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Com questionamentos sobre autoconhecimento, a cantora fecha um ciclo de três discos sobre o mar. Adriana explica como foi o processo de criação e confessa que se "sentiu muito privilegiada de ter feito o álbum no seu tempo"

Na última sexta-feira (7), Adriana Calcanhotto lançou seu mais novo disco, “Margem”. Fechando uma trilogia de álbuns sobre o mar, que começou em 1998 com “Maritmo”. Em entrevista ao iG Gente , a cantora fala sobre como foi a produção do álbum.

Adriana Calcanhotto finaliza trilogia sobre o mar
Divulgação
Adriana Calcanhotto finaliza trilogia sobre o mar

Em uma conversa leve e repleta de momentos engraçados, Adriana Calcanhotto conta que foi durante a gravação de “Maré”, o segundo álbum da trilogia lançado em 2008, que surgiu a ideia para gravar o seu mais recente disco. “Foi na finalização do ‘Maré’ e durante o lançamento, quando ele de fato nasceu pro mundo, que começou a brotar o ' Margem ', e foi quando inclusive veio o nome. Vindo o nome, veio o disco”, conta.

Natural do Rio Grande do Sul, o vínculo com o mar ficou ainda mais nítido quando ela se mudou para o Rio de Janeiro e passou por diversos bairros da cidade, sempre tendo a natureza como uma extensão da sua casa. “Morei em vários bairros do Rio de Janeiro e quando eu voltei do Jardim Botânico, que é um bairro na mata, para Ipanema, que tinha o mar logo ali, alguma coisa modificou em mim, pra pensar no primeiro disco”, relembra.

 “Maré” nasceu em 2008 e foi ao perceber que tinha repertório para um segundo álbum, que decidiu transformar esse projeto sobre o mar em uma trilogia: “Eu pensei que de alguma maneira esse assunto não se esgota. Então eu fiz o segundo e estabeleci que fosse uma trilogia”.

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Adriana Calcanhotto revela que trabalhou durante 11 anos em seu novo disco
Divulgação
Adriana Calcanhotto revela que trabalhou durante 11 anos em seu novo disco

A produção do terceiro álbum da trilogia durou 11 anos, mas engana-se quem pensa que Adriana ficou trabalhando apenas nesse projeto. “Fiz todo o lançamento do ‘Maré’, toda turnê, fiz ‘O Micróbio do Samba’, fiz discos ao vivo, dei aula em Coimbra, fiz de tudo um pouco, mas sempre com o ‘Margem’ em paralelo com todas essas coisas”, explica.

A cantora também confessa que trabalhar dessa forma em um disco é um baita privilegio e revela que esse é um disco de camadas: “Pegava um pouquinho, trabalhava nas canções, deixava de cantar, ia e voltava várias vezes, e isso é uma coisa luxuosa de ter. Um conjunto de canções que você pode ir depurando, decantando e nesse nível de tempo. Acho que é por isso que ele tem só nove faixas, é bem enxuto. Porque na verdade ele tem camadas e camadas de tempo”.

Quando questionada sobre sua afinidade com o mar, Adriana revela que realmente tem algo bem forte e que decidiu fazer esses discos depois de pensar muito sobre o assunto e “sobre o estado dos oceanos pelo mundo”.

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As músicas

Capa do álbum
Reprodução/Instagram
Capa do álbum "Margem"

A primeira música leva o mesmo nome do disco e trata sobre autoconhecimento e como as pessoas se enxergam. A cantora revela que pensou nessa música “exatamente pelas questões de identidade”. “A gente tá muito acostumado a responder o ‘Quem sou eu?’ com coisas externas, como a profissão, com o nome, filiação, mas lá no fundo quando você vai descascando isso, qual é a resposta?”, argumenta. Quando questionada sobre ‘quem é Adriana Calcanhotto’, em meio a risadas ela fala que “ouvindo ‘Margem’ talvez tenha alguma pista”.

A sexta faixa do disco, O Príncipe do Mar, trata sobre como o mar é o céu e o castelo e a compositora explica que a música trata de um “surfista, que tá ali flanando sobre as ondas, coisa e tal, que dá uma ideia muito relaxada, mas é um negócio vigoroso, perigoso e cheio de adrenalina”.

Escrita por Péricles Cavalcante, essa era uma das canções destinadas ao álbum “Maré”, mas Adriana confessa que durante a gravação do segundo disco não ficou “muito contente” com o resultado final da música. “Eu acho que a canção é tão sutil, tão cheia de delicadezas, de imagem, que eu achei que minha gravação não estava legal”, explica o porquê de a música ter ficado de fora do segundo disco.

Preparação para o projeto

Adriana Calcanhotto revela que se sentiu privilegiada de ter feito o álbum no seu tempo
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Adriana Calcanhotto revela que se sentiu privilegiada de ter feito o álbum no seu tempo

Adriana revela que se sentiu muito privilegiada de ter feito o álbum no seu tempo e confessa que essa foi a primeira vez que ficou tanto tempo trabalhando em um projeto. “Como eu tive esse privilegio de não ter compromisso com isso, nem prazos, nem pressão, expectativa e nem nada dessas coisas, eu tirei proveito disso. É a primeira vez que me acontece de trabalhar nesse time e ao mesmo tempo fazer tanta coisa”, conta.

A cantora acredita que a sensação de dever cumprido tenha sido pela forma que ela realizou esse trabalho, além de ter a sensação de que seu disco passa a mensagem que deveria passar: “Tenho uma impressão que ele diz o que ele queria dizer. Não tem nada além, nada a mais. Enxuto mesmo. É um tipo de sensação que eu sempre persegui, mas eu vi que pra chegar nisso precisa de tempo”.

Com nove faixas, Calcanhotto acredita que diferente de “Maritmo” e “Maré”, o novo disco “já tinha um desenho mais definido” do que os outros dois. Ela também explica que isso só foi possível, pois houve um trabalho de anos: “Porque trabalhar tanto em muito tempo, fez com que eu chegasse ao estúdio só realizando ideias que eu já tinha”.

O lançamento desse álbum veio depois de muitos pedidos que ela recebeu durante outras turnês. “Eu fiquei vendo durante a turnê ‘A Mulher do Pau Brasil’ que era o pedido das pessoas que eu lançasse um disco de estúdio. Eram muitos pedidos e isso me ajudou a lançar. Então eu acho que estou atendendo o pedido dessas pessoas”.

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“Sou eu assim sem você”

Adriana Calcanhotto revela motivo de ter regravado música de Claudinho e Bochecha
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Adriana Calcanhotto revela motivo de ter regravado música de Claudinho e Bochecha

Todo mundo já ouviu a regravação da música de Claudinho e Bochecha na voz de Adriana. Quando questionada se faria novamente, ela não descartou a ideia, mas revelou o motivo que a levou para fazer a regravação: “Faria pelo motivo que fiz, que foi porque eu me apaixonei pela canção. Me apaixonei completamente, não conseguia parar de ouvir”.

A regravação do funk de Claudinho e Bochecha foi feita para um disco destinado às crianças. Adriana confessa que não pode deixar de cantar essa música em nenhuma apresentação e cita Portugal como exemplo: “Não posso ir a Portugal e não cantar essa música. Os idosos gostam, as crianças gostam, todo mundo gosta”.

Próximos projetos

Adriana Calcanhotto não dispensa ideia de fazer novos projetos sobre o mar
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Adriana Calcanhotto não dispensa ideia de fazer novos projetos sobre o mar

Mesmo finalizando a trilogia sobre o mar que começou há 21 anos, Adriana Calcanhotto não descarta a possibilidade de voltar a esse tema, mas também não pensa em se aventurar em mais uma trilogia. “Terminar a trilogia não impede que eu volte a falar desse tema. Eu não descarto a possibilidade de voltar ao tema do mar, mas fazer outra trilogia acho que não dá mais tempo”, explica. Adriana sai em turnê com novo álbum em agosto e vai passar por diversas cidades brasileiras.