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Sétimo ano do festival em São Paulo atrai pessoas de diversos pontos do País e tem público diverso e empolgado para conferir atrações do primeiro dia

Uma das sextas-feiras mais aguardadas dos fãs de música finalmente chegou! As rampas do Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo, foram invadidas por milhares de fãs que esperam ansiosamente para ver a suas bandas favoritas. Apesar da garoa que caiu no início da tarde, o público não estremeceu e continuou com o agito total nos quatro palcos do evento. A sétima edição, por sua vez, veio para mostrar que o festival se consolidou não mais como uma reunião de bandas mainstream, mas sim como uma reunião de tribos de todos os lugares do Brasil.

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O Lollapalooza é um dos festivais itinerantes mais reconhecidos do mundo. Confira como está indo o primeiro dia em Interlagos
iG
O Lollapalooza é um dos festivais itinerantes mais reconhecidos do mundo. Confira como está indo o primeiro dia em Interlagos

Os estudantes e irmãos Laura, 19, e Jota Fiuza, 22, vieram de Tianguá, região serrana do Ceará especialmente para o Lollapalooza. Hospedando-se na casa da tia, que mora em São Paulo, os jovens comemoraram o line-up diversificado que o festival trouxe nessa temporada. "Nós compramos os ingressos antes, sem saber quem era que viria. Quando saiu a programação, nós não acreditávamos. A gente deu sorte porque eu sou muito fã do Red Hot Chili Peppers e a minha irmã é da Lana del Rey e super bateu”, conta Jota. “Esse negócio de tribo já não existe mais, quem escuta rock, escuta eletrônico, escuta indie, escuta tudo", opina.

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Rincon Sapiência foi um dos primeiros brasileiros a se apresentar no primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2018
Reprodução/Twitter
Rincon Sapiência foi um dos primeiros brasileiros a se apresentar no primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2018

Fanáticos por música, os irmãos vêm a São Paulo pela segunda vez no festival e Jota faz questão de mostrar o amor que sente pelo evento. “Quando eu voltei para o Ceará, meus amigos me zoavam muito porque eu não queria tirar a pulseira”, comenta, exibindo com orgulho a recordação do ano anterior. “E eu falava: ‘eu só vou tirar essa no ano que vem quando eu tiver a outra’, mas o festival chegou e eu preferi ficar com as duas”, afirma aos risos.

Os irmãos ainda fizeram um passeio pela icônica rua 25 de março quando chegaram à cidade, onde foram protagonistas de uma cena pra lá de memorável. “Estávamos falando com um vendedor que viríamos ao festival e ele ficou bastante entusiasmado. Nós tínhamos ingressos do pré-evento no bolso e, como não íamos, acabamos dando para ele”, recorda. “A reação foi muito linda de se ver. A gente fica feliz de ver as pessoas felizes”, completa o estudante.

Não Está Tão Ruim Assim

Enquanto o público enlouquece em frente aos palcos, o Lollapalooza mostra o seu lado nem tão amigável assim nos estandes em volta: cervejas por R$ 13, água no valor de R$ 6 e até mesmo o salgadinho doritos – que há poucos metros dali, na região de Interlagos podem ser encontrados pelo preço de R$ 1 – custa entre R$ 8 e R$ 15. Os preços de outros alimentos, por sua vez, aparecem no mesmo valor, fazendo com que um fã desembolse R$ 15 por apenas um cone de batata frita ou um hot dog.

Público assiste ao show de Zara Larsson na primeira noite do Lollapalooza Brasil 2018
reprodução/Bis
Público assiste ao show de Zara Larsson na primeira noite do Lollapalooza Brasil 2018

Entretanto, apesar dos preços assustarem o público – que separa seus pacotes de alimentos e estendem pelas cangas em volta do gramado do palco – a publicitária Ana Beatriz Barbosa comemora que os preços não tenham aumentado. “Eu imaginei que o custo dos produtos daqui fossem mais altos comparado ao ano passado. Eu não vim, mas minhas amigas falaram que estava muito alto e achei que a tendência seria aumentar mais ainda”, comenta. A jovem veio de Aracaju para ficar na casa de amigos e estava acompanhada da amiga Mariana Barreto, 22, advogada e veterana de Lollapalooza. Para ela, o evento vale a pena apesar dos preços. “Eu sempre migro entre todos os palcos, do eletrônico ao principal”, comenta a jovem, que não hesita em afirmar que seus shows mais aguardados são Imagine Dragons e Chance The Rapper.

Pais corujas

Chance The Rapper, um dos mais concorridos do primeiro dia de Lolla
Divulgação
Chance The Rapper, um dos mais concorridos do primeiro dia de Lolla

No meio de um público fanático, Rômulo e Ângela Barbosa desfrutam de um festival com um entusiamo de fã que vê sua banda favorita pela primeira vez no palco – mas desta vez, o motivo é outro. O casal veio diretamente de Fortaleza pela primeira vez ao Lollapalooza para prestigiar seu filho, Rafael Martins, o vocalista e guitarrista da banda Selvagens à Procura de Lei. “Eu acho que foi um reconhecimento muito grande deles, há 5 anos nessa batalha, morando em São Paulo, é um orgulho muito grande, felicidade ver ele aqui no palco”, comenta a mãe. Ângela assistiu de pertinho o show do filho e ressalta que ficou muito emocionada ao ver o público entoando as letras da banda em coro na frente do show, que foi um dos primeiros desta sexta-feira (23).  “Dancei, pulei e gritei. Eles estão aumentando o público e sendo reconhecido em todos os estados. Eu fico emocionada”, comenta. Rômulo, que também aguarda ansiosamente pelo show do Red Hot Chili Peppers também compartilha do entusiasmo da esposa, mas ressalta: “Achei os palcos meio longe. Se fossem mais perto seria melhor”, comenta aos risos. Para o pai, sua tribo é, sem dúvidas, a do rock. Já a mãe é categórica em sua resposta: “A minha tribo é a do Selvagens”.

O time de pais presentes também se faz no gramado. A advogada Cintia Saito veio pela primeira vez no Lollapalooza este ano comparecendo a todos os três dias de festival. O motivo? Acompanhar a sua filha de 16 anos e as suas amigas. “É cansativo, mas eu adorei. Cinquenta anos em São Paulo e nunca vi nada assim acontecendo. É o meu primeiro festival deste tamanho”, comenta a mãe. Enquanto conversava com o iG Gente sentada sob um gramado relaxando das andanças que tem feito pelo Autódromo enquanto as acompanhantes adolescentes corriam para pegar os melhores lugares para o show do Oh Wonder, Cintia comentava: “eu não aguentei correr junto, falei ‘vou ficar por aqui’”, riu.

O Lollapalooza também foi motivo para reunir a família de Pedro Henrique. De Montes Claros, em Minas Gerais, o bancário se reencontrou com os seus primos da Bahia e de São Paulo durante o festival para curtir um bom som durante três dias. Veterano de quatro edições, o jovem elogia a nova disposição dos palcos enquanto sua prima, Camila Farias Martins, que mora em Vitória, Espírito Santo, celebra a diversidade dos palcos. “Eu venho para assistir as bandas principais, mas eu descobri muita banda que eu já considero uma das minhas favoritas”, revela a jovem, que ficou encantada com o show do Baiana System no ano passado e agora não tira a banda da playlist.

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Com nova disposição dos palcos, escadas que fazem o caminho mais curto entre um lugar e outro e um leque de diversidade no cardápio – e também nas apresentações, o Lollapalooza parece ter se consolidado como um dos grandes festivais do Brasil, acolhendo todos os estados e, agora, todas as tribos.

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