“A guerra não tem rosto de mulher” é seu segundo livro lançado no Brasil e reúne memórias de mulheres que atuaram na Segunda Guerra Mundial

A bielorrussa veio ao Brasil para falar de seu livro
Agência Brasil
A bielorrussa veio ao Brasil para falar de seu livro "A guerra não tem rosto de mulher”


Paraty amanheceu diferente neste sábado. O fluxo de pessoas era bem maior do que em relação aos outros dias de Flip. O sol brilhava mais intensamente e a temperatura marcava a casa dos 29 graus. As ruas de pedra estavam quase que intransitáveis e o motivo do burburinho era um só: Svetlana Aleksiévitch.

A bielorrussa - ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015 - veio ao Brasil para falar sobre seu livro "A guerra não tem rosto de mulher” (Companhia das Letras), que reúne memórias de cerca de um milhão de mulheres que lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial.

A obra foi dividida em diversos relatos de mulheres que atuavam tanto na linha de frente, como fuzileiras, quanto nos bastidores do conflito, ou como médicas e enfermeiras. “São memórias difíceis, que doem e perturbam, mas que precisavam ser publicadas, mesmo diante de muitas lágrimas e soluços”, comenta Svetlana.

Outro livro da autora que foi lançado recentemente no Brasil foi “Vozes de Tchernóbil” (Companhia das Letras), que chegou a ser proibido em Belarus. Publicada em 1997, a obra levou dez anos para ser escrita e traz uma série de entrevistas com testemunhas da maior catástrofe nuclear da história: o acidente de Chernobyl.

Além de “Vozes de Tchernóbil” e “A guerra não tem rosto de mulher”, Svetlana também escreveu “últimas Testemunhas”, “Rapazes do Zinco” e “O fim do homem soviético”. Todos os livros possuem uma particularidade: são monólogos, com diversas fontes e muitas vezes narrados em primeira pessoa.

“Eu recolho sentimento, memórias, angústias. Reúno a vida de meu tempo e me ocupo da história omitida. Valorizo a relação de amizade com a fonte. Eu não entrevisto. Converso”, afirma a autora.

Em um diálogo com Paulo Roberto Pires, jornalista, escritor e editor da Serrote, revista de ensaios do Instituto Moreira Salles, a bielorussa comentou como faz para colher depoimentos tão dolorosos, de pessoas que possuem traumas dos acontecimentos presenciados, “Eu não vou direto ao ponto. Procuro sentir a pessoa. Falo da roupa, do tempo, das notícias do dia a dia. É preciso que ela tenha confiança em mim”, pontua.

A apresentação de Svetlana não contou apenas com a lotação máxima do auditório – os ingressos esgotaram-se em menos de uma hora – o telão que fica na parte externa do evento foi tomado por uma multidão entusiasmada que assistiu uma autora digna de Prêmio Nobel.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.