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Décimo álbum de Marcelo Quintanilha promove experiências bem sucedidas com algumas das principais canções de um dos maiores cantores do Brasil

Cazuza completaria 60 anos em 2018
Divulgação
Cazuza completaria 60 anos em 2018

A influencia e importância de Cazuza são tão prolíferas, tão renováveis que mesmo 27 anos após a morte do cantor, um dos mais autênticos, criativos, talentosos e oxigenados da história de nossa música, o poeta continua sendo alvo de homenagens como “Caju”, um disco que revisita a obra do carioca Agenor – nome de batismo de Cazuza - com inventividade, reverência,  bom gosto e um talento que se estabelece como a maior das homenagens.

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“Caju” é o décimo disco do paulistano Marcelo Quintanilha , também compositor de trânsito na MPB, tanto que já teve composições gravadas por Daniela Mercury, Belô Veloso, Nando Reis, entre outros. Quintanilha estabeleceu um diálogo com a música brasileira em toda a sua pluralidade ao longo de sua discografia. Para alguém com tamanha sensibilidade como ouvinte, que se exercita como artista nas planícies da música é natural encontrar abrigo em Cazuza, que já havia inspirado homenagens antes.

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Marcelo Quintanilha
Drausio Tuzzolo/Divulgação ​
Marcelo Quintanilha

Esse álbum, no entanto, é diferente. E soa diferente também. O disco abre com Blues de Piedade . Uma versão à capela com coro gospel que não só se avoluma emocionalmente como parece vestir a essência da canção de Cazuza com pompa e estilo. Como seguir depois de um começo tão acalentador? Tão acima de qualquer suspeita? Melhor exagerar. Exagerado , que já ganhou tantas versões Brasil afora, perde velocidade, ganha contemplação e estabelece uma dinâmica mais atraente para o que vem a seguir. Jogar bossa onde não tem, abraçar o pop onde menos se espera e até surpreender com uma versão valsada de Codinome Beija-flor .

O resultado é um disco coeso, de uma beleza estranha que vai ganhando forma e sentido conforme nos sentimos impelidos a ouvir essas versões reimaginadas de músicas que se confundem com nossas histórias de vida. A atemporalidade Brasil , por exemplo, perde um pouco daquele inconformismo debochado de Cazuza, mas ganha em apreensão no dueto que Marcelo faz com Nina Quintanilha, sua filha. Já o rock pulsante de Ideologia é imutável, ainda que o saxofone dê uma conotação jazzística irresistível à canção.

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O disco fecha com Caju , a faixa título composta por Quintanilha que é uma homenagem saborosa ao poeta que ganha um novo figurino sonoro em um gesto de reverência e afeto que a música torna compartilhável e também reverenciável. São “versos quase tão livres quando a alma desse poeta”.

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