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Prêmio tenta recuperar relevância em meio a profusão de premiações na temporada e audiência na TV. Para isso, conta com uma seleção de filmes que ensejam possibilidades entusiasmantes. Veja o que pode acontecer

A 91ª edição do Oscar, que acontece neste domingo (24) e tem transmissão na TV da TNT, a partir das 22h, e da Globo, após o “BBB 19”, promete emoções que há muito não se via premiação. A começar por uma ausência. Não há um apresentador oficial pela primeira vez desde 1989. Muito se comenta sobre Whoopie Goldberg, que já apresentou outras quatro vezes, ser uma surpresa. Mas é apenas um rumor.

Alfonso Cuarón dirige
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Alfonso Cuarón dirige "Roma", o filme que pode mudar o paradigma no Oscar

Fato é que o Oscar chega a 2019 com rupturas e conciliações em seu entorno. Depois de muitas polêmicas em relação à estrutura e ritmo da cerimônia, as respostas que faltam são sobre os filmes e caminhos escolhidos.

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Esta é a corrida mais aberta em pelo menos quinze anos para Melhor Filme. “Roma” e “Green Book”, por convenção e por polarizar alguns dos principais prêmios satélites, ostentam algum grau de favoritismo, mas não é possível descartar as vitórias de “A Favorita”, “Infiltrado na Klan” e “Pantera Negra”.  Apenas “Vice”, “Bohemian Rhapsody” e “Nasce uma Estrela” parecem não ter chances reais de vitória. Ainda assim, em um ano tão atípico, seria tolice descarta-los por completo.

Spike Lee: Será este o ano dele?
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Spike Lee: Será este o ano dele?

“Roma”, que tem dez indicações e lidera a corrida junto com “A Favorita”, é o filme da temporada sob muitos aspectos. Ganhou o festival de Veneza e encantou a crítica e muitos setores da indústria, além de alongar a boa fase dos cineastas mexicanos na Academia. Nos últimos seis anos produções dirigidas por eles foram protagonistas em cinco (“Gravidade” em 2014, “Birdman” em 2015, “O Regresso” em 2016 e “A Forma da Água” em 2018).

“Roma”, no entanto, é mexicano de verdade. Mas é também um filme da Netflix . O retorno de Alfonso Cuarón a suas raízes encantou, mas pode esbarrar na resistência ainda porosa de setores da Academia ao modelo de negócio da Netflix que desprestigia o lançamento em cinema.

É justamente essa a grande questão da temporada. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood está preparada para premiar pela primeira vez um filme não falado em inglês e que não foi produzido para o cinema? Seria a escolha mais progressista da história da instituição. Ainda que possível em vista da internacionalização e rejuvenescimento patrocinados nesses últimos anos, parece improvável em um sistema que conta com oito mil votantes e o voto preferencial (que considera a opção mais bem colocada se um filme não obtiver maioria formal).

Todos os principais candidatos contam com vantagens e desvantagens na disputa. Tanto em seu cerne narrativo, na disposição de indicações ou ainda pela performance no curso da temporada de premiações.

Se “Infiltrado na Klan” e “Vice” são os únicos que ostentam indicações em todas as categorias chave para construir uma vitória sólida em Melhor Filme, “Green Book” é o mais conciliador e fácil de se gostar entre os indicados. Já “Pantera Negra” é aquele que venceu o prêmio do Sindicato dos Atores, apoio que pode ser decisivo em um ano tão indefinido.

Cena de
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Cena de "Green Book": a opção confortável e conservadora para Melhor Filme

Contra “Green Book” pesa o fato de seu diretor, Peter Farrelly não estar indicado. Apenas outras quatro vezes um filme ganhou o prêmio principal nessas circunstâncias. “Argo” em 2013, “Asas”, na primeira edição do prêmio em 1929, “Grand Hotel”, em 1932, e “Conduzindo Miss Daisy” em 1990, produção que curiosamente enseja comparações com “Green Book”.

Esses dados demonstram que estatísticas e as tendências da temporada pouco induzem certezas em 2019. O que é muito bom para o Oscar enquanto premiação e enquanto programa de TV.

Baile de favoritos

Alfonso Cuarón é o grande favorito na categoria de direção. O mexicano, aliás, pode fazer muita história em 2019. Ele já fez com as indicações . Ele concorre em quatro categorias individualmente e ainda pode se tornar o primeiro a vencer o prêmio de Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro.

Quem o ameaça entre os diretores é mesmo Spike Lee, um injustiçado histórico que pode superar essa incômoda alcunha ao tornar-se  o primeiro negro a triunfar na categoria.

Christian Bale em cena de
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Christian Bale em cena de "Vice": até que ponto a política vai pesar nas escolhas?

Nas categorias de atuação, as mais bem encaminhadas são as de Atriz, que tem Glenn Close como favorita, e de ator Coadjuvante com Mahershala Ali liderando as apostas. Ele pode se tornar o segundo ator negro a ostentar dois Oscars. O Outro é Denzel Washington.

Já as disputas de Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante são mais complicadas de prever. Rami Malek, por “Bohemian Rhapsody” ostenta o favoritismo, mas Christian Bale (“Vice”) e Bradley Cooper (“Nasce uma Estrela”) são ameaças reais entre os atores. Se Regina King (“Se a Rua Beale Falasse”) é a favorita da crítica, a indústria parece mais inclinada a Rachel Weisz (“A Favorita”), o que pode abrir espaço para a vitória de Amy Adams (“Vice”), outra injustiçada histórica aqui em sua sexta indicação.

Um ano como nenhum outro

Se o cinema comercial é um dos destaques desta edição, é possível dizer que a política – há um filme mexicano, um que aponta o dedo para Trump e outro que ridiculariza o partido republicano – também faz parte da festa. A questão que permeia este Oscar de interesse é justamente como a Academia irá se posicionar em meio a tantas opções francamente empolgantes para observadores da indústria.