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Ator galês redirecionou sua carreira após abandonar o personagem em 2012 e tenta a primeira estatueta depois dessa mudança de rota. Saiba mais

Indicado pela quarta vez ao Oscar na década pelo papel de Dick Cheney em “Vice”, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (31), Christian Bale está soprando velinhas. O galês completa 45 anos nesta quarta-feira (30).

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Christian Bale em cena de
Divulgação
Christian Bale em cena de "Vice", que estreia nesta quinta-feira (31) nos cinemas

Filho de um piloto comercial e uma artista circense, Christian Bale começou cedo na profissão. Com apenas 12 anos estrelou “Império do Sol” (1987), de Steven Spielberg e impressionou. Produções como “Henrique V” (1990), de Kenneth Branagh, e “Extra! Extra!” (1992), da Disney, ajudaram a facilitar a transição de talento mirim para ator de verdade.

Em 1996 foi coadjuvante de Nicole Kidman em “Retrato de uma Mulher”, de Jane Campion e em 1998 voltou a causar sensação com “Velvet Goldmine”, de Todd Haynes, em que dividia a cena com outros jovens talentos britânicos como Ewan McGregor e Jonathan Rhys Meyers.

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O ano de 2000, no entanto, foi especial. Foi quando Bale mostrou que era um ator de verdade em “Psicpota Americano”, adaptação imaginativa e cheia de reflexões pertubadoras da obra de Bret Easton Ellis por Mary Harron, e que era uma opção viável para Hollywood com o vilão almofadinha de “Shaft”, refilmagem estrelada por Samuel L. Jackson.

Sua carreira ganharia novo status em 2005 quando fora escolhido por Chistopher Nolan para ser o novo Batman do cinema. Entre um filme e outro da trilogia do cavaleiro das trevas (2005-2012), o galês fez filmes tão distintos e significativos como “O Sobrevivente” (2006), “Não Estou Lá” (2007), “Os Indomáveis” (2007), “Inimigos Públicos” (2009) e “O Exterminador do Futuro: A Salvação” (2009).

Christian Bale e suas famosas e intensas transformações físicas
Montagem/divulgação
Christian Bale e suas famosas e intensas transformações físicas

Em 2011, por sua primeira colaboração com David O. Russell recebeu sua primeira indicação ao Oscar por “O Vencedor”. Premiado como coadjuvante, ele voltaria à disputa três anos depois com “Trapaça”, nova colaboração com Russell, mas dessa vez concorrendo a Melhor Ator.

Depois de Batman, o galês resolveu trabalhar com cineastas de prestígio e abraçar papéis grandiloquentes. Foi Moisés para Ridley Scott em “Exôdo: Deus e Reis” (2014) e agora é Dick Cheney , vice-presidente de Bush entre 2001 e 2008 em “Vice”. O filme marca sua segunda colaboração com Adam McKay. Pela primeira, “A Grande Aposta”, o ator também chegou ao Oscar há três anos entre os coadjuvantes.

O grande papel da sua carreira

Christian Bale caracterizado como Dick Cheney ao lado do verdadeiro Dick Cheney: transformação intensa e de dentro para fora
Divulgação
Christian Bale caracterizado como Dick Cheney ao lado do verdadeiro Dick Cheney: transformação intensa e de dentro para fora

O grande desafio que Bale vive atualmente é ofuscar o homem-morcego em sua filmografia. O galês não é estranho a profundas transformações físicas; quem não se lembra da excessiva magreza em “O Operário” (2004) ou da barriguinha sapiente de “Trapaça” (2013)? Mas “Vice” era um desafio de outra natureza.

Christian Bale com seu Oscar conquistado em 2011 por
reprodução/ABC
Christian Bale com seu Oscar conquistado em 2011 por "O Vencedor"

A obscura figura do ex-homem forte da Casa Branca de Bush exigiu uma entrega incomum na carreira do galês. Além do considerável ganho de peso e da maquiagem opulenta, o ator se viu diante de um personagem real e contemporâneo e na posição de emitir julgamentos a respeito de ações que ainda reverberam.

Cheney é um personagem trágico e cômico e transitar por esses registros exige grande capacidade dramática, intuição e sensibilidade.

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O olhar sobre essa figura tão cinética, bem como sobre a composição do ator, será muito mais criterioso e problematizante. Justamente por isso, Christian Bale alimenta altas expectativas para o trabalho. O segundo Oscar ajudaria a tornar a figura do homem-morcego mais distante e colocaria Cheney, e seu minucioso artesanato, em relevo em uma carreira cheia de ótimas escolhas.