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"Que responsabilidade. Estou entrando em um local novo", diz o ator que recentemente viveu o Peter Pan e pode ser o Bob Esponja em 2021

Depois de se despedir da Terra do Nunca, Mateus Ribeiro se prepara para outro grande desafio: viver o icônico Chaves em um musical inédito. Se antes ele precisou voar e fazer acrobacias na pele de Peter Pan, agora, o ator precisou extrair a essência de Roberto Gómez Bolaños, criador do “Chaves”, para conseguir apresentar ao público um tributo a obra desse grande nome do humor.

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Divulgação
Mateus Ribeiro fala do desafio de viver o Chaves em um musical inédito


“Que responsabilidade. Estou entrando em um local novo, fazendo um personagem que já existe. O Peter Pan também existe, mas não tem um ator específico que fez ele, é diferente do Chaves , que a voz, o jeito de andar, a aparência já estão no imaginário das pessoas”, fala Mateus em entrevista ao iG .

O ousado espetáculo “ Chaves – Um Tributo Musical ” estreia no próximo dia 23 de agosto, no Teatro Opus, em São Paulo. O detalhe é que essa é a primeira vez que um espetáculo desse tipo é licenciado pelo Grupo Chespirito e pelo SBT . Heriberto Lopez de Anda, que foi assistente do Bolaños por anos na direção do seriado, veio ao Brasil acompanhar o ensaio e gostou muito do que viu.

“O Heriberto já viu muitas montagens não autorizadas de ‘Chaves’ e disse que as pessoas sempre ficam fazendo imitações. Ele falou que nós pegamos a essência dos personagens e que estamos, literalmente, fazendo um tributo”, contou Mateus que também ouviu do diretor: “Acho que o Bolaños ficaria muito feliz em ver essa homenagem”.

Preparação e descobertas

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Divulgação/Rafael Beck
"Chaves – Um Tributo Musical" é uma homenagem a criação de Bolanõs

O “Chaves” possui um grande fã clube no Brasil e o protagonista do musical conversou muito com os fãs nesse processo. Além disso, assistiu a muitos episódios para conseguir captar os detalhes desse menino órfão. “O medo da reação do público existe, mas é uma mistura de coisas. Eu sempre fugi de personagens que já existiam porque eu não me considero um imitador, sempre preferi fazer personagens que eu pudesse criar”, confessa.

Entretanto Mateus foi convidado para fazer o teste e acabou cedendo. “O diferencial desse espetáculo é que somos todos atores, ninguém é imitador. Estamos entrando nesse universo e quem vier para assistir com a ideia de que é um tributo vai embarcar nesse espetáculo. Acho que as pessoas vão se surpreender de forma positiva.”

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Durante a pesquisa, Mateus descobriu um Chaves diferente do que ele via na tela do SBT . “Descobri tantas coisas simples, por exemplo, a bota que ele usa é grande porque ele ganhou do Seu Madruga, ele não mora no barril só se esconde lá e ele mexia tanto a mão porque o Bolaños sofreu um acidente do set, cortou a mão e precisava mexer como um exercício da fisioterapia”, comenta o ator.

Outro desafio foi a questão da música. Mateus focou na voz do dublador por ser mais conhecida do público brasileiro, mas o dublador não era um cantor e em um musical cantar bem é um requisito. “Tivemos uma preocupação de trazer qualidade na música sem deixar de lado as características do personagem. Preciso apresentar o Chaves cantando, mas sem desafinar”, fala aos risos. Vale ressaltar que o espetáculo é uma história inédita e não terá apenas cenas na vila.

Bob Esponja incerto

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Reprodução/Instagram/@mateusribeir0
Mateus Ribeiro pode viver Bob Esponja em musical previsto para 2021

Além de viver o menino que não queria crescer e o da vila mais famosa do país, Mateus foi anunciado como o protagonista do musical “ Bob Espoja ” – um recente espetáculo da Broadway que foi muito elogiado pela crítica internacional. “O Bob Esponja é muito incerto, ele está previsto para 2021. Não sei como será até lá, se eu realmente serei o Bob, vai depender de muitas questões”, afirma.

Com as mudanças na Lei de Incentivo à Cultura, montar espetáculos desse porte ficará cada vez mais complicado. “Rola um medo de toda a classe de como será no futuro, mas há uma esperança de que as coisas vão se ajeitar. A arte não precisa de muita coisa para existir, a gente pode parar de se apresentar em espetáculos dessa grandiosidade, mas vamos continuar nos apresentando. Quero muito fazer o Bob, espero que role”, enfatiza.

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O intérprete de Chaves sabe que está em um importante momento da carreira, mas diz que gosta de manter os pés no chão. “Não existe um lugar cômodo, a gente tem que sempre estar correndo atrás. Eu comecei sendo ator em Fortaleza com 10 anos, meu contato com o musical aconteceu em Brasília e descobri que eu poderia trabalhar com isso. Hoje eu tenho vontade de fazer audiovisual e sei que no momento certo vai acontecer.”