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Presidente criticou o uso de dinheiro público para filmes como "Bruna Surfistinha". Governo avalia mudar Ancine do Rio de Janeiro para Brasília

O presidente Jair Bolsonaro assinou na tarde desta quinta-feira (18), na cerimônia em comemoração aos 200 dias de governo,  um decreto transferindo o Conselho Superior do Cinema, complementar a Ancine, do Ministério da Cidadania para a Casa Civil . O conselho é responsável pela formulação da política nacional de audiovisual.

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Divulgação/Damasco Filmes
"Bruna Surfistinha", filme de 2011, foi criticado pelo Presidente ao defender transferência do Conselho Superior do Cinema para Casa Civil

Em seu discurso, Bolsonaro afirmou ainda que pretende transferir a sede da Agência Nacional do Cinema ( Ancine ) do Rio de Janeiro para Brasília. “Vamos trazer a Ancine para Brasília”. Enquanto assinava o decreto diante dos convidados, Bolsonaro havia comentado a transferência da sede, fora do microfone, e arrancando risadas na plateia: “Vou trazer a galera do Leblon pra Brasília”, declarou o presidente, também sorrindo.

Bolsonaro argumentou também que precisa fiscalizar os recursos distribuídos para a indústria cinematográfica. “Agora há pouco, o Osmar Terra (ministro da Cidadania)  e eu fomos para um canto e nos acertamos. Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá”, afirmou, mencionando a produção que conta a vida de uma ex-garota de programa. “Não somos contra essa ou aquela opção, mas o ativismo não podemos permitir, em respeito às famílias, uma coisa que mudou com a chegada do governo”.

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Bruna Surfistinha ”, que conta a história da garota de programa Rachel Pacheco, foi lançado em 2011, estrelado por Deborah Secco. O filme teve mais de 2 milhões de espectadores no cinema, número similar ao de “Tropa de Elite”.

O objetivo da transferência do conselho, segundo a Secretaria-Geral da Presidência, é "fortalecer a articulação e fomentar políticas públicas necessárias à implantação de empreendimentos estratégicos na formulação de diretrizes das ações governamentais relacionadas à área cinematográfica nacional".

O ministro da Cidadania, Osmar Terra , afirmou que a Ancine continua sob seu guarda-chuva, reforçando que apenas o Conselho será transferido para a Casa Civil.  Sobre a mudança de endereço da sede, Terra diz que "vai cumprir a legislação".

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“Pela lei, a direção da  Ancine  deveria ser aqui (em Brasília). Ela estava de forma inadequada no Rio de Janeiro. Vamos fazer um mutirão na área de cinema. Estamos com um cinema que não tem público. Gasta-se muito dinheiro e não tem público”, completou o Ministro.