Uma das principais apostas da Netflix para ser um novo hype em 2019 – foram preocupantemente poucos até o momento – “Dilema”, duvidosa tradução para “What/iF”, é uma decepção completa. A série criada por Mike Kelly reprisa precisamente os conflitos e estrutura narrativa de seu grande sucesso na TV, “Revenge” (2011 – 2015), mas com menos gosto e burilagem.

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Renée Zellweger em cena de Dilema, já em cartaz na Netflix
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Renée Zellweger em cena de Dilema, já em cartaz na Netflix

Renée Zellweger faz essa misteriosa e poderosa empresária, autora de best-sellers, que adora brincar com a vida das pessoas e “Dilema” adora sugerir que há reminiscências profundamente pessoais por trás de sua calculada interferência na vida de Lisa (Jane Levy) e Sean Donovan (Blake Jenner).

O ponto de partida da série é o suporte financeiro que Anne Montgomery (Zelweger) condiciona à startup de Lisa: uma noite com o marido dela. Há até uma bem-vinda referência a “Proposta Indecente” (1993), filme de Adrian Lyne em que Robert Redford oferece uma fortuna a Woody Harrelson e Demi Moore para passar a noite com ela. Falta, no entanto, qualidade ao roteiro da série para dar sustentação as poucas ideias que empresta de outras produções.

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Dilema
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Casal em meio a dilema moral: roteiro ruim não dá conta das ideias articuladas

À medida que a trama dessa primeira parte, constituída por dez episódios, avança, mais fica claro que o desejo de ofertar um hype é maior do que a preocupação com a qualidade do material e isso passa desde os coadjuvantes com seus conflitos incrivelmente rasos até a estruturação narrativa da série.

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Escorada em fórmulas, como produções como “How to Get Away With Murder”, para extrapolar o esquadro de “Revenge” , “Dilema” conta com uma Renée Zellweger devotada a um papel mais raso e unidimensional do que a atriz faz parecer e é apenas este o único elemento digno de maior celebração em torno da série.

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