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A cobertura da televisão das eleições 2018 foi intensa, com debates pouco produtivos e candidatos frequentemente sabatinados; veja altos e baixos

O futuro Presidente da República ainda não foi escolhido, Jair Bolsonaro e Fernanda Haddad se enfrentarão no segundo turno, mas, até aqui, as emissoras fizeram suas coberturas com entrevistas e debates, o que rendeu os melhores e piores momentos na cobertura das eleições.

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Cobertura das eleições na TV teve pontos altos e baixos
Ricardo Stuckert
Cobertura das eleições na TV teve pontos altos e baixos


Na cobertura das eleições , um ponto alto foi o número de debates com presidenciáveis e candidatos ao governo dos estados. Ao todo foram sete. Band, Rede TV!, Gazeta, em parceria com o Estadão, TV Aparecida, SBT, em parceria com a UOL e Folha, Record e Globo. O número supera o das eleições de 1989, quando aconteceram seis debates. Além disso, o número de entrevistas também foi extremamente positivo.

Também é importante ressaltar a boa cobertura da Globo News  . O canal realizou sabatina com os presidenciáveis duas vezes, além de conversar com seus vices e chefes de economia, sempre com seu time de jornalistas e analistas políticos como Andreia Sadi, Gerson Camarotti, Fernando Gabeira, Critiana Lôbo, entre outros.

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Pontos baixos da cobertura das eleições

Emissoras também pecaram na cobertura das eleições
Reprodução/TV Globo
Emissoras também pecaram na cobertura das eleições


Como nem tudo são flores, a cobertura também pecou em alguns pontos e um deles foi o fato das emissoras dedicarem muito pouco espaço para candidatos ao parlamento, como senadores e deputados. Com poucas reportagens, só se foi falado de fato desses outros cargos no momento das apurações dos votos.

Também durante os debates e sabatinas, assuntos que surgiram nas redes sociais acabaram virando pauta das conversas entre jornalistas e candidatos a Presidente ou governador, o que ensejava um engessamento do debate de ideias.

Por fim, mais um ponto negativo foi a entrevista que Jair Bolsonaro deu para a Record na quinta-feira (4), enquanto os outros candidatos debatiam na Globo. A contestada entrevista pode ser considerada propaganda eleitoral, que acaba na televisão sempre na noite da quinta-feira pré-eleição.

Globo x Candidatos

Na cobertura das eleições, aconteceu embates entre candidatos e a Rede Globo
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Na cobertura das eleições, aconteceu embates entre candidatos e a Rede Globo


O que não faltou nessa cobertura foram candidatos atacando a Rede Globo. Jair Bolsonaro, por exemplo, falou durante entrevista ao Jornal Nacional que os jornalistas recorrem a subsubterfúgios legais para pagar menos imposto e que eles recebem como PJ (Pessoa Jurídica). Além disso, mais uma vez, ele avocou Roberto Marinho, fundador da emissora, para relativizar o conceito de ditadura no Brasil.

Ciro Gomes também teve problemas com a emissora e chegou a dizer que não pisaria mais lá depois de chegar ao camarim e encontrar um oficial de Justiça que estava ali para entregar a ele notificação de ação movida pelo ex-prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB).

Modelos de debates

Modelos de debates é outro ponto negativo na cobertura das eleições
Divulgação
Modelos de debates é outro ponto negativo na cobertura das eleições


Apesar do grande número de debates, o modelo da maioria deles não foi muito bem escolhido. Isso porque cada candidato tinha muito pouco tempo para perguntar e responder e, pelas regras, eles acabavam proporcionando embates apenas entre candidatos do mesmo extremo ideológico, dando margem para os presidenciáveis "fugirem" de perguntas.

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Entre todos os modelos de debates, podemos destacar o da TV Aparecida, onde os embates aconteciam de acordo com um sorteio feito na hora, como o mais produtivo na cobertura das eleições .

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