Coreógrafo diz que não quer prioridade, e sim solução no caso do assassinato de seu filho

Carlinhos de Jesus se emociona ao falar da dor da perda do filho:
Vivian Fernandez
Carlinhos de Jesus se emociona ao falar da dor da perda do filho: "É uma porrada"
Com 59 anos recém-completados, Carlinhos de Jesus arrancou suspiros das mulheres que embarcaram no cruzeiro Emoções em Alto Mar, de Roberto Carlos . Na manhã deste domingo (5), o coreógrafo deu uma aula de dança na área da piscina da embarcação e mostrou que está em plena forma.

Ainda assim, Carlinhos diz que envelheceu muito nos últimos três meses. A frase do coreógrafo é em relação à perda de seu filho, Carlos Eduardo Mendes de Jesus, assassinado no Rio de Janeiro no final de 2011 . Com muitas lágrimas no rosto, mas sem citar as palavras mortes, assassinato ou até mesmo o nome do filho, Carlinhos não escondeu a dor da perda. Ainda assim, agradece a energia que sentiu das pessoas que estão no cruzeiro de Roberto Carlos.

Siga o iG Gente no Twitter e receba as notícias das celebridades

Neste mesmo dia, outra nova etapa sem o filho será iniciada. “Hoje vai ser difícil. Vou para a Marquês de Sapucaí. É a primeira vez que vou sem ele. Ele desfilava comigo nas comissões. Hoje vou sozinho", disse, emocionado. "Estou me adaptando. É se acostumar. A gente se acostuma com a dor. Ela não passa. Essa eu sei que não vai passar, estou me acostumando, estou convivendo com ela. Sei que ela vai me corroer por toda a vida”, disse ele ao iG.

Na noite anterior, Carlinhos contou que chorou bastante durante a canção “Emoções” na apresentação de Roberto, e se disse “súdito do rei”, por isso não deixa de fazer seu trabalho em alto-mar desde a segunda edição do navio temático. E é a bordo dele que pretende comemorar seu próximo aniversário; “Ano que vem, acho que o navio do Roberto será em janeiro, então vou comemorar 60 anos em alto- mar”.

Carlinhos de Jesus:
Vivian Fernandez
Carlinhos de Jesus: "A dança é muito sedutora, é uma forma de mensagem através do corpo. Mexe com o imaginário das pessoas"

iG: Você está com essa parceria no navio do Roberto. Qual sua relação com o músico?
Carlinhos de Jesus:
Ele é o súdito, eu sou o rei. (risos). E eu cumpro uma determinação do meu súdito. Porque ele faz questão que eu venha. Ontem no camarim após o show, ele chegou para mim e disse: “Você tem que estar aqui todos os anos”. Sei que ele interfere, é um pedido do próprio Roberto. A relação com ele, que primeiro, é uma relação de fã, de quem viveu toda a Jovem Guarda. E hoje de amizade, respeito. Continuo sendo fã, tiete, acho ele um exemplo de homem, de profissional. E você vai conversar com ele, ele fala sacanagem, fala palavrão. É um homem normal. Gosto e admiro. É um trabalho que faço com muita satisfação. E esse em especial, este ano. Porque é meu primeiro trabalho lidando diretamente com o público, depois de tudo o que me aconteceu. É a primeira vez que estou sentado no meio das pessoas, fazendo um show interativo, que estou muito próximo às pessoas. Então foi muito importante eu estar aqui hoje.

Recebi telefonema do próprio rei, Roberto me ligou. Do Lula. Isso, pra mim, foi minha grande bengala"

iG: E como você está recebendo o carinho do público nesta fase da sua vida?
Carlinhos de Jesus:
As pessoas perguntavam se eu tinha dimensão da minha imagem. E eu não tinha a menor. E agora, com o fato, eu não podia imaginar, o que recebi de mensagem, em tudo o que você pode imaginar. Recebi telefonema do próprio rei, Roberto me ligou. Do Lula . Isso, pra mim, foi minha grande bengala. Foi um dos grandes pilares. Vejo isso de uma forma surpreendente, meio assustadora no sentido da dimensão, e me deixa muito lisonjeado. E agora eu tenho certeza que tenho tomar cuidado com minhas ações. Tem muita gente que espera muita coisa de mim.

iG: E como as pessoas passam para você esse apoio?
Carlinhos de Jesus:
Às vezes as pessoas não falam nada. Às vezes só pega meu braço e aperta. Outro só olha, abraça. Bate no peito. E outros falam. O gesto e a intenção não estão só nas palavras. Isso está sendo muito bom aqui. Me mostra que tenho que encarar mesmo, continuar trabalhando. É o momento que me entrego muito, fico muito sensível.

iG: No palco, você estava bastante alegre, interagindo com as pessoas. De onde tira forças para esquecer o que aconteceu na hora do trabalho?
Carlinhos de Jesus:
Por exemplo, o Roberto, é uma dessas inspirações. É um homem que já teve grandes perdas. Minha família também. O apoio da minha mulher, da minha filha de 26 anos.  Fora isso, sou um homem muito voltado ao trabalho, sempre trabalhei. Deixei de passar muito Natal com a família, deixei de comemorar os aniversários da minha filha porque quando eu trabalhava com Elba (Ramalho) , os grandes momentos que tive com ela, eram exatamente no mês de junho, que era o aniversário da Tainá .

iG: Mas você se arrepende de abdicar de sua família pelo trabalho em algum momento?
Carlinhos de Jesus:
Não me arrependo. Se eu pudesse voltar atrás, teria evitado algumas coisas que fiz de bom e de ruim. Hoje tenho uma estrutura, então seria mais fácil administrar isso. Mas não que tenha sido um arrependimento. Teria feito de outra forma. Agora acho que o trabalho é a grande coluna vertebral do ser humano. É fazer de seu trabalho seu divertimento, não só seu sistema. É se divertir com o trabalho, não fazer do trabalho uma piada. Tanto que com o fato, o trabalho foi a segunda mola propulsora da minha vida. Os primeiros eu recusei, confesso. Depois eu vi que eu tinha que voltar. O trabalho seria um grande antídoto para a depressão, para que eu não caísse no desespero. É uma porrada!

Vivian Fernandez
"Roberto (Carlos) é uma dessas inspirações. É um homem que já teve grandes perdas", diz o coreógrafo

iG: Você descobriu exatamente o que aconteceu? Tem uma investigação ainda?
Carlinhos de Jesus:
Estive até na delegacia na sexta-feira (03). Não estou tocando no assunto porque isso pode atrapalhar as investigações, mas o caminho que a investigação esta tomando, eu não sei. E disse ao delegado que quero continuar não sabendo. São muitos detalhes. Eu, sem ter visto, tomado conhecimento do que foi, da forma que foi, não me sai da cabeça a ação. Eu sou um homem que retrato muito em imagens na minha cabeça de tudo o que faço. Então, tenho um filmizinho que passa aqui. Imagine se eu tomar conhecimento? Não quero atrapalhar. Sei de duas linhas que eles estão seguindo, que eu não posso dizer, porque isso pode alertar as próprias pessoas. A polícia está agindo cautelosamente para dizer foi isso, foi esse e a prova está aqui. O delegado está muito empenhado. Meu caso não está sendo tratado como o caso do filho do Carlinhos, porque é conhecido. Meu caso está lá na delegacia como qualquer outro grande caso de homicídio. Não quero prioridade, quero solução. As investigações estão indo muito bem. Não vai me trazer a alegria de volta, mas vai servir de alerta e referência para outros possíveis casos.

iG: Mudando de assunto, você já recebeu propostas indecentes das mulheres?
Carlinhos de Jesus:
A vida inteira. Sempre fui um homem muito tímido, nunca fui um homem de paquerar mulher. Nem sei abordar uma mulher nesse sentido. A dança sempre foi minha palavra, minha forma de conquista. Tive sete grandes amores – conta de mentiroso -, tive sete grandes envolvimentos, grandes paixões, até encontrar meu grande amor de verdade, que é minha mulher, com quem estou há 30 anos. Eu a conquistei dançando. Eu convivo com o assédio. A dança é muito sedutora, é uma forma de mensagem através do corpo. Mexe com o imaginário das pessoas. A música ajuda.

iG: E como você se esquiva das cantadas?
Carlinhos de Jesus:
Ah, eu brinco. No palco, não me encabulo. Agora, fora do palco, fico vermelho igual camarão, aí o bicho pega e começo a rir. No palco eu domino, fora do palco elas me dominam. Digo que sou casado, aí vem uma outra proposta...(risos). Mas é fácil lidar, porque é uma coisa carinhosa. Acho que a cantada é uma prova de carinho, não é uma rejeição. Ser rejeitado é horrível. Quando eu sou rejeitado, quando alguém me critica, quero saber o porquê. Aí eu dou mais atenção, como se eu estivesse seduzindo a pessoa para não me odiar (risos). Hoje mesmo uma pessoa falou que sou uma pessoa muita chata quando vou no (quadro) Dança dos Famosos. Ok, minha profissão é isso. Não posso me entregar a uma audiência e respeito a sua opinião. Aí dei uma toalha para ela e ela ficou superfeliz.

Carlinhos durante sua apresentação no cruzeiro Emoções em Alto Mar
Vivian Fernandez
Carlinhos durante sua apresentação no cruzeiro Emoções em Alto Mar


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.