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O pedido de liminar ao Supremo Tribunal Federal (STF) visa a suspensão da medida que permite suspender as obras vistas como "impróprias"

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro protocolou na noite do último sábado um pedido de liminar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a suspensão da medida que impedia o município do Rio de buscar e apreender obras expostas na Bienal do Livro por suposto conteúdo impróprio, sobretudo os de temática LGBT+.

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Reprodução/Instagram/@globoalt
Defensoria Pública do Rio age para tentar impedir censura em Bienal do Livro


O principal argumento dos defensores é o de que o Tribunal de Justiça do Rio usurpou a competência do STF ao derrubar a liminar, expedida ainda na sexta-feira pelo desembargador Heleno Ribeiro Pereira Nunes, que garantia a plena realização do evento.

De acordo com o documento, ao conceder a liminar, o magistrado exerceu “controle de constitucionalidade e fundamentou que o ato praticado pelo Município afronta, aparentemente, princípios constitucionais pertinentes à liberdade de expressão”.

Sendo assim, “a suspensão de segurança contra essa decisão deveria ter sido manejada perante o Supremo Tribunal Federal, órgão constitucionalmente incumbido da interpretação das normas da Carta Magna”. No entanto, a liminar foi cassada na tarde de sábado pelo presidente do próprio Tribunal de Justiça do Rio.

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Assinado pela Coordenação de Defesa dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes (Cdedica) e pelo Núcleo de Defesa dos Direitos Homoafetivos e Diversidade Sexual (Nudiversis), o documento ressalta a legitimidade da Defensoria na causa, já que a proteção integral às crianças e aos adolescentes é uma de suas funções institucionais típicas, bem como da população LGBT+ .

“O ato ilegal praticado pelo Município do Rio de Janeiro consiste em mais uma entre tantas outras condutas preconceituosas e discriminatórias diuturnamente dirigidas contra esse grupo, que, por isso, é considerado socialmente vulnerável, merecedor de proteção especial do Estado, tendo a Defensoria Pública se organizado especificamente para atender às suas necessidades, com a criação do Nudiversis”, destaca o documento.

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A Defensoria também denuncia a censura do livro que mostrava um beijo gay . “Considerando que o direito nacional reconhece o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e recentemente o STF criminalizou manifestações intolerantes à população LGBT+, manifestações de carinho e afeto são toleradas, lícitas e permitidas.” Os defensores lembram, ainda que todas as famílias: heterossexuais ou homossexuais, gozam de igual proteção estatal.

A Defensoria pediu urgência ao STF, já que a Bienal termina neste domingo.