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Com trinta e seis anos de carreira, a banda está lançando o seu novo álbum de trabalho "Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock" em meio à quente polarização política, defendendo a liberdade e o não julgamento do silêncio

Lançando seu novo álbum de trabalho após quatro anos, " Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock ", a banda Titãs apresenta um experimento totalmente novo tanto para a banda como também para os fãs. O formato de ópera rock é um projeto dos músicos que navega contra a maré de lançamento de músicas feitas especialmente para as plataformas de streaming, além de tratar de temas relevantes para a sociedade, reafirmando a essência do poder do rock and roll. 

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Banda Titãs lança novo álbum “Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock
Reprodução/Instagram
Banda Titãs lança novo álbum “Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock" e fala sobre polarização política no Brasil em meio as eleições


A longevidade da banda Titãs - que alcança trinta e seis anos de carreira - se dá por canções fortes que transparecem a essência do rock e da banda, formada na cidade de pedra em 1982, quando a Ditadura Militar estava sofrendo com os fortes movimentos de represália e caminhando para o seu fim. Coincidentemente, a banda formada por Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto está vivendo novamente um período político tenso e polarizado.

Através dos perfils nas redes sociais, diversos artistas tem se manifestado sobre o atual cenário que o País está vivendo, entretanto, não se posicionar também tem sido considerado por muitos algo negativo, mas que no pensamento de Sérgio, também é um direito. 

Sérgio Britto e Tony Bellotto da banda Titãs
Reprodução/Instagram
Sérgio Britto e Tony Bellotto da banda Titãs

"Eu acho uma opinião errada e tem certa arrogância nesse tipo de colocação, de achar que entende a posição do outro pelo outro, porque como você pode falar pelo outro? Você fala a sua visão do outro, mas o outro pode ser que tenha uma colocação diferente, mais pontual, mais complexa".

Em complemento, ele faz ressalvas e diz que quem não tem desejo de se pronunciar sobre ambos os lados não "deve ser chamado de ignorante e nem ser acusado moralmente como se isso fosse uma falha moral", diz um dos músicos da banda Titãs.

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Tony também concorda com o pensamento do parceiro de banda. "Quem quiser se manifestar deve e pode se manifestar, é ótimo, e quem não quiser não deve ser patrulhado por isso de maneira nenhuma. Se a gente é uma democracia e é um lugar de liberdade, não há que ter um julgamento de quem faz isso ou aquilo, tudo é direito", expõe. 

Banda Titãs defende a manutenção da democracia 

Sobre a banda tornar público o seu pensamento político, Sérgio ressalta que deve ser algo mais individual, com Branco relembrando que a banda Titãs em outros momentos já foi engajada em propagandas políticas.

"Eu acho que para quem conhece a nossa história, por exemplo, não cabe uma cobrança nesse nível, entre nós, discutimos sobre isso há anos. Nós já tivemos posicionamento como banda e até fazer campanha para um candidato ou para outro. Acho que isso faz parte, mas isso não pode ser uma regra, não acho certo", observa. 

Banda Titãs fala sobre liberdade de expressão e também do silêncio em meio a polarização política
Reprodução/Instagram
Banda Titãs fala sobre liberdade de expressão e também do silêncio em meio a polarização política






Citando a frase 'Discordo do que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo', do pensador francês Voltaire, Tony defende acima de tudo a manutenção democrática da liberdade de expressão seja qual for o tema, com Branco acentuando que o julgamento parante a sua posição ou silêncio não é válido. 

Tony Bellotto e Branco Mello, integrantes da banda Titãs, defendem liberdade de expressão e a manutenção pela democracia
Reprodução/Intagram
Tony Bellotto e Branco Mello, integrantes da banda Titãs, defendem liberdade de expressão e a manutenção pela democracia

"Eu acho que tem uma coisa que não é legal, na minha opinião, são esses julgamentos. Primeiro, democracia , você é um cidadão antes de mais nada, você não é um partido ou uma corporação. Eu me coloco como cidadão, o cidadão tem liberdade para se expressar ou não o que ele quiser", completa Branco. 

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Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock

A abertura para projetos novos que saem da zona de conforto - como o novo álbum "Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock" com vinte e cinco canções inéditas, e a cumplicidade dos músicos são pontos ressaltados pelos três integrantes da banda Titãs como um dos pilares da prolongação do grupo. "O que tem é um princípio do que 'o que importa é a banda', você manter a cumplicidade e que o trabalho que você faz seja sempre estimulante", conta Sérgio.

Ele diz que o que funcionou para a banda é não permitir "cair na repetição", cuidando para não se tornar uma coisa burocrática, "porque a relação com arte e burocracia é muito frustrante". "Eu acho que isso nos manteve unidos independente de fracasso, sucesso e tudo mais. Eu acho que é um ingrediente forte", completa. 

Banda Titãs apresenta seu novo álbum de trabalho
Reprodução/Instagram
Banda Titãs apresenta seu novo álbum de trabalho "Doze Flores Amarelas - A Ópera Rock"


Inspirados em outras óperas rock referências como “Tommy” (The Who), “The Wall” (Pink Floyd) e “American Idiot” (Green Day), estar em um palco e trabalhar juntamente com uma narrativa dramaturgica e musical foi um fato inédito para a banda, que sempre trabalhou gravando discos em estúdio ou ao vivo, se diferenciando um pouco no projeto acústico quando teve a presença de uma orquestra. 

A escolha do nome do álbum com a canção Doze Flores Amarelas se deu pelo fato que ela tinha uma das letras mais fortes, além de ser um dos momentos mais cruciais durante a narrativa. Outra canção resistente é a Me Estuprem , que tem uma crítica à cultura do estrupo e a sociedade machista, mas que segundo Tony, a banda "não quis se apoderar de um discurso das mulheres", mas falar desse tema, além de outras coisas como a relação dos jovens com drogas, o hedonismo da juventude e conflito dos jovens com os pais. 

Sustentação do poder do rock! 

Forte referência dentro do rock, a banda que também já teve em sua formação outros músicos de peso como Paulo Miklos, Arnaldo Antunes e Nando Reis, surpreende com longevidade musical em alto nível, que vem desde o lançamento do primeiro disco em 1984, "Titãs", passando por "Cabeça Dinossauro", lançado em 1986 e relançado em 2012, "Domingo" (1995), "Sacos Plásticos" (2009), "Nheengatu" (2014) e agora com "Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock". 

Formação da banda Titãs com Branco Mello, Sérgio Britto, Tony Bellotto, Arnaldo Antunes, Nando Reis e Paulo Miklos
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Formação da banda Titãs com Branco Mello, Sérgio Britto, Tony Bellotto, Arnaldo Antunes, Nando Reis e Paulo Miklos


Sobre o atual cenário do rock, Tony diz que o gênero deixou de ser a única referência quando o assunto é música de protesto comparado há vinte ou trinta anos, mas expondo que outras bandas ainda se propõe a ser referência e outros gêneros musicais estão ganhando força, como por exemplo o rap. Entretanto, dois nomes fortes do gênero, Nick Cave e Roger Waters, ex-Pink Floyd, exerceram sua liberdade de expressão e resistência ao protestar recentemente contra o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) em seus show no Brasil, aderindo ao movimento #ELENÃO. 

Questionandos sobre a posição da banda perante os atos, Tony disse que os anos de luta pela liberdade não foram em vão e é preciso manter o direito tanto do artista como também do público em se manidestar, já que estamos em um País democrático. 

Sobre o impacto sob o rock em um eventual governo do candidato do PSL para os próximos quatro anos, Sérgio ressalva que não é possível prever o futuro. 

Banda Titãs lança novo álbum de trabalho
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Banda Titãs lança novo álbum de trabalho "Doze Flores Amarelas - A Ópera Rock"

"Eu não tenho bola de cristal, não posso dizer. Mas por exemplo, nesses últimos anos, se assistiu a decaída total do rock, então não sei se isso tem haver exatamente com isso. Tem banda e artistas geniais que surgiam durante a Ditatura Militar. Eu não sei se essas coisas são tão simples assim", fala. 

Já para Tony, "se não houver nenhuma quebra da democracia ou da Constituição, as coisas vão rolar tanto num governo como no outro e vão rolar como sempre rolaram", relembrando que a banda esteve presente nos governos dos presidentes Sarney, Collor (Itamar), Fernando Henrique e Lula. 

Músicos da banda Titãs expõem sua opinião sobre um eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL)
Reprodução/Instagram
Músicos da banda Titãs expõem sua opinião sobre um eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL)


"Eu acho que o rock sobrevive em todos os lugares, em todos os lugares do mundo tem banda de rock. É claro que nas democracias ele floresce melhor, o rock também é uma afirmação da liberdade. Mas a gente quer crer que qualquer que seja o candidato que ganhe, o Brasil vai se manter uma democracia dentro das regras da Constituição", por fim, Branco completa. "Eu acho que precisa ter muita atenção, precisa ficar muito ligado", finaliza o integrante da banda Titãs

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