RIO — Mais um “silêncio ensurdecedor” transformou as redes sociais em um verdadeiro tribunal, desta vez recheado de heróis da Marvel . O réu da semana é Chris Pratt, astro de “Guardiões da galáxia”. O ator foi alvo de um bombardeio de críticas por não demonstrar publicamente apoio à candidatura do democrata Joe Biden na eleição americana.


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Thor e os Guardiões da Galáxia


A trama começa com um post no Twitter feito pela produtora, diretora e roteirista Amy Berg em que ela pede aos seguidores que escolham qual Chris “deve ir embora”. No cardápio, Berg oferece: Chris Pine, Chris Evans, Chris Hemsworth e Chris Pratt. Rapidamente, o intérprete de Peter Quill foi “cancelado”. E por motivos que vão além de seu posicionamento político. Ou a falta dele.

Algumas pessoas voltaram a uma polêmica de 2019, quando Pratt, que é assumidamente cristão, foi acusado de frequentar a igreja Hillsong, defensora de um explícito discurso homofóbico. À época, o ator foi criticado abertamente pela atriz vencedora do Oscar Ellen Paige e negou que fosse membro da igreja, pedindo “menos ódio” a todos.

Mas, de fato, o novo “cancelamento” de Pratt está majoritariamente ligado à eleição presidencial do dia 3 de novembro. Na contramão de uma legião de celebridades americanas, ele nunca se manifestou sobre seu lado na corrida pela Casa Branca. Mas pelo menos em sua própria residência o ator tem elos com o Partido Republicano. Em junho do ano passado Pratt se casou com Katherine Schwarzenegger, filha do ex-governador da Califórnia e astro de Hollywood, Arnold Schwarzenegger .

Porém, por mais que seja genro de uma figura política do mesmo partido que o presidente Donald Trump, Pratt realmente vem preferindo a discrição diante da disputa eleitoral. Tão “low profile” que o ator sequer deu as caras no evento virtual engendrado esta semana pelo elenco da saga dos “Vingadores” para arrecadar fundos para a campanha democrata de Joe Biden. Sua ausência foi mais um carregamento para o arsenal de críticas nas redes.

E coube justamente aos colegas de Marvel a missão de sair em defesa de Chris Pratt diante de seu “cancelamento”. Intérprete do Homem de Ferro, Robert Downey Jr. postou no Instagram: "Os ‘sem pecado’ estão atirando pedras no meu irmão, Chris Pratt. Um verdadeiro cristão que vive por princípios, nunca demonstrou nada além de positividade e gratidão”, disse Downey Jr.

Outro astro que decidiu salvar Pratt foi Mark Ruffalo , conhecido por seu engajamento político e responsável por dar vida ao Hulk nos longas da Marvel. “Todos vocês: Chris Pratt é o homem mais sólido que existe. Eu o conheço pessoalmente e, em vez de lançar calúnias, veja como ele vive sua vida. Ele simplesmente não é abertamente político como regra. Isso é uma distração. Vamos manter nossos olhos no prêmio, amigos. Estamos tão perto agora”, tweetou Ruffalo, uma das celebridades de maior entusiasmo na campanha de Joe Biden.

Diretor da franquia “Guaridões da galáxia”, James Gunn também se pronunciou sobre as críticas ao amigo. “Ele é o melhor cara do mundo. Passei horas e horas compartilhando minhas verdades mais profundas com este homem, como ele fez comigo. Por favor, parem de presumir o que ele acredita, politicamente ou sobre qualquer assunto, apenas porque ele é um cristão”, escreveu Gunn no Twitter.

Em seguida, o cineasta complementou seu desabafo com um relato pessoal: “Fui católico praticante por muitos anos. Esperava ter um impacto maior trabalhando pelos direitos dos homossexuais internamente. Em algum momento desisti. E foi uma escolha válida”.

Nas redes, Chris Pratt vem preferindo, pelo menos por enquanto, manter o bom e velho silêncio sobre o assunto.

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