piadas de cunho sexual , toques físicos sem consentimento e comentários considerados culturalmente ofensivos . Ex-participantes do reality afirmaram ter se sentido constrangidos durante gravações, e colegas relataram episódios em que Wallace se despiu diante da equipe.
A BBC e a Banijay reconheceram falhas em lidar com as denúncias ao longo dos anos. “ Mais poderia e deveria ter sido feito antes ”, declarou a emissora. Patrick Holland , presidente da Banijay, pediu desculpas: “ Lamentamos profundamente qualquer pessoa que tenha sido afetada por esse comportamento e não tenha se sentido capaz de se manifestar na época ”.
Durante a investigação, Wallace recebeu diagnóstico de autismo . O relatório incluiu essa informação como fator que poderia influenciar certas atitudes. No entanto, entidades de apoio a pessoas autistas criticaram a associação e afirmaram que o transtorno não pode justificar abusos de conduta.
Gregg Wallace era uma das figuras mais reconhecidas do MasterChef Reino Unido , onde dividia a bancada de jurados com o chef John Torode . Ele permaneceu no programa por quase duas décadas e participou de diversas versões e spin-offs do reality.
No Brasil, a versão local do MasterChef segue no ar com os jurados Erick Jacquin , Helena Rizzo e Henrique Fogaça . Ana Paula Padrão , que conduziu o formato por dez anos, deixou a apresentação em 2024.
Apresentador nega acusações
Nas redes sociais, Gregg Wallace comentou a demissão e afirmou que as acusações feitas contra ele não foram confirmadas. Segundo o apresentador, nos últimos meses ele tem sido perseguido por julgamentos "alimentados por boatos e manchetes caça-cliques".
Ele questionou algumas das acusações, principalmente referentes aos toques indesejados. Entretanto, ele se desculpa aos envolvidos pela "angústia causada", reiterando que não foi algo intencional. Leia a nota completa :
" Durante oito meses, minha família e eu vivemos sob uma nuvem. Um julgamento pela mídia, alimentado por boatos e manchetes caça-cliques.
Nenhuma das acusações graves contra mim foi confirmada. Questionei a questão restante de toques indesejados, mas tive que aceitar uma diferença de percepção, e lamento profundamente qualquer angústia causada. Isso nunca foi intencional.
Sinto alívio ao ver que o relatório da Banijay reconhece plenamente que meu comportamento mudou profundamente em 2018. Parte do meu humor e da minha linguagem passou dos limites. Nunca tive a intenção de ferir ou humilhar.
Sempre tentei levar acolhimento e apoio ao MasterChef, dentro e fora das câmeras.
Depois de quase 20 anos no programa, percebo agora que certos padrões, moldados por características que só recentemente comecei a entender, podem ter sido mal interpretados. Também reconheço que mais poderia ter sido feito, por outros e por mim, para lidar com preocupações mais cedo.
Um diagnóstico tardio de autismo me ajudou a compreender como me comunico e como sou percebido. Ainda estou aprendendo.
A Banijay me ofereceu grande apoio, e agradeço por isso. Mas, no fim, a BBC me deixou exposto a um julgamento pela mídia e às consequências que isso traz.
A quem demonstrou gentileza, agradeço. Isso fez diferença.
Foi brutal. Para um homem da classe trabalhadora, com um jeito direto, o meio da radiodifusão moderna se tornou um lugar perigoso. Desta vez, fui eu a manchete. Mas não serei o último.
Haverá mais vítimas se a BBC continuar nesse caminho, onde proteger o próprio legado importa mais do que proteger as pessoas.
Da minha parte, com total apoio jurídico, vou considerar meus próximos passos. "