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Roberto Berliner se posicionou após a declaração de Jair Bolsonaro sobre sua produção. Presidente usou o filme para basear decisão de transferir o Conselho Superior de Cinema para a Casa Civil

O cineasta Roberto Berliner, produtor de "Bruna Surfistinha" (2011), respondeu à declaração do  presidente Jair Bolsonaro de que não pode "admitir que com dinheiro público se façam filmes (como esse)". A frase foi usada para basear a decisão desta quinta-feira (18) de transferir o Conselho Superior de Cinema , órgão encarregado de formular políticas para setor, para a Casa Civil.

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Divulgação
"Bruna Surfistinha": cena do filme com Deborah Secco

"Sou a favor da liberdade de expressão e me orgulho da liberdade desse trabalho", afirmou o diretor do filme "  Bruna Surfistinha  ", que também fez "Nise: O coração da loucura" (2015) e "A pessoa é para o que nasce" (2003). "Vou continuar lutando para falar de assuntos que me interessam, como prostituição e hipocrisia. É um filme muito bem-sucedido", concluiu.

O filme, estrelado por Deborah Secco  , conta a história real da ex-garota de programa que largou a família para se prostituir, relatando sua rotina num blog. O longa teve orçamento de cerca de R$ 4 milhões e utilizou recursos captados por meio da Lei do Audiovisual, mecanismo pelo qual empresas e pessoas podem financiar obras de cinema via renúncia fiscal.

Vista por 2,1 milhões de pessoas, tornou-se a maior bilheteria de 2011 e gerou renda de R$ 20 milhões. O filme ainda deu origem à série "Me chama de Bruna", da Fox  , também produzida por Berliner. A atração já se encaminha para a quarta temporada.

Nesta quinta-feira (18), ainda se referindo à produção, Bolsonaro afirmou não ser "contra essa ou aquela opção, mas o ativismo não podemos permitir, em respeito às famílias". Berliner disse achar "curiosa" o uso da palavra "ativismo". "A impressão que dá é que ele vai jogando os temas sem se aprofundar no assunto", completou o produtor. 

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À coluna do Lauro Jardim , o ex-ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, disse que a fala do presidente é "irresponsável e autoritária": "A RioFilme investiu R$ 750 mil neste projeto em 2011 e faturou R$ 1,1 milhão apenas na janela cinema. É um case de sucesso artístico e comercial do cinema brasileiro".

"Um filme significativo, que deveria ser reconhecido e valorizado. ‪O investimento em “Bruna Surfistinha” se justifica tanto do ponto-de-vista do desenvolvimento cultural e artístico quanto do ponto-de-vista do desenvolvimento econômico", disse Sá Leitão, hoje secretário de Cultura no governo de São Paulo.

No Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, "  Bruna Surfistinha  " levou os troféus de melhor atriz (Deborah Secco), melhor atriz coadjuvante (Drica Moraes) e melhor roteiro adaptado.