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A diretora residente Rachel Ripani fala sobre a superprodução de um dos maiores clássicos do teatro musical que ficará em cartaz até 10 de dezembro

A trama se passa na França de 1814, mas é incrível como ainda permanece atual. A identificação e encanto do público ao redor do mundo avalizam o sucesso do musical "Les Misérables" que, após 25 anos em cartaz, ganhou uma nova roupagem, mais dinâmica e com toque adicional de efeitos visuais e especiais. É justamente esta moderna versão que está em cartaz atualmente no Teatro Renault, em São Paulo.

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Musical Les Misérables conquista o público e tem temporada estendida até dezembro
Divulgação/Marcos Mesquita
Musical Les Misérables conquista o público e tem temporada estendida até dezembro


Les Misérables estreou em Londres, no ano de 1985, e hoje é consagrado como um dos grandes títulos do gênero. A trágica história baseada em um clássico de Victor Hugo retorna ao Brasil anos depois da bem-sucedida adaptação feita em 2001, que se tornou um marco para a expansão do teatro musical no País.

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“A primeira chegada do Les Mis foi muito importante porque houve, a partir desse momento, uma formação de profissionais. O que não tinha função aqui passou a existir, como diretor de cena e de palco”, afirma a diretora residente do espetáculo Rachel Ripani. “Hoje no teatro, temos 120 profissionais envolvidos, algo que era impensável antes da vinda da adaptação anterior”, completa.

Atualidade da história

A trama mostra um cenário precário, no qual os pobres são tratados literalmente como miseráveis. Dentre eles está Jean Valjean, um homem simples que é preso após roubar um pão para alimentar a família. É tratado como um criminoso, principalmente por um oficial que coloca a moral – criada em sua mente – acima de tudo, o temido Javert. A todo momento, os conflitos sociais estão presentes e enraizados nos personagens e é justamente isso que torna a história tão contemporânea.


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“A peça fala sobre um grupo de pessoas que não se sente representado pelo governo, que luta contra a situação política do momento, vivendo em um país que não existe assistência social, saúde e acesso à educação, onde as crianças são largadas na rua, onde existe uma discrepância entre os muito ricos e os muito pobres. Você consegue dizer se isso é França ou Brasil?”, indaga Rachel.

Elenco é destaque

A parte visual pode estar até mais impactante, se comparado com a versão anterior, mas todo esse aparato moderno acaba se tornando um mero detalhe frente ao talento dos atores envolvidos. A entrega é nítida, as vozes potentes e a interpretação é carregada de emoção – conforme exige o espetáculo. O resultado final são quase três horas de um musical que exala qualidade e sentimento.

O ator espanhol Daniel Diges foi escolhido para viver o protagonista Jean Valjean
Divulgação/Marcos Mesquita
O ator espanhol Daniel Diges foi escolhido para viver o protagonista Jean Valjean

Para interpretar o protagonista justiceiro, Jean Valjean, foi escalado o ator espanhol Daniel Diges – que já assumiu o papel em montagens pela Europa –, a voz e a interpretação mostram o motivo de terem garantido o estrangeiro para o palco brasileiro. A diretora residente explica que o produtor do espetáculo Cameron Mackintosh é muito fiel às pessoas com quem gosta de trabalhar, por isso, escalou novamente o espanhol.  

O vilão Javert é feito por um veterano do teatro musical brasileiro, o ator Nando Pradho, que reafirma todo o seu talento e voz na pele desse oficial linha dura. Quem carrega a missão de dar vida a sofrida Fantine – que se torna prostituta para salvar a filha Cosette que depois passa a ser criada por Valjean – é a atriz Kacau Gomes, a personagem fica pouco tempo em cena, mas carrega tanta emoção que se torna uma marcante para o público.

O elenco ainda conta com outros destaques, como o estreante Filipe Bragança, que faz Marius, par romântico de Cosette, interpretada por Clara Verdier. Laura Lobo, que esteve no elenco da montagem de 2001 como a filha de Fantine na infância, agora assume o papel da jovem corajosa, Eponine. A atriz protagoniza um dos momentos mais emocionantes da peça ao cantar a música “Só pra mim” – versão de “ On my own ”.

Entre o drama das batalhas na barricada, dos desencontros amorosos e demais conflitos, a plateia consegue rir com o toque de humor dado pelos experientes atores Ivan Parente e Andrezza Massei, que fazem com propriedade os picaretas Thenardier e Madame Thenardier. 

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O veterano Nando Pradho interpreta o vilão Javert na recente montagem do musical
Divulgação/Marcos Mesquita
O veterano Nando Pradho interpreta o vilão Javert na recente montagem do musical


A temporada estava prevista para terminar em julho, mas devido ao sucesso de público, somando quase 200 mil ingressos vendidos, a temporada foi estendida até 10 de dezembro – para a alegria dos fãs. "Les Misérables" está em cartaz de quinta-feira a domingo e em algumas semanas será possível encontrar sessões populares às quartas-feiras.