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Dupla participa de “Sueño Florianópolis”, da diretora argentina Ana Katz. Longa com Mercedes Morán se passa no litoral catarinense

Marco Ricca conhece de perto as dificuldades do cinema nacional. Em 2009 ele lançou “Cabeça a Prêmio”, sua estreia na direção, e por enquanto seu único filme por trás das câmeras. Mas, até que o filme chegasse aos cinemas ele dedicou quatro anos de sua vida exclusivamente para captar recursos e fazer seu projeto sair do papel.

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"Sueño Florianópolis"

Por isso ele compreendeu quando, depois de convidá-lo para participar de seu filme, a diretora argentina Ana Katz levou um tempo até que finalmente pudesse realiza-lo. “Os nossos cinemas são muito correlatos. A gente faz filme com pouco dinheiro e conta histórias particulares”, comenta Marco Ricca sobre as semelhanças entre o cinema argentino e brasileiro.

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Mas enfim chega às telonas “ Sueño Florianópolis ”, filme sobre uma família argentina em crise que vem passar férias no Brasil. Na cidade catarinense conhecem Marco (Ricca), dono de uma casa que aluga para temporadas, e Larissa ( Andréa Beltrão ), sua ex-mulher que tem um quiosque na praia.

Ambos ficaram encantados com a força do elenco argentino e as peculiaridades do cinema de Katz: “a Ana é uma cineasta muito incomum – tem takes contemplativos, mas preenchidos de emoção, memória”, ressalta Marco, lembrando que essas características também estão presentes no cinema nacional. Andréa Beltrão concorda: “Fiquei impressionada e comovida com o filme, que trata de lembranças, juventude, desejosos, sonhos, vazio e lida de uma maneira carinhosa e calma – sem se atropelar e sem se levar a sério”, completa a atriz.

A personagem de Andréa Beltrão é pequena e ela confessa que seu interesse maior era participar da produção e, principalmente, acompanhar o trabalho de Mercedes Morán, protagonista do longa: “foi impressionante ver como ela traz para tela com tanta simplicidade questões tão sofisticadas”, elogia.

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Brasileirinho

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"Sueño Florianópolis"

Marco confessa que o portunhol constante das gravações dava tontura às vezes, mas que não viu grande diferença das produções nacionais. “Uma vez eu vi uma entrevista do Wagner Moura ou do Rodrigo Santoro falando sobre a diferença do cinema brasileiro americano e a resposta era: dinheiro”, comenta.  

Mas seu personagem tem um jeito bem brasileiro de ser. Simpático e extrovertido, ele não tem tempo ruim e faz de tudo para agradar os inquilinos, às vezes até passando um pouco dos limites. Mas ele tem algo de bem brasileiro que é difícil de definir. “Ele é muito alegre e vive disso, precisa das pessoas, precisa ter essa alegria permanente. Mas a gente conhece muita gente assim, os argentinos também são assim, é uma coisa muito latina”, explica o ator.

Mas, por trás dessa simpatia, existe uma “carência masculina”, como o próprio ator define. Tanto Marco quanto Pedro (Gustavo Garzón), marido de Lucrécia (Morán) têm dificuldade de exprimir seus sentimentos, e acabam usando outros para fazer isso por eles, ou então acabam sendo grosseiros e arrogantes.

Se Morán é a estrela do filme, porém, a pequena participação de Beltrão como Larissa serve para fazer um contraponto da protagonista, inclusive mostrando que uma pode se tornar a outra no futuro. Por isso, é emblemático que elas tenham um breve momento juntas na hora da despedida. A vida de sonhos no paraíso de Lucrécia está prestes a se desfazer, enquanto continua para Larissa.

A parceria de Andréa Beltrão e Marco Ricca

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"Sueño Florianópolis"

Tanto Andréa como Ricca tem uma vasta carreira no cinema. Agora, eles emendam dois papeis onde vivem um casal. Além de “Florianópolis”, ambos estão gravando a série sobre Hebe Camargo, da qual Beltrão será protagonista e Ricca viverá seu último marido, Lélio Ravagnani.

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À amiga, Marco Ricca é só elogios: “uma das maiores do mundo”. Beltrão também elogiou o amigo e comentou que ele deu uma força para que ela conseguisse o papel em “Sueño Florianópolis”. Depois de passar por festivais, o filme estreia no Brasil nesta quinta-feira (15).

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