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Público dos artistas nacionais aumenta em 2018 e há figuras como o DJ Alok que disputou atenção do público com os badalados californianos do RHCP

A música brasileira recebeu o Lollapalooza 2018 de luto. Nas vésperas do evento, o produtor musical Carlos Eduardo Miranda, conhecido por pelo seu trabalho com a banda Skank, O Rappa e também pela sua participação no movimento manguebeat nos anos 1990 morreu aos 56 anos de um mal súbito. O acontecido reverberou logo nas primeiras horas de show da sexta-feira (23), com a banda de rock cearense Selvagens à Procura de Lei, dedicando o seu sucesso  Despedida  ao produtor. O grupo foi um dos primeiros a se apresentar no Palco Budweiser, logo após a banda “Nem Liminha Ouviu”. Ainda com um público modesto, a banda fez o festival tremer com hits como  Brasileiro  e  Tarde Livre  anunciado que a cena da música brasileira estava com força.

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Artistas nacionais tiveram muito público nos dois primeiros dias de Lollapalooza Brasil
Flickr/Lollapalooza
Artistas nacionais tiveram muito público nos dois primeiros dias de Lollapalooza Brasil

A energia nacional, entretanto, não sumiu com o sol que se escondia atrás das nuvens no céu do  Lollapalooza . Depois das apresentações de Plutão Já Foi Planeta, a banda Vanguart retomava os holofotes para si em mais uma apresentação no festival, apresentando “Beijo Estranho”, o mais recente álbum da banda que mostra uma reinvenção de si mesmos. O rap depois foi o protagonista do evento, ganhando força durante o show de Rincon Sapiência no palco Budwiser. O músico, dono do hit  Ponta de Lança (Verso Livre) , uniu um público que carregava camisetas das mais diferentes bandas mostrando que o interesse no rap nacional é quase uma unanimidade.

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Com um show político e repleto de manifestações, Rincon homenageou a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada na semana anterior. Além disso, o rapper trouxe ao palco uma grande revelação, a cantora IZA , que fez o público estremecer com um trecho do hit  Pesadão  e, depois, a parceria  Ginga . Convidados especiais também foram celebrados no dia seguinte, durante a apresentação de Liniker e os Caramelows. A cantora, que se apresentou no início da tarde no palco Onix, trouxe Linn da Quebrada para o palco fazendo o público delirar com a parceria. Apesar do problema de som que ocorreu durante a apresentação da cantora, o que fez com que ela e a banda deixassem o palco antes do previsto, os fãs se mostraram fiéis ao seu trabalho, cantando à capela toda a letra da música  Zero  enquanto os problemas no palco ainda não eram solucionados.

Devochka, nome artístico da mineira Mayra Cruz, única mulher entre os DJs a se apresentar no Lolla
Flickr/Lollapalooza
Devochka, nome artístico da mineira Mayra Cruz, única mulher entre os DJs a se apresentar no Lolla

Ego Kill Talent entrou com ferocidade no palco mostrando que o heavy metal brasileiro está com tudo. A reação enérgica do público, por sua vez, comprovava com os cabelos no ar, pulos e coros de cada verso das músicas. A banda está em uma onda de muito trabalho, já que foi convidado para fazer os shows de abertura da turnê do Foo Fighters no Brasil e tem projetos de viagens internacionais. O dia ainda traz mais dois grandes nomes de peso: O Terno, que já conquistou uma legião de fãs pelo Brasil afora, e o rapper Mano Brown, do Racionais MC’s, que é um dos mais aguardados do dia e promete trazer um show de potência política.

A banda Ventre fez uma apresentação cheia de bons momentos e para um bom público no Lolla
Flickr/Lollapalooza
A banda Ventre fez uma apresentação cheia de bons momentos e para um bom público no Lolla

Diferentemente dos anos anteriores, o Lollapalooza tem apostado em trazer nomes recentes da música brasileira para os palcos e parece que a tentativa tem sido certeira. A cada ano, o público interessado em consumir um pouco mais da produção nacional parece crescer no evento. Antes os nomes eram tímidos no line-up e a plateia também. Em 2013, um dos grandes nomes do rock nacional, Plebe Rude, por exemplo, ainda que fosse uma das primeiras bandas a se apresentar naquela edição, não conseguiu emplacar um público significativo. O mesmo aconteceu com Velhas Virgens um pouco mais tarde.

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Entretanto, este ano todas as manhãs e tardes foram comandadas por produções nacionais com fãs que fizeram questão de levantar um pouco mais cedo da cama para prestigiar seus ídolos e teve até headliner competindo audiência com os veteranos do rock, o Red Hot Chili Peppers. O DJ Alok comandou um show no mesmo horário que a banda californiana no Palco Perry, mostrando que o Lollapalooza também é lugar de eletrônico - e brasileiro!

A apresentação cheia de energia do Ego Kill Talent
Flickr/Lollapalooza
A apresentação cheia de energia do Ego Kill Talent

Ainda que seja comum desacreditar da potência musical nacional, esse tipo de luto não é justo para a cena atual, que tem se mostrado um espaço de muito trabalho forte e de qualidade que flerta nos mais variados estilos, garantindo fãs de todos os gostos. O festival Lollapalooza neste ano refletiu um pouco desse cenário trazendo mais de 20 nomes brasileiros em sua programação. O festival ainda continua com mais brasilidades neste domingo (25), com músicos que estão com tudo: Francisco, el hombre, Baza, Mahmundi, Tiê e o grupo Tropkillaz.

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