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4º filme da série "Uma Noite de Crime" é o mais político de todos e mostra como a violência pode ser o código de linguagem mais equivocado de todos

Quarto filme de uma série tão inusitada quanto prolífera, “A Primeira Noite de Crime” se firma como o mais politizado da franquia  "Uma Noite de Crime"– e o mais estridente também.

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Cena de A Primeira Noite de Crime: inversão de valores entre Estado e Estado paralelo
Divulgação
Cena de A Primeira Noite de Crime: inversão de valores entre Estado e Estado paralelo

Protagonizado por um negro, o ator Y´lan Noel da série da HBO “Insecure”, e ambientado no condado de Staten Island em Nova York, o filme tem um ponto de vista duro e que vai ao encontro do sentimento anti-Trump que toma grande parte dos EUA de hoje. “A Primeira Noite de Crime” mostra como o ambiente de crise econômica favoreceu o teste do expurgo, realizado em Nova York e como as minorias estavam no centro das atenções.

O filme acerta ao colocar um gangster, um traficante que precisa proteger seu território e seu produto, no centro da ação. Acerta em fazer de Dimitri (Noel) também o eixo moral do longa-metragem, deixando o público em uma posição desconfortável. Afinal de contas, o personagem não é fácil para se torcer.

Ainda que haja muitas simplificações narrativas e conceituais no filme, seu esforço para se cristalizar em um entretenimento mais poroso do que a mera e barulhenta violência gráfica e catártica é louvável.

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Ponta de luxo em “A Primeira Noite de Crime”

Maria Tomei, à direita, em A Primeira Noite de Crime: o inferno das boas intenções
Divulgação
Maria Tomei, à direita, em A Primeira Noite de Crime: o inferno das boas intenções

A previsibilidade do filme, assim como seu pudor em abraçar uma violência realmente chocante – a despeito da classificação indicativa para maiores de 18 anos no Brasil – não incomodam e o longa-metragem flui bem ao longo de sua hora e meia.

James DeMonaco, idealizador da franquia e diretor dos três primeiros filmes, aqui atua apenas como roteirista e produtor, deixando a direção a cargo de Gerard McMurray que faz bem o básico.

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O elenco é majoritariamente de rostos desconhecidos, mas chama a atenção a presença da sempre ótima, e frequentemente subestimada, Marisa Tomei na pele da psicóloga que abaliza o expurgo enquanto experimento e percebe em algum momento que teorias e práticas podem ser incomunicáveis e que a política tem sempre uma agenda distinta da ciência. O fato de pairar sobre o rosto mais conhecido do elenco de “A Primeira Noite de Crime” essa dura verdade é o mais subversivo que o filme se permite ser. Mas com a melhor das intenções.

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