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A plataforma de streaming foi criticada por diversas instituições que consideraram que o prêmio deveria ser entregue para uma produção "acessível a todos e não a assinantes da plataforma"; veja o comunicado

O 75ª Festival Internacional de Cinema de Veneza chegou ao fim no último sábado (08), sendo marcado por críticas ao premiar a produção da Netflix , do diretor mexicano Alfonso, " Roma ", com o Leão de Ouro. O longa-metragem premiado no Festival de Veneza foi filmado em preto e branco e falado em espanhol, retratando as memórias de infância do diretor na Cidade do México no começo dos anos 70.

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Cena do filme
Divulgação
Cena do filme "Roma", vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza


A Associação Nacional de Autores Cinematográficos (Anac), a Federação Italiana de Cinema de Ensaio (FICE) e a Associação Católica de Cinema (Acec) disseram ser “iníquo” que o maior prêmio do Festival de Veneza seja “um veículo de marketing da plataforma Netflix”, a qual “coloca em dificuldade o sistema de salas de cinema”. Foi a primeira vez que uma produção da plataforma ganhou a estatueta. 

Alfonso Cuarón, ganhador do Leão de Ouro, no Festival de Veneza, com seu filme
Reprodução
Alfonso Cuarón, ganhador do Leão de Ouro, no Festival de Veneza, com seu filme "Roma"

Seguindo o comunicado, as instituições disseram que que o filme premiado deveria ser uma produção “acessível a todos, e não a assinantes da plataforma”. “O Leão de Ouro, símbolo da Mostra Internacional de Arte Cinematográfica sempre financiada por recursos públicos, é um patrimônio dos espectadores italianos: o filme deveria estar acessível a todos, nas salas de cinema, e não exclusivamente aos assinantes da plataforma americana”, criticaram as associações.

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Seguindo rejeitando explicitamente a escolha da empresa para concorrer a premiação. “Rejeitamos a escolha de ter inserido no concurso de Veneza alguns filmes não destinados à exibição em sala, diversamente do que fora decidido pelo Festival de Cannes”, ressaltou o comunicado.

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Guillermo del Toro foi presidente do júri no Festival de Veneza
Steve Granitz/WireImage
Guillermo del Toro foi presidente do júri no Festival de Veneza

A nota, porém, demonstrou “pleno respeito” ao júri presidido pelo diretor mexicano Guillermo del Toro e pela qualidade do filme “Roma”. Em entrevista a Variety, poucos dias antes do Festival, o diretor premiado por "A Forma da Água", falou sobre a participação das operadoras, dizendo que "os filmes devem ser julgado por sua qualidade narrativa e cinematográfica, e não pelo método que ele é difundido ou consumido". 

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Por fim, as associações deixaram claro que pedirão para o diretor artístico do Festival, Alberto Barbera, e para o Ministério da Cultura da Itália revisarem as regras para a próxima edição do evento. Porém, Barbera e o presidente da Bienal de Veneza, Paolo Baratta, defenderam a estatueta ao filme “Roma”.

“Toda a eventual polêmica sobre essa vitória é efeito de uma nostalgia que não se mede com a realidade do Netflix, a plataforma mais importante. O futuro será entre as salas de cinema e essa nova realidade streaming”, disse Barbera. “Defender o passado hoje significa somente perder oportunidades”, completou Baratta, sobre a premiação no Festival de Veneza

*Confirmações da Angência ANSA

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