Tamanho do texto

Bill Hader, protagonista de "Barry" fala sobre o sucesso da série da HBO, que mostra um assassino profissional que tenta mudar de ramo e virar ator

Melhor comédia de 2018 na TV americana, “Barry” já está de volta ao ar na HBO , nos domingos às 23h, com sua segunda temporada. Na trama, um assassino profissional vai fazer um serviço em Los Angeles e acaba tomando gosto por aulas de atuação.

Leia também: "McMafia", "Dietland" e "Barry" puxam lista das melhores séries lançadas em 2018

Barry
Divulgação
Segunda temporada de "Barry" ganha segunda temporada

Matriculado na turma de Gene Cousineau (o excelente Henry Winnkler), o protagonista tenta se conectar consigo mesmo e com outros. “Algo que é bem difícil”, observa Bill Hader , que dá vida a  Barry , em entrevista cedida com exclusividade ao  iG .

Leia também: Brasileiros fazem sucesso na Austrália com banda de rap

Durante toda a primeira temporada observamos o protagonista às voltas com a tentativa de se desvencilhar da figura de ser um assassino, “mas no fim do primeiro ciclo ele mata em seu próprio benefício. Não era um contrato. Então a questão que acompanha essa nova temporada é ‘eu posso mudar minha natureza?’”, observa Bill Hader destacando que não é uma questão que assole apenas seu personagem."É definitivamente um ano mais sombrio".

O ator acredita que seu personagem enxerga nas aulas de atuação uma maneira de se reconciliar consigo mesmo. “Olhe, eu tenho 40 anos e meus amigos também estão com essa idade e frequentemente nos pegamos fazendo as mesmas coisas que fazíamos aos 15. Você pode ter problemas com comida, bebida ou simplesmente mentir muito e pensa ‘eu já deveria ter superado essa fase antes’. Imagine o quão horrível se sua versão disso é matar pessoas”.

Encontrando Barry

Hader admite ter se surpreendido com o sucesso da série. Inclusive o Emmy de melhor ator em comédia que ganhou ano passado o pegou de surpresa. “Eu pensava que ia para Donald (Glover de “Atlanta”) ou Ted Danson (“The Good Place”)”.

Ele comenta que desistiu de tentar antecipar o que vai funcionar ou não junto ao público e a crítica e aponta alguns quadros do “Saturday Night Live” que desenvolvia com afeto e que flopavam, enquanto outros em que atuava sem grandes expectativas repercutiam tremendamente. “Hoje eu tento apenas me cercar de talentos, de pessoas mais criativas e inteligentes do que eu e fazer o melhor possível”.

No entanto, nas primeiras conversas com Alec Berg, o criador e showrunner da série, foi de Hader a sugestão decisiva para tornar a série tão elemental e singular. A ideia já era desenvolver um show ambientado em Los Angeles e com aulas de atuação, mas “faltava uma propulsão”, observa o ator. “Os shows que eu mais gosto, ‘Breaking Bad’, ‘The Sopranos,’Game of Thrones’, ‘The Americans’, todos têm personagens fascinantes, mas também algo pelo que esperar no futuro”.

Hader e Berg queriam isso, mas dentro de um contexto cômico. “E se ele fosse um assassino profissional”?, perguntou o ator para Berg que retrucou que não gostava da ideia por haver mais assassinos profissionais nos filmes do que na vida real. Mas Hader não se deu por vencido. “Mas e se fosse eu, o estranho Bill, mas como um assassino”. Berg gostou da ideia e viu que havia um poderoso elemento cômico ali.

Leia também: "Barry" desvenda a juventude de Barack Obama

Quem assiste a “ Barry ” sabe que a comédia se manifesta de maneira inteligente, difusa e frequentemente chocante, mas que o programa não deixa de ser sombrio e profundamente dramático de quando em quando, afinal, fala-se de um assassino profissional em crise existencial. “Esse é o prazer de fazer algo na HBO , você pode explorar as coisas”.