Tamanho do texto

Longa premiado em Cannes e que é destaque no Festival de Cinema do Rio promove fusão de gêneros e ri do status do maior astro do futebol mundial

Vencedor do Grande Prêmio da Semana da Crítica de Cannes em 2018 e com elogiosas participações nos festivais de Toronto, Nova York e Mostra de São Paulo, “Diamantino”, coprodução entre Brasil e Portugal é um filme totalmente diferente do que costuma ganhar os multiplexes.

Longa premiado em Cannes,
Divulgação
Longa premiado em Cannes, "Diamantino" é destaque no Festival de Cinema do Rio

Leia também: Mostra de SP e Festival do Rio apresentam cinema português revitalizado

“Diamantino”  traz o jogador de futebol que dá nome ao filme, vivido por Carlotto Cotta, no centro da história. Depois de ser responsabilizado por um dos maiores fracassos da história recente do futebol português, o jogador decide deixar os campos. Em crise, ele resolve fazer uma série de coisas em busca de um novo propósito na vida, entre elas, a adoção de um refugiado. Enquanto embarca nessa odisseia, as irmãs gêmeas do jogador tramam para continuarem lucrando às custas do seu talento nas quatro linhas.

O longa-metragem dirigido pelo português  Gabriel Abrantes  e pelo americano Daniel Schmidt está em cartaz no Festival do Rio e estreia nos cinemas portugueses no próximo dia 15. Ainda não há data oficial para o lançamento no Brasil. 

Fusão de gêneros

A fábula luso-brasileira
Divugação
A fábula luso-brasileira "Diamantino" brinca com uma fusão inusitada de gêneros

Gabriel Abrantes diz que a ideia para o longa já estava com ele e Daniel há algum tempo. Eles já tinham feito alguns curtas juntos e queriam fazer uma comédia romântica “que não fosse só uma comédia romântica”. De acordo com o cineasta, a ideia era fazer um filme de gênero, mas não só de um  gênero . “Queríamos reunir elementos de filmes de James Bond, ficção científica e romance”, observa em entrevista ao iG Gente .

Leia também: Filme brasileiro sobre cultura indígena ganha prêmio do júri em mostra de Cannes

O viés experimental do filme, ainda que tenha sido uma certeza desde muito cedo, gerou inseguranças nos realizadores. “Convivíamos com certa insegurança em todas as escolhas estéticas ou narrativas”.  Justamente por conta desse background, que a apreciação do que ele chama de “crítica clássica” está agradando. “Para te ser franco nós nem esperávamos que veículos como  The Hollywood Reporter  e  Variety  (dois dos principais veículos de mídia de entretenimento nos EUA) fossem nos notar”.

As críticas positivas trazem paz ao cineasta que confessa que o espírito satírico de programas como “South Park” foi uma inspiração. Assim como "filmes que foram incompreendidos em seus lançamentos”, como “To Be or Not To Be”, uma comédia satírica americana lançada em plena segunda guerra mundial e que o português confessa ser fã hadrcore.

Cristiano Ronaldo x "Diamantino"

A fábula luso-brasileira
Divulgação
A fábula luso-brasileira "Diamantino" foi construída sobre a sátira de Cristiano Ronaldo

O elemento que mais projeta interesse no filme de Gabriel e Daniel é o fato de Diamantino ser inspirado em Cristiano Ronaldo, “o maior ícone da história de Portugal”. Para Gabriel é essa comparação que viabiliza a sátira, mas é muito claro que o protagonista do filme “é outra criatura”. De todo modo, as referências divertem o espectador ocasional e especialmente quem acompanha com mais interesse o mundo febril das celebridades boleiras.

Leia também: Festival do Rio aposta em seleção brasileira de filmes com 84 produções em 2018

“Diamantino” é uma fábula que se pretende política, mas também metafísica. Há Brexit, Trump e refugiados, mas também cãozinhos peludos gigantes, gêmeas do mal e um vaidoso craque português milionário, virgem e muito burro. O resultado dessa simbiose nem sempre é funcional, mas é constantemente intrigante.    

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.