"Minha vontade é fazer com que as pessoas se divirtam mais do que me defender", diz o comediante sobre sua nova série

Rafinha Bastos:
Claudio Augusto
Rafinha Bastos: "Deixei as coisas meio que acontecerem", diz ele sobre a repercussão de suas polêmicas

Tranquilo e sorridente, Rafinha Bastos chega ao set de gravações de “A Vida de Rafinha de Bastos”, improvisado em um bar da Rua Augusta, em São Paulo. São 10 horas da manhã de um sábado, e a mesa do café da manhã para os extras e figurantes de seu programa no Canal FX, que estreia em junho, está montada.

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Enquanto se serve de um lanche, Rafinha brinca com os figurantes, todos à espera da seleção para as cenas do dia: “Bom dia pessoal. Que gostoso, todos aqui reunidos... pensem que sábado de manhã é sempre um dia especial”, brincou. O programa -“uma série sobre a minha vida, com coisas reais ou não”, nas palavras dele-, é um dos dois projetos do comediante depois de sair do “CQC”, em janeiro (o outro é “Saturday Night Live”, na Rede Tv!, que estreou em maio e até agora amargou baixos índices de audiência). Ao contrário de sua persona pública, que pode ser considerada agressiva, Rafinha ‘ao natural’ é bem diferente. “Achou! Cadê o nenê”, dizia ele em um vídeo com seu filho, um menino de um ano de idade, que mostrava aos atores Robson Nunes e Juliana Araripe durante o intervalo de uma das cenas. Educado e gentil com os figurantes, Rafinha fazia uma brincadeira de tempos em tempos para descontrair o set.

Rafinha Bastos ouve as orientações do diretor: calmo, tranquilo e compenetrado
Claudio Augusto
Rafinha Bastos ouve as orientações do diretor: calmo, tranquilo e compenetrado



Afastado da Band desde outubro de 2011 , quando se envolveu em uma polêmica com a cantora Wanessa , Rafinha foi, por meses, figurinha carimbada nas manchetes por seu comportamento ‘politicamente incorreto’. “Nunca discuti muito esse assunto,”, explica ele, que só se pronunciou sobre seus dois processos (um deles movido pela APAE), em abril, durante entrevista à Marilia Gabriela . “Acabei dando muito por causa de uma participação que ela faz na série. Foi uma troca na verdade, senão eu não teria dado”, explica ele.

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Rafinha Bastos:
Claudio Augusto
Rafinha Bastos: "Inventa-se o que tô fazendo, o que eu não estou fazendo"



A apresentadora e atriz é uma das convidadas especiais do primeiro episódio do programa, no qual interpreta ela mesma. Minotauro, um dos irmãos da dupla de gêmeos lutadores do MMA, também faz uma participação como o “mentor que tenta ajudar Rafinha a se reerguer”. No primeiro episódio de “A Vida de Rafinha Bastos”, Rafinha é expulso de casa por sua mulher devido a suas piadas, e é acolhido pelo lutador. Programado para ir ao ar no dia 16 de junho, o primeiro episódio será apenas um tira-gosto, já que o resto da série só será exibido no segundo semestre. No dia 14, a partir das 20h, Rafinha vai comandar um bate-papo com fãs transmitido ao vivo no site do FX e na página do programa no Facebook .

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“Esta é uma série que vai ter apoio de lei de incentivo (Lei das Cotas), e demora um certo tempo até uma aprovação”, explica Rafinha, que assina o roteiro do programa com outros quatro redatores, um deles Camila Raffanti , que interpreta sua mulher (os dois já haviam vivido um casal na série “Mothern”, de 2006). A FX, um canal do grupo FOX, e coprodutora do programa junto com a Mixer, tem o poder de aprovar “49%” do texto. “É tudo feito em conjunto, mas sim, eles aprovam tudo antes”, diz o produtor.

Rafinha Bastos nos bastidores das gravações de
Claudio Augusto
Rafinha Bastos nos bastidores das gravações de "A Vida de Rafinha Bastos": "Esta série abordará o que nenhum outro dos meus projetos vão"


Confira a entrevista feita com o comediante nos bastidores das gravações de “A Vida de Rafinha Bastos”

Rafinha Bastos
Claudio Augusto
Rafinha Bastos

iG: Como está a rotina de gravações a menos de um mês da estreia?
Rafinha Bastos : Começamos a gravar esta semana intensamente, por 14 horas por dia, às vezes até um pouco mais. Estamos nos dedicando a gravar este primeiro episódio de uma hora, e depois voltaremos para fazer os outros doze. Não tem horário ainda. Só tem o roteiro do primeiro e a sinopse dos outros episódios. Já começou um processo de desenvolvimento muito lentamente. Eu queria fazer um episódio agora para aproveitar um pouco o humor deste momento, polêmicas, etc; coisas que . É a série que vai tocar nessas coisinhas.

iG: Todo episódio será calcado em polêmicas ou no politicamente incorreto?
Rafinha Bastos: Não, não tem esse apego. Eu nunca quis explorar muito isso na minha comédia, nunca discuti muito esse assunto, deixei as coisas meio que acontecerem, as pessoas falarem, e inventa-se o que tô fazendo, o que eu não estou fazendo...Eu sempre quis discutir isso de uma forma mais madura do que simplesmente sair por ai dando entrevista. Inclusive a entrevista da Marília Gabriela eu acabei dando muito por causa de uma participação que ela faz na série. Foi uma troca na verdade, senão eu não teria dado uma entrevista. Gosto muito dela, acho ela legal, mas queria ter feito isso é na série, brincar um pouco com isso.

iG: Você acha importante rir destes assuntos?
Rafinha Bastos : Eu rio muito (fala quase gritando), o tempo inteiro acho. É interessantíssimo, me diverti muito com todo a história, foi muito rica para mim em termos de comédia, me deu vontade de fazer muita coisa. Achei melhor segurar a onda, fazer uns vídeos na internet, brincar muito com este universo porque no fundo no fundo sou comediante, então minha vontade é fazer com que as pessoas se divirtam mais do que me defender ou defender uma bandeira. ‘Quer saber? Vou fazer comédia’, é o que deixei bem claro desde o começo, por isso que não entrei muito em discussões. Eu acho que, a partir do momento em que você dá entrevista, está automaticamente preocupado com o que está sendo dito e falado ao seu respeito, e essa nunca foi minha questão. Como eu posso fazer da melhor forma dentro da minha comédia? Acho que fiz isso de maneira interessante.

iG: Em relação às polêmicas, tem algo que você faz questão de incluir no programa?
Rafinha Bastos: Não, não. Bom, tem essa polêmica da coisa do estupro que eu queria que aparecesse de alguma forma (a cena em que eles tocam no assunto havia acabado de ser gravada). Esse não foi a primeira polêmica, mas a primeira que fez mais barulho. Acho que começou no momento em que eu comecei a fazer mais barulho na internet. Achava interessante toda a repercussão do que foi feito.Teve até manifestação na porta do meu bar. Eu achava tudo muito interessante, e sabia que tinha que tocar no assunto de alguma forma porque não toquei depois que fiz a piada, fiquei quieto. Achava que a série era uma parada legal de falar sobre isso, até de uma maneira mais humana, porque você cria uma expectativa sobre a maneira que eu vejo essas coisas. A série é uma maneira que eu tenho de contar um pouco do que acontece comigo também.

iG: E quanto ao formato, há alguma referência de projetos americanos, como “Seinfeld” e “Curb your Enthusiasm”, dos quais você é fã declarado?

Rafinha Bastos : A única inspiração no “Curb your Enthusiasm”, do Larry David, e no “Seinfeld”, é o fato de o comediante ser ele mesmo na série. Em termos de temática, assunto e desenvolvimento, o roteiro não teve nenhuma inspiração clara. É um comediante que é ele mesmo e isso bate muito nessas ideias. A série não é necessariamente e comédia o tempo inteiro, tem umas discussões mais interessantes, então é por ai.

iG: Mas o personagem terá algum tipo de trajetória? No primeiro capitulo, por exemplo, você sai de casa e é acolhido pelo lutador de MMC Minotauro.
Rafinha Bastos: Não, de jeito nenhum. Não tem métrica, não pode ter. A vida é cheia de confusões, ela não é “Friends” onde o cara casa, separa e todo mundo vive junto. Os conflitos são muito mais complicados e também mais engraçados e reais. Isso dá muito mais combustível para fazer comedia. Tem muita coisa que é realmente da minha vida e que eu trouxe para série, outras coisas nem tanto....

iG: Como seu pai, por exemplo?
Rafinha Bastos: A gente não fechou nada ainda, mas quero muito que ele participe, e ele também quer. Adorou a ideia. É também o que eu fazia na internet antes, colocar meu pai, meus amigos de infância. O grande barato pra mim de fazer uma coisa como essa é poder trazer os meus amigos para trabalharem comigo. No “Saturday Night Live” é a mesma coisa. Eu sou nepotista, trago quem é próximo. Eu e com quem eu gosto.

iG: Por que o piloto tem tanta distância dos outros episódios?
Rafinha Bastos: Esta é uma série que vai ter apoio de lei de incentivo (Lei das Cotas) e ele demora um certo tempo até uma aprovação, não temos nem como equacionar.


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