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Longa que terá 100% de sua renda convertida a organizações que apoiam o combate ao câncer infantil estreia neste fim de semana no Brasil

Está em cartaz nos cinemas brasileiros desde quinta-feira (27), o filme “O que de Verdade Importa”, uma das 13 estreias programadas para este último e concorrido final de semana de setembro. O filme, no entanto, reúne predicados que o distinguem na briga de foice pelo interesse do público. 

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Cena de O que de Verdade Importa: uma história de amor pleno e universal
Divulgação
Cena de O que de Verdade Importa: uma história de amor pleno e universal

"O Que de Verdade Importa" pode não ter o hype de "Um Pequeno Favor", o noir pós-moderno estrelado por Blake Lively e Anna Kendrick, ou sintetizar a extraordinária história de um campeõ de boxe nacional como "10 Segundos para Vencer", mas só ele terá sua renda 100% convertida para sete organizações brasileiras que apoiam o combate ao câncer infantil. Em meio a tantos filmes com mensagens, não há como negar que a do filme dirigido por Paco Arango é poderosa.

O diretor espanhol, em papo com o iG Gente, credita a ideia do filme - e de seu ativismo - a seu trabalho voluntário junto a crianças com câncer na Espanha. "Eu perdi mais de 400 crianças", expressa com pesar quase palpável o cineasta ao justificar o por quê do empenho não só em fazer um filme totalmente independente, mas promovê-lo com garra e afinco pelo mundo. 

Antes do Brasil, o filme foi lançado na Espanha, México, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Panamá e Colômbia, acumulando cerca de US$ 10 milhões. Pouco depois de visitar São Paulo e Rio de Janeiro, no começo de setembro, Paco se deslocou para promover o longa em Nova York. Ele admite que sempre teve um bom padrão de vida e o que mais impressiona em seu relato é como isso ganha dimensão secundária em meio a toda a exposição sobre seu trabalho voluntário.

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O que importa de verdade

O que de Verdade Importa também tem romance
Divulgação
O que de Verdade Importa também tem romance

Paco não é um Martin Scorsese ou um Brian de Palma, que dominam a gramática cinematográfica e cuja imaginação a leva adiante, mas ostenta a mesma honestidade e devoção à arte que elegeu em conconância com esses grandes mestres. "Precisamos falar de fé em um nível de amor, de coração", observa; e seu filme é justamente sobre isso.

O engenheiro Alec Bailey (Oliver Jackson-Cohen) mora em Londres e tenta, sem muito êxito, ganhar a vida consertando eletrodomésticos, mas sua situação financeira está cada vez pior. Ele então é convencido por um tio que sequer sabia que existia, vivido pelo sempre aprazível Jonathan Pryce, a mudar para uma pequena cidade na Nova Escócia, no Canadá. Há uma série de termos e condições atreladas à proposta desse tio e elas carregam parte do humor manso e inofensivo do filme. 

Paco quer falar de redenção, amor - no sentido mais amplo e plural possível-, e fé e para isso elege um protagonista que, embora carismático e charmoso, não é do tipo que o espectador abraça de cara. 

À medida que o filme avança, vemos aflorar os verdadeiros conflitos de Alec - e do filme - com a chegada de uma encantadora menina com câncer. "Eu não queria evangelizar", diz o diretor sobre o tom e a narrativa de seu filme, "já vi muitas coisas horríveis nos hospitais, mas já vi muitos milagres também".  

O filme é dedicado a Paul Newman, que também fez um largo e pouco conhecido trabalho voluntário junto a crianças com câncer; o que, na visão de Paco, o habilita a ser chamado de healer (nome original da obra), ou "curandeiro", como arrisca em desastrado português. 

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"Todos merecem uma segunda chance", diz o cineasta sobre seu protagonista. Com a preocupação de ser o filme mais inclusivo entre todos os que estão em cartaz no Brasil, o filme é distribuído pela Anagrama Filmes com cópias com audiodescrição, legendas descritivas e LIBRAS, "O Que de Verdade Importa" merece uma chance. Mesmo que não seja neste final de semana. 

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