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Segundo especialista, gênero "está tímido, mas deve voltar logo"; Levantamento do iG Gente indica que fase dos músicos não está rendendo

Há um ano, Candy Mel, Davi Sabbag e Mateus Carrilho vinham a público fazer o anúncio que mudaria os rumos do tecnobrega no mercado musical. “A Banda Uó vai dar uma pausa, decidimos isso em coletivo”, anunciou a vocalista em comunicado divulgado nas redes sociais.

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Banda Uó
Reprodução / Instagram
Banda Uó

Durante toda sua carreira, o trio de tecnobrega lançou inúmeras faixas, algumas de alta repercussão e de forte penetração no mainstream, como, por exemplo, Faz Uó (4,3 Milhões), Shake de Amor (3 Milhões), Catraca (4,4 Milhões) e Tô Na Rua (2,4), que arrecadaram uma grande proporção de visualizações no Youtube.

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O cenário tecnobrega sem a Banda Uó 

Banda Uó
Reprodução / Instagram
Banda Uó

Um ano se passou desde outubro de 2017 e até agora nenhum artista do gênero nordestino dominou as paradas musicais com a mesma influência. Cantores como Pabllo Vittar, Jaloo e Aretuza Lovi até flertaram com o estilo, mas não o assumiram como o trio fez.

À reportagem o produtor musical Félix Robatto comentou: "realmente sinto falta de artistas nacionais nessa área. Gaby Amarantos ainda faz um som, só que antes estava aparecendo mais. Creio que hoje o mercado esteja mais engolido para esse estilo musical em nível nacional”.

Entre 2017 e 2018, Gaby Amarantos demonstrou timidez. A cantora lançou apenas duas músicas -  Eu Sou + EU (401 Mil) e Corpo Fechado (1 milhão) - ambas com repercussão frágil em comparação aos números do trio Uó.

Para o produtor experiente no gênero, a defasagem de artistas neste meio realmente existe, e o motivo da escassez é uma questão que compete às bandas, grupos e trios musicais e não ao ritmo originário do norte. "Conheço Gaby e sei que ela canta de tudo, o que pode ter acontecido com os demais grupos é que foi algo passageiro, uma experiência de momento".

Declínio do tecnobrega

Gaby Amarantos
Divulgação
Gaby Amarantos

Dissertando sobre como o universo musical costuma superfaturar as coisas, o produtor atribiu à mega exploração do gênero seu declínio nas paradas musicais em 2018. “Eles (indústria fonográfica) faturam o máximo com uma coisa, depois faturam o máximo com outra, isso pode ter sido um fator para o gênero estar mais tímido atualmente”.

Tendo como forte a cultura das festas de aparelhagem, Belém se tornou o berço do estilo musical que une o tecno ao brega. Questionado se o declínio do gênero afeta de alguma maneira o estilo musical em sua região natal, o produtor musical explicou: “De jeito nenhum, é um meio bastante fiel. Esse declínio afeta mais as bandas e os artistas. Aqui no norte o cenário é diferente pra caramba, chegando até ter cenários gigantes e futuristas nos shows”.

A fase individual da Banda Uó

Banda Uó
Reprodução / Instagram
Banda Uó

Neste hiato de 2017 a 2018, os integrantes do trio Uó concentraram-se de maneiras diferentes em suas carreiras solo. Davi Sabbag lançou Tenho Você (1 milhão) e  Seu Direito ,(100 mil), o que o firmou no páreo pop alternativo. Mais retraída, Candy Mel, lançou apenas O Cabelo (29 Mil) que teve pouca repercussão.

Enquanto isso, Mateus Carrilho continuou no brega. Responsável pelas canções Privê (5,1 milhões) e Não Nega (200 mil), os números do artista aguçam a possibilidade dele prospectar no gênero, já que após o fim do trio nenhum artista do estilo obteve tanto sucesso.

O público sente falta do tecnobrega?

Em sondagem realizada pelo iG Gente , os dados comprovaram os argumentos de Félix, mostrando que o gênero musical vive um tempo mais comedido e com poucos representantes de influência nacional.  A apuração ainda afirmou que os artistas que vêm flertando com o estilo musical não vêm tendo uma boa recepção no mercado musical. Já ao serem questionados sobre o gosto pela Banda Uó, a maioria das pessoas se posicionaram positivamente. No entanto, a minoria continua acompanhando a carreira solo dos músicos. O levantamento foi feito com 50 internautas de diferentes pontos do País.

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Diferenciando o brega de aparelhagem tocado no norte do Brasil do tecnobrega , Félix Robatto afirma que a cultura paraense foi bem representada pelo estilo musical até o momento e com tom esperançoso afirma que "uma hora ele volta de novo" às paradas.

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