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Estúdio reorganiza agenda de lançamentos e prioridades e investe em cineastas de visão para erguer um universo a sua imagem e semelhança

Quando Ben Affleck foi anunciado como Batman as reações foram intensas e divididas. A Warner tentava erigir o universo DC no cinema e administrar a tensão de seguir adiante com o morcego após a bem-sucedida trilogia de Christopher Nolan.

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The Joker, um dos lançamentos da Warner em 2019
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The Joker, um dos lançamentos da Warner em 2019

Quando Ben Affleck deixa de ser o Batman, após duas incursões nos filmes “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” (2016) e “Liga da Justiça” (2017) e uma ponta em “Esquadrão Suicida” (2016),  a Warner está tentando erigir um Universo DC, mas sem a preocupação de emular a Marvel e finalmente está escudada por um filme que rendeu mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias, “Aquaman”.

“The Batman”, que originalmente estava previsto para estrear em 2017, está em alongada fase de pré-produção e nesta semana foi anunciado, de maneira muito discreta e sem pompa oficial, que Affleck está se afastando do papel porque o estúdio e Matt Reeves, que assumiu há dois anos o comando do filme justamente no lugar de Affleck, estão em busca de um “ator mais jovem, mas conhecido” para interpretar um Bruce Wayne ainda jovem.

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Ben Affleck em cena de
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Ben Affleck em cena de "Liga da Justiça": Ele não chegou a viver o Batman em um filme solo

Paralelamente a isso, o estúdio anunciou um reboot do megahit, mas criticamente reprovado “Esquadrão Suicida”, com James Gunn no comando. Curiosamente, o primeiro filme, que é de 2016, foi pensado como uma resposta ao hit “Guardiões da Galáxia”, da rival Marvel, capitaneado por Gunn. O mundo realmente dá voltas. Além de “Aves de Rapina”, calcado na figura da Arlequina de Margot Robbie, que estreia em fevereiro de 2020, há ainda “DC Super Pets”, previsto para 2021, assim como “The Batman” e o novo “Esquadrão Suicida”.

Esse é o cronograma do estúdio para os personagens da DC. O filme do “Flash” segue em desenvolvimento, mas não há muito a respeito e os rumores de longas do “Lanterna Verde” seguem aquecidos. Não há nenhuma confirmação sobre a sequência de “Aquaman”, mas o novo “Mulher-Maravilha” chega em junho de 2020.

As perspectivas para o universo DC no cinema

Cena de Shazam!, que estreia em abril
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Cena de Shazam!, que estreia em abril

Desde que Geoff Johns deixou a presidência da DC Entertainment para virar produtor da Warner responsável pelos projetos da DC no estúdio as coisas parecem ter começado a andar. “Aquaman” foi o primeiro filme totalmente supervisionado por Johns. “Shazam!” e “The Joker” serão os próximos.

A primeira resolução de Johns foi pôr por terra a ideia de que a DC teria um universo compartilhado nos moldes do da Marvel. Os próximos filmes estão sendo desenvolvidos sem essa pressão.

Depois de “Liga da Justiça” ter se materializado em um fracasso, a atenção para com os principais personagens é maior. A ordem na Warner é não ter pressa e isso pode ser percebido pelo tempo de desenvolvimento de “The Batman”. O estúdio chegou a oferecer Superman para Gunn, mas a ideia não foi para frente. O personagem continua sem um norte no estúdio por ora e a relação com Henry Cavill também está azedada.

Cena de
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Cena de "Mulher-Maravilha 1984", sequência de "Mulher-Maravilha", que estreia em 2020

A recepção aos lançamentos de 2019, no entanto, deve influenciar nos planos de longo prazo do estúdio para com o personagem. Continuar apostando em personagens coadjuvantes das HQS e em projetos mais alternativos ou tentar reavivar o maior herói de todos?

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“Shazam!”, que é uma espécie se Superman adolescente, pode ser a resposta para os problemas da Warner /DC neste momento. O sucesso do filme protagonizado por Zachary Levi, que chega em abril, dará a tranquilidade necessária para o estúdio se planejar sem a percepção de que o sucesso de e a aceitação crítica de “Aquaman” foi um ponto fora da curva.