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Cantor lança “Não Sou Nenhum Roberto, Mas às Vezes Chego Perto” com músicas de Roberto Carlos nessa sexta-feira (19) e falou com o iG a respeito

Quem nunca ouviu uma canção de amor quando estava apaixonado, ou para curar um coração partido? Embora nem sempre tenham seu merecido reconhecimento, as músicas românticas fazem parte das nossas vidas. Estão nas novelas, nos casamentos, nascimentos e até na fossa. E se tem alguém que entende de músicas românticas esse alguém é Nando Reis.

músico nando reis
Jorge Bispo/Divulgação
Nando Reis retorna com novo disco cantando Roberto Carlos

O cantor de 56 anos, 37 deles de carreira, já fez todo tipo de música. Rock, pop, MPB e, claro, canções de amor. Luz dos Olhos , Por Onde Andei , Sou Dela e tantas outras faixas que embalaram histórias de amor saíram da mente de Nando Reis . “Acho essa ideia de que música romântica não é sofisticada uma estupidez”, afirma o cantor em uma conversa por telefone.

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Nando está promovendo seu novo disco, cheio de músicas de amor, mas nenhuma escrita por ele. “Não Sou Nenhum Roberto, Mas às Vezes Chego Perto”, lançado nesta sexta-feira (19) traz um repertório só com músicas de Roberto Carlos , a maioria escrita em parceria com Erasmo.  A ideia veio justamente das lembranças românticas e nostálgicas.

Dono de um sítio no interior de São Paulo, Nando viajava para a região com a esposa Vânia, com quem está desde 1985, enquanto ouvia parte da discografia de Roberto. “Tanto eu, como Vânia, como milhões de brasileiros da nossa geração fomos moldados emocionalmente ao som de Roberto”, comenta.

nando reis segurando um violao
Jorge Bispo/ Divulgação
Nando Reis

Mas algo mudou ao ouvir de novo as músicas, elas ganharam outro significado para Nando, como Você em Minha Vida . “Talvez nunca tivesse reparado nela”, confessa sobre a letra onde Roberto canta Você me mostrou o amanhecer de um lindo dia. Me fez feliz, me fez viver. Num mundo cheio de amor e de alegria. E me deixou no anoitecer .

Esse foi o start para que o músico começasse a brincar com a discografia do Rei. “Comecei a tocar no violão, fazer uma espécie de arranjo e fui tirando outras especialmente do disco de 78 que eu aprecio demais”, explica.

Isso aconteceu em 2016, e desde então a ideia de regravar Roberto se tornou um plano, que em 2019 finalmente se concretiza. Com 12 faixas, Nando optou por músicas menos reverenciadas do Rei, mas não menos potentes. Ele conta que não houve um critério específico para a escolha das músicas, mas que privilegiou faixas menos regravadas. A exceção seria Detalhes , que Roberto Carlos curiosamente não autorizou.

De Tanto Amor também foi cortada inicialmente, mas dessa vez Nando insistiu e fez Roberto reconsiderar: “essa música é uma pérola, uma obra-prima da tristeza, da despedida. Eu fico feliz que ele tenha reconsiderado”, se derrete. De fato, quando fala sobre música, Nando soa apaixonado, pela profissão, pelo ofício, pela ideia de ser transformado e transformar outras pessoas com sua melodia.

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Por onde andou

Seu último disco de estúdio é de 2016, “Jardim-Pomar”. De lá para cá, ele fez uma turnê ao lado de Gal Costa e Gilberto Gil e outra só com seu violão. “Penso que se reinventar e não se repetir é uma premissa do artista”, comenta.

Sua inquietação e sua vontade de estar perto do público fazem com que ele esteja sempre na estrada, fato que se repetirá com o novo trabalho. Logo ele volta com a turnê do novo disco, e já se mostra ansioso para saber a recepção do público. Mais do que cantar, Nando parece gostar de ver e sentir o público cantando com ele: “Eu gosto de falar com as pessoas”, confessa.

Apropriação

musico nando reis
Jorge Bispo/ Divulgação
Nando Reis

Além das faixas próprias, Nando é responsável pelos principais sucessos de Cássia Eller, como All Star e Segundo Sol . Nos Titãs, além dos vocais e das letras, ele assumia o contrabaixo. Solo, ele se divide entre guitarra e violão. “Meu trabalho, desde sempre, conjuga o fato de eu ser um instrumentista e nesse desenvolvimento do que é a minha sonoridade, as coisas estão todas interligadas”.

Mas como usar as características de criações próprias para músicas que já existem? A solução foi regravar as faixas seguindo o mesmo processo que ele faria se estivesse fazendo uma música nova. “Para cantar uma música é preciso ter o absoluto domínio não só das melodias, mas do que ela está dizendo”, acredita. “Eu não quis fazer um disco que subvertesse os arranjos originais, mas dar a minha voz a canções que eu gostava e me emocionavam”, completa.

As músicas são do Roberto, mas o disco é do Nando Reis. “Eu pretendo que esse seja um disco meu, que eu me aproprie”, explica. Tanto que nem todas as faixas são de autoria da dupla. “Eu quis gravar músicas que ele escolheu cantar e gravar justamente pela interpretação”. Ao se “apropriar” de Roberto, ele quer homenagear o Rei, ao mesmo tempo em que oferece ao público um novo significado para essas faixas, talvez como a ressignificação que ele encontrou na obra de Roberto e que o levaram ao novo álbum.

Essa não é a primeira vez, porém, que Nando grava o Rei. Em 1998 os Titãs lançaram É Preciso Saber Viver , que virou um dos maiores sucessos do disco “Volume Dois”. “Eu vivi durante um bom tempo envolvido com o que é essa musica”, conta. Agora, ele confessa que não vê a hora de cantar faixas do novo disco ao vivo: “Não estou em turnê para viver o que vivi com É Preciso Saber Viver ”, brinca.

Diferentemente de 98, agora ele tinha um disco todo para fazer, e pensou cada faixa para que elas funcionassem em conjunto. “Eu penso que um disco é uma espécie de viagem. O conjunto das músicas, a ordem, arranjos, eles emprestam sentidos e produzem um efeito diferente delas isoladamente. É uma espécie de equilíbrio”, comenta, mais uma vez apaixonado pelo trabalho.

Nando não nega que o novo projeto foi um desafio, mas, para ele, os desafios são necessários para sair da monotonia. Por isso, até a banda que uniu para essa gravação é diferente. “Uma das formas de quebrar a monotonia é fazer coisas diferentes, com pessoas diferentes”, confessa.

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O resultado disso é um trabalho extremamente apaixonado, tanto pelo artista que o originou, quanto pela ideia de falar de amor e cantar. Nando Reis não sabe se Roberto e Erasmo ouvirão seu trabalho, mas confessa que gostaria que sim: “gostaria que eles soubessem o quanto eu os admiro e a melhor forma de dizer isso foi no disco”.

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