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Jornalista participou de um debate da Flipei (Festa Literária Pirata das Editoras Independentes), onde chegou de lancha e escoltado por seguranças

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Foto: Daryan Dorneles.
Glenn Greenwald foi alvo de protestos em Paraty durante a Flip

O jornalista Glenn Greenwald afirmou nesta sexta-feira (12) que “a máscara de Sergio Moro caiu para sempre”. O fundador e editor do site The Intercept Brasil participou do debate “Os Desafios do Jornalismo em Tempos de Lava Jato” da Flipei (Festa Literária Pirata das Editoras Independentes). O site vem publicando reportagens a partir de conversas impróprias vazadas do celular do procurador da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol.

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O debate da Flipei aconteceu em um barco, onde Glenn Greenwald chegou de lancha e acompanhado por dois seguranças, de acordo com informações da Folha de S.Paulo . Ainda segundo o jornal, os organizadores do evento preferiram não transportar o jornalista por terra para evitar confrontos com manifestantes. Mesmo assim, a palestra foi  marcada por protestos de defensores do ministro Sergio Moro e da Operação Lava Jato .

No debate, Greenwald comentou a atuação de Moro como magistrado: “Todos nós sabemos que esse juiz tirou o candidato que a maioria dos brasileiros disse que queria como presidente. Eles o condenaram porque pensam que seus gestos são todos justificados, que estão acima da lei”, disse. “E ele não só fez isso como também foi responsável, em 2016, pelo impeachment da Dilma Roussef. E ele só conseguiu fazer isso porque ninguém o estava investigando”, completou.

Mesmo frente às ameaças, Greenwald, que nasceu nos Estados Unidos, afirmou que não vai deixar o país. “Sou casado com um brasileiro que eu amo mais do que tudo. Nós temos dois filhos brasileiros que adotamos. Posso sair do país a qualquer momento, só que eu não estou fazendo isso, nem vou fazer. Porque 15 anos atrás eu me apaixonei pelo Brasil”, explicou.

Mais tarde, Greenwald comentou no Twitter os protestos que aconteceram durante suas falas na Flipei. “Suas táticas são autoritárias e fascistas”, definiu. “A tentativa de parar o evento só o fortaleceu. Protestar é uma coisa, mas atirar fogos de uma multidão é baixo e primitivo. Mas todas essas táticas falharam. Não tenha medo das táticas primitivas de intimidação do movimento Bolsonaro. Enfrente e exija seus direitos políticos”, disse em uma segunda publicação.

A Flip se posicionou sobre o incidente por meio de nota, afirmando que “os organizadores da Festa Literária não se veem no papel de desautorizar manifestações que por ventura ocorram no seu território, contanto que as mesmas não contenham teor ofensivo ou discriminatório”.


Vazamentos

Greenwald também contou que ainda há muito mais vazamentos para serem divulgados. "Estamos muito mais perto do começo do que do final. Temos muito mais para revelar”, afirmou. Ele também comentou a atuação de outros veículos de imprensa no caso: “Quando perceberam a importância do material, todos os jornalistas do Brasil nos procuraram querendo trabalhar com a gente como parceiros. Todos, menos um: a Globo. Para os jornalistas da Globo, é um crime fazer jornalismo", avaliou.

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Glenn Greenwald disse acreditar que o conteúdo publicado pelo Intercept assusta as autoridades. "Acho que a coisa mais poderosa numa democracia é a informação e por isso eles têm tanto medo."