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Maior premiação da TV consolida a força do streaming, mas mantém a HBO no pedestal. Confira os destaques e todos os premiados da noite

A 71ª edição do Emmy foi uma das mais surpreendentes dos últimos anos com vitórias de concorrentes inesperados em muitas categorias. Foi também consagradora para “Game of Thrones” que se despediu com um merecido, ainda que contestado por muitos, triunfo como melhor série dramática. O arrasa-quarteirão da HBO ganhou 12 Emmys ao todo, ampliou seu recorde de maior vitoriosa da história da premiação e fechou sua trajetória com o quarto triunfo consecutivo entre as séries dramáticas.

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Reprodução/Instagram
O elenco de Game of Thrones curtiu bastante a noite do Emmy 2019

A série de D. B Weiss e David Benioff, no entanto, perdeu alguns prêmios que eram dados como certo no Emmy 2019. O mais surpreendente deles talvez tenha sido o de direção em série dramática. “GoT” concorria com três episódios, mas viu Jason Bateman prevalecer por seu trabalho em “Ozark”. O suspense dramático da Netflix impôs outra derrota à série da HBO na categoria de Atriz Coadjuvante. Julia Garner era a única concorrente que não integrava o elenco da série.

A HBO terminou com 34 prêmios no total, seguida por Netflix com 27 e Amazon com 15. O canal premium teve as séries mais premiadas da noite. Além de “GoT”, a minissérie “Chernobyl” faturou dez prêmios, inclusive o de melhor série limitada, em que a empresa media forças diretamente contra a Netflix, que tinha a badalada “When They See Us”.

A série mais premiada da Netflix foi “Love, Death and Robots”, que faturou cinco Emmys, todos na área técnica. Essa estatística ajuda a dar dimensão do domínio da HBO em relação à Netflix no conjunto da premiação. Os prêmios técnicos foram entregues no fim de semana passado.

Para incrementar ainda mais essa disputa concentrada, um cenário que deve ser inflacionado com a crescente batalha dos streamings, a Amazon mostrou sua força. Pelo segundo ano consecutivo a empresa de Jeff Bezos triunfou na categoria principal de comédia e com uma produção diferente. “Fleabag” e sua criadora, produtora, roteirista e protagonista Phoebe Waller-Bridge” foram a grande sensação da noite. A comédia faturou os principais prêmios da noite na ala das comédias, incluindo melhor série, direção, roteiro e atriz. Encerrou com seis troféus, enquanto “The Marvelous Mrs. Maisel”, vencedora em 2018, angariou 8.

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Reprodução/Twitter
Phoebe Waller-Bridge, a maior vencedora individual da noite viu sua "Fleabag" consagrada

As duas produções bancaram a gloriosa noite da Amazon, que ainda triunfou na categoria de Ator Coadjuvante em série limitada ou filme para TV com Ben Whishaw por “A Very English Scandal”.

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Um Emmy diferente

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Reprodução/Instagram
Billy Porter, em foto tirada antes da realização do Emmy: primeiro homem negro e gay a vencer como melhor ator dramático

Conhecida por ser extremamente tradicional e repetir vencedores com frequência, a Academia de Artes e Ciências da Televisão surpreendeu bastante em 2019. Com exceção de Peter Dinklage, que venceu pela quarta vez por sua interpretação de Tyrion em “Game of Thrones”, todos os vencedores nas categorias de atuação foram inéditos. Um feito e tanto no contexto histórico.

Billy Porter (“Pose”) se tornou o primeiro homem negro e gay a triunfar como melhor ator em série dramática. “Eu espero que você, menino negro, pobre e queer que esteja me assistindo saiba que nós podemos chegar lá”, disse emocionado. Jodie Comer não escondeu a surpresa e a emoção ao triunfar entre as atrizes dramáticas por "Killing Eve".

Phoebe Waller-Bridge, que sozinha ganhou três prêmios na noite, derrotou Julia Louis-Dreyfus por “Veep”. A eterna Elaine de “Seinfield” ganhara pelos cinco anos anteriores da produção e retornara para o ano final da série da HBO após vencer um câncer. Escolhas como essa demonstram que a Academia está mais consciente e corajosa.

O legado de “Game of Thrones”

Muitos desgostaram da vitória de “Game of Thrones” , que foi menos clamorosa do que se anunciava, mas ainda assim potente. O triunfo como melhor série dramática faz com que a produção repita “Breaking Bad”, outro fenômeno cultural a se despedir com vitória no Emmy, e se iguale a “Mad Men” e “The West Wing” com quatro triunfos consecutivos na categoria.

São estatísticas poderosas para aquela que já é a série mais vitoriosa da história da premiação. A produção da HBO, em escala e impacto cultural, é um feito tremendo e o prêmio ajuda a dimensionar isso. Havia outras boas opções na categoria, mas o gigantismo da produção de Weiss e Benioff, seus status cultural e a alta carga dramática deste último ciclo pediam a deferência nessa despedida. Não há que se desmerecer a opção da Academia em um dos anos em que o Emmy mais perto chegou da correção absoluta.

Vencedores do Emmy:

Melhor série dramática: "Game of Thrones"

Melhor comédia: "Fleabag"

Melhor ator de drama: Billy Porter, "Pose"

Melhor atriz drama: Jodie Comer, "Killing Eve"

Melhor ator de comédia: Bill Hader, "Barry"

Melhor atriz de comédia: Phoebe Waller-Bridge, "Fleabag"

Melhor ator coadjuvante de drama : Peter Dinklage, "Game of Thrones"

Melhor atriz coadjuvante de drama: Julia Garner, "Ozark"

Melhor ator de comédia: Tony Shalhoub, "The Marvelous Mrs. Maisel"

Melhor atriz de comédia: Alex Borstein, "The Marvelous Mrs. Maisel"

Melhor minissérie: "Chernobyl"

Melhor filme para TV : "Black Mirror: Bandersnatch"

Melhor ator de minissérie ou filme para TV : Jharrel Jerome, "When They See Us"

Melhor atriz de minissérie ou filme para TV : Michelle Williams, "Fosse/Verdon"

Melhor ator coadjuvante de minissérie ou filme para TV : Ben Whishaw, "A Very English Scandal"

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