Com o Príncipe Harry e sua mulher Meghan Markle no olho do furacão por terem decidido abandonar o primeiro escalão da Família Real inglesa por conta de preconceitos dos britânicos contra a duquesa de Sussex, o IG Gente conversou com a pensadora e ativista brasileira Djamila Ribeiro sobre dicas para por fim a atitudes racistas no dia a dia.  “Muitas vezes as pessoas agem no automático porque as posturas racistas são muito naturalizadas”, explica.

Djamila Ribeiro dá lições para combater o racismo em seu novo livro
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Djamila Ribeiro dá lições para combater o racismo em seu novo livro

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Filha de uma afroamericana, a duquesa Meghan Markle  é constantemente retratada pelos  jornais e tabloides britânicos como alguém que tem um DNA exótico por ter vindo de Compton,  cidade californiana com alto índice de criminalidade.  Em outro episódio, a baronesa Marie Christine von Reibniz chegou a usar um broche racista em jantar, ao lado da duquesa, no Palácio de Buckingham .  O auge do desrespeito foi dirigido ao filho do casal, o bebê Archie, que foi comparado a um macaco por um apresentador da emissora inglesa BBC .  Os dois agora querem se distanciar do Reino Unido, morar Canadá, trabalhar e ser independentes financeiramente. Esses desejos são proibidos para aqueles que estão no topo da linha de sucessão do trono da Família Real .

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O episódio recente envolvendo Meghan Markle é um exemplo da importância de saber muito mais sobre o racismo e seus impactos no dia a dia. Voz influente do feminismo negro, com 474 mil seguidores no Instagram,  Djamila declara ter lançado seu Pequeno Manual Antirracista como um remédio para enfrentar o preconceito. Esse antídoto segundo ela pode ser resumido numa palavra: “informação”. Sem ilusões, porém. Acha muito difícil a completa superação do racismo pela sociedade por se tratar de um fenômeno muito enraizado, mas ela diz conhecer os caminhos para combatê-lo:

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“O primeiro passo é buscar conhecimento sobre o tema. Há uma produção vasta sobre o assunto, de livros a artigos. É necessário ter humildade e reconhecer que há muita ignorância e aprender a lidar com o racismo”, recomenda.

“É fundamental entender a estrutura do racismo e se questionar por que no Brasil a maioria da população é negra, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), mas os espaços de poder e privilégio não refletem esta diversidade. Há muitos negros ocupando cargos subalternos e poucos sentando em cadeiras de chefia, analisa.

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Outra dica é limar do repertório expressões como “olha, o negão que está vindo aí” e também piadas à la “cabelo Bombril”. “Por que as características do negro podem ser tratadas de forma depreciativa?”, questiona Djamila.  A expressão “Mulata do Carnaval” é outra que não cai bem. “Ela fixa a gente neste lugar de sexualização do corpo da negra e contribui para o racismo”.  Já a expressão “meu nego” Djamila aprova e usa com os seus mais próximos. “É carinhoso, veja você tem que analisar o contexto”, explica.

Infância

Só presentear crianças com bonecas brancas também é um erro, segundo ela. Criada na cidade de Santos, em São Paulo, Djamila é filha de estivador. Na década de 80, seu pai teve que procurar muito, na cidade inteira, para encontrar uma boneca negra. A obstinação dele foi para amenizar o problema do racismo nas brincadeiras da filha com as outras crianças. Djamila era excluída por ser negra. Não podia ser a mãe na brincadeira porque a filha era representada por uma boneca branca. “É muito importante que a multiplicidade de etnias esteja presente na educação das crianças”, explica.  Caso contrário, o efeito é nefasto. “As negras aprendem a não gostar de si, do cabelo. Isso foi ensinado para nós. Então, foi um processo para muitas meninas negras se aceitarem”, alerta.

Polêmica

Questionada sobre se uma pessoa branca pedir educação sobre racismo para um negro também pode ser considerada uma atitude racista, Djamila contemporizou: “Depende, se todo mundo foi educado assim, sem informação correta, nós aprendemos a reproduzir por mais que a gente não se veja como racista. Por outro lado,  quem tem acesso à informação tem que buscar e não só ficar esperando que as vítimas do sistema de opressão peguem na mão o tempo todo e fiquem explicando as consequências básicas da escravidão ”. Cabe a cada um, portanto, questionar e buscar formas de superar em si mesmo, o preconceito. 

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