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Com diversos talentos em seu casting, emissora encaixa nomes em atrações para não deixa-los fora do ar, e desloca artistas para outras funções

A Vênus Platinada é hoje a maior fábrica de celebridades da televisão. É necessário pouco mais do que um papel de destaque para elevar os artistas da emissora. Mas, no meio de tantas produções, acabam sobrando nomes no casting da Globo e faltando espaço.

Casting da Globo se afasta de seus ofícios iniciais e caba sendo deslocado para não sumir da emissora
Divulgação
Casting da Globo se afasta de seus ofícios iniciais e caba sendo deslocado para não sumir da emissora

Às vezes os artistas não encontram nas novelas os papeis que procuram na TV, ou às vezes há uma renovação inevitável na imagem ou na programação. Ao longo dos anos, vimos muitos personagens centrais no casting da Globo mudarem de rumo, como André Marques e até Fátima Bernardes.

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Sendo assim, alguns nomes da casa servem como “pau para toda obra” e se adaptam às mudanças nas produções. No geral, a platinada é pouco inovadora em sua programação , mas, principalmente aos fins de semana, sobram espaços para novidades. O “PopStar”, por exemplo, entrou na grade em 2017, incialmente com apresentação de Fernanda Lima.

Com sua saída para se dedicar a nova temporada de “Amor & Sexo”, Taís Araújo ocupou a vaga. A atriz está afastada das novelas desde “Geração Brasil” em 2014. Desde então, ela e o marido Lázaro Ramos se dedicaram a “Mister Brau”, que teve a última temporada em 2018.

Os dois fazem parte do alto escalão do canal, mas já parecem deslocados nas novelas. Pesa também o fato de a emissora constantemente deixar seu elenco negro em segundo plano.

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Assim, em 2018 ambos deixaram a dramaturgia para outras produções. Lázaro Ramos assumiu o “Lazinho Com Você”, com cunho popular, mas que foi ao ar por pouco tempo antes de ser cancelado por conta da baixa audiência. Agora, ele comanda “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”. Com uma premissa confusa, a atração vai ao ar às quintas-feiras e relembra sucessos de décadas passadas.

Ao lado dele estão outros nomes relegados pela emissora e que parecem não ter para onde ir: Rafa Brites, que abandonou o “Vídeo Show”, Marco Luque, que também dá as caras no “Altas Horas”, Marcos Veras, que se divide entre ator e apresentador e Ingrid Guimarães, que não fazia uma novela desde 2013, mas foi um dos destaques de “Novo Mundo” em 2017.

A atriz, inclusive, não estava cotada para assumir a atração. Era Juliana Paes que faria a transição de atriz para apresentadora. Fora do ar desde “A Força do Querer”, Paes também é destaque no casting da emissora, mas parece não ter espaço nas próximas produções da casa em 2019.

Regina Casé é outra peça da casa que parece estar sem colocação. A artista começou na dramaturgia e participou de novelas como “Cambalacho” e “As Filhas da Mãe”. Nos anos 2000 ela assumiu o popular “Muvuca”, que ficou no ar por dois anos. Ao longo do tempo, sua presença nas novelas diminuiu e ela assumiu de vez a vertente de apresentadora. O “Esquenta!” foi seu maior sucesso e ficou no ar entre 2011 e 2017. Entre 2019 e 2020 ela vai retornar às novelas no horário nobre como protagonista da trama de Manuela Dias.

O efeito Pedro Bial

Fátima Bernardes se reinventou e mostrou lado mais descontraído depois que deixou o
Gshow / TV Globo
Fátima Bernardes se reinventou e mostrou lado mais descontraído depois que deixou o "Jornal Nacional"

O maior nome a transitar entre diversos mundos dentro da rede foi Pedro Bial, que depois de 10 anos como correspondente internacional cobrindo guerras, voltou ao Brasil e assumiu o “Fantástico” que, mesmo jornalístico, é mais informal.

Depois, ele partiu de vez para o entretenimento com o “Big Brother Brasil”, que comandou por 15 anos. Essa virada em sua carreira causou certa estranheza incialmente, mas logo Bial viu sua popularidade aumentar e acabou sendo mais lembrado como apresentador.

Mais recentemente, quem deixou o jornalismo foi Fátima Bernardes. Depois de 13 anos no “Jornal Nacional”, ela ganhou uma nova atração na emissora que, apresar do receio inicial, já conquistou seu espaço na grade.

Tiago Leifert fez um caminho similar depois de ajudar o “Globo Esporte” a ganhar uma nova roupagem, mais descontraída. Ele assumiu o papel de Bial no “BBB”, e é um “coringa” na programação. Comanda também o “The Voice” e ganhou o “Zero1” para falar de games e cultura pop, tema nada explorado na programação da emissora. Eventualmente, ele volta ao esporte no “Central da Copa”.

“Sobras” no casting da Globo

Bial se refez como apresentador, mas nem todos os talentos do casting da Globo tiveram a mesma sorte
Divulgação
Bial se refez como apresentador, mas nem todos os talentos do casting da Globo tiveram a mesma sorte

Enquanto os novos tempos tem dado aos atores melhores oportunidades fora da Globo , quem opta por permanecer na casa tem que dançar conforme a música. Ao longo dos últimos anos, nomes abandonados na dramaturgia têm sido deslocados no canal. Mariana Rios, por exemplo, não atua desde “Além do Horizonte”, em 2013. Desde então ela foi repórter no “The Voice” e participou da primeira edição do “PopStar”. Daniele Suzuki também pipocou pela emissora, passou pelo GNT , voltou às origens em “Malhação” em 2014 e assumiu o posto de Rios no reality musical.

A “Dança dos Famosos” também serve como plataforma para os esquecidos. Este ano, por exemplo, Dani Calabresa, é uma das participantes. Ingressando na emissora com o então marido Marcelo Adnet, Calabresa não conseguiu emplacar nada no canal. Hoje integra o “Zorra” e participa da competição de dança. Outra participante, Deborah Evelyn é presente na dramaturgia da emissora, mas sempre em papeis sem muito destaque.

Erik Marmo também deixou as novelas em 2012 depois de “Gabriela”. Considerado um dos galãs do canal, ele acabou se afastando do ofício, mas não rompeu com a emissora e hoje comanda o “Planeta Brasil”, exclusivo para a Globo Internacional.

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O casting da Globo tem sofrido muitas mudanças nos últimos anos, com artistas veteranos sendo dispensados em função dos novos talentos. Mas, os longos contratos ainda são praxe na emissora, o que trava as renovações. Com isso, sobram estrelas e faltam oportunidades, fazendo com que a emissora crie esses espaços para encaixar quem já, por um motivo ou outro, não tem mais apelo em suas áreas.

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