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Categoria teve alternância de favoritos durante a corrida pelo Oscar e se destaca por ter quatro interpretações de pessoas reais; entenda o páreo

Contra todos os prognósticos e com uma considerável torcida contra, o americano Rami Malek chega ao Oscar, que será realizado neste domingo (24) em Los Angeles, nos EUA, como o favorito absoluto na categoria de Melhor Ator. Ele venceu importantes prêmios considerados termômetros para a maior festa do cinema, entre eles o Bafta e o SAG, e superou Christian Bale na bolsa de apostas.

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Christian Bale, Bradley Cooper, Willem Dafoe, Rami Malek e Viggo Mortensen disputam o Oscar de Melhor Ator em 2019
Montagem/divulgação
Christian Bale, Bradley Cooper, Willem Dafoe, Rami Malek e Viggo Mortensen disputam o Oscar de Melhor Ator em 2019

Se Rami Malek tem a seu favor o apelo de Freddie Mercury, Christian Bale, o único já vitorioso em competição (ganhou em 2011 como coadjuvante por “O Vencedor”) tem a seu favor o fato de viver outra opulenta figura real, o ex-vice-presidente Dick Cheney e de ser o tipo de ator que desaparece completamente no papel; algo que Malek não necessariamente conseguiu fazer na pele de Mercury.

Bale e Malek concentraram a maioria dos prêmios em uma categoria que, no Oscar, costuma recompensar atores que vivem personalidades reais. Foram 11 nos últimos 15 anos, uma tendência que pode ser percebida como preguiçosa, mas que também se alinha ao esquematismo de “filme de Oscar” tão bem adornado por cinebiografias.

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Além de Bale e Malek, a categoria ostenta outras duas atuações inspiradas em figuras reais. Willem Dafoe obteve sua quarta nomeação, a segunda consecutiva, pelo papel de Vincent Van Gogh no filme “No Portal da Eternidade” e Viggo Mortensen concorre pela terceira vez pelo papel de Nick Vallelonga, um sujeito bem menos conhecido do que os outros três, mas que está no centro de um dos filmes mais comentados da temporada, “Green Book: O Guia”.

Bradley Cooper e Rami Malek no Bafta, realizado em 10 de fevereiro: mais uma vitória do segundo no caminho para o Oscar
Reprodução/Cosmopolitan
Bradley Cooper e Rami Malek no Bafta, realizado em 10 de fevereiro: mais uma vitória do segundo no caminho para o Oscar

Quem fecha a lista é Bradley Cooper , que é uma espécie de sensação nessa temporada do Oscar, por “Nasce uma Estrela”. O astro ficou de fora dos finalistas em direção, ele era tido como certo por esse debute no ofício, mas amealhou três indicações pelo filme. Além de disputar com sua interpretação, ele compete pelo roteiro adaptado e como produtor, na categoria de Melhor Filme.

Como intérprete, essa é quarta indicação de Cooper. Ele concorreu seguidamente entre os anos de 2013 e 2015 com “O Lado Bom da Vida”, “Trapaça” e “Sniper Americano”. Aqui ele defende não só o único personagem ficcional, como a melhor atuação destacada na categoria. Suas chances são bem remotas.  Ele pode se beneficiar de um raciocínio canhestro de compensação por sua esnobada em direção, algo que ajudou “Argo” a triunfar em 2013 após a esnobada de Ben Affleck como diretor.

Christian Bale em cena de
Divulgação
Christian Bale em cena de "Vice". É a quarta indicação do ator na década

Ajuda Cooper o fato dele ter recebido o apoio orgânico de muita gente na indústria, Malek ter sua candidatura questionada regularmente nas redes sociais e Bale já ter um Oscar. Não é muito para se apegar, mas é algo pelo que ter esperança até a abertura do envelope na noite de domingo.

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Fato é que 2019 ostenta uma das encarnações mais fracas da categoria e apenas Bale e Cooper apresentam performances que em outras temporadas seriam genuinamente consideradas para a disputa de Melhor Ator . Se optar por Malek, a escolha da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood será problematizada no curto prazo e dilatará essa percepção de um ano ruim no contexto histórico.