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Diretor do espetáculo fala sobre alterações que fez na peça e elenco protagonista conta a experiência de participar da produção

Depois de fazer sucesso nas telonas nos anos 1990 – e na "Sessão da Tarde" anos mais tarde –, a romântica história de amor entre Sam e Molly ganhou os palcos brasileiros. "Ghost – O Musical", que estreou em São Paulo no começo deste mês, mantém o mesmo enredo cinematográfico, mas traz nítidas referências brasileiras. O diretor da peça, José Possi Neto, fez questão de estreitar a relação dos personagens principais levando Colin Ingram, produtor original do espetáculo, a considerar essa a melhor não réplica do musical no mundo.

O diretor de Ghost quis estreitar a relação dos personagens principais
Divulgação/Caio Gallucci
O diretor de Ghost quis estreitar a relação dos personagens principais


Na história, o amor de Sam e Molly é interrompido pela morte do rapaz. Porém, ao descobrir a verdade sobre a causa de sua morte, o espírito de Sam fica preso neste plano e, para alertar a amada, ele busca a ajuda da falsa vidente Oda Mae Brown .  No cinema, "Ghost" foi estrelado por Patrick Swayze, Demi Moore  e Whoopi Goldberg, além de ter levado dois Oscars e um Globo de Ouro.

O que chama atenção é que o diretor brasileiro afirma que não se baseou no filme ou em outras versões do musical para montar o espetáculo. “Eu nunca aceitei fazer um musical que não me desse a liberdade de criar. Eu não vi o espetáculo na Broadway e só assisti ao filme algumas vezes, mas não recentemente para fazer o musical. Eu estou criando algo em cima de um texto e a linguagem de um filme é totalmente diferente”, explicou em entrevista ao iG.

Para escalar o elenco, Possi não procurou atores que viam vídeos na internet e reproduziam as cenas exatamente iguais. “Quando escalo um elenco eu procuro gente que me dê tesão em trabalhar, que me inspire”, disse.

Novos desafios

A busca levou a produção até André Loddi, o escolhido para dar vida ao galã que se torna um espírito na trama. Antes de encarar o protagonista, o ator estava como alternante de Fiyero na adaptação do musical da Broadway " Wicked " , mas deixou a peça depois de três meses para encarar o novo desafio. “Mudei porque achei que ia ser algo mais desafiador. O Sam praticamente não sai de cena e costura essa história”, explicou ao iG.

Loddi também ressalta as diferenças no processo de criação dos personagens. “Existe uma grande distinção entre os dois espetáculos. O 'Wicked' já tem uma estrutura pronta, é exatamente fiel à Broadway. Aqui o diferente é que eu pude criar e improvisar para achar o personagem. Para compor o Fiyero eu assisti a várias verões do musical, já para o 'Ghost' resolvi não assistir nenhuma, só vi ao filme”, comparou.

Espetáculo desafiador

A mocinha da história é interpretada por Giulia Nadruz, que consegue com sua voz marcante dar um tom especial e romântico a Molly. Parte dessa dedicação vem de uma antiga paixão da atriz pela história.  

Ghost conta a clássica história de amor de Sam e Molly
Divulgação/Caio Gallucci
Ghost conta a clássica história de amor de Sam e Molly


“É muito desafiador porque o Ghost é uma obra muito grande e conhecida, então as pessoas já vêm com uma expectativa enorme e nós temos que superar isso. O público já espera se emocionar com o espetáculo e se conectar com os personagens”, falou Giulia.  

Outra coisa desafiadora para ela é escolher sua cena favorita. “Nas peças a gente sempre tem uma cena ou outra que é mais chatinha de fazer. Mas aqui não tem nenhuma cena que eu não curta muito”, contou.

Toque brasileiro

Se Giulia Narduz tem a missão de emocionar o público, Ludimillah Anjos tem de arrancar risos dos espectadores. Estreante com ar de veterana, ela  hipnotiza o público quando está em cena como a cômica vidente Oda Mae Brown. A personagem ganhou características, trejeitos e figurinos bem brasileiros. Outro detalhe é que a atriz tem a permissão de fazer pequenos improvisos durante o espetáculo, algo muito raro nesse tipo de produção.  

Ludmillah já é conhecida pelo público por participar de duas grandes competições musicais, o " Ídolos" , em 2006 e do " The Voice" , em 2012. Ela não venceu nenhuma, mas agora se consagra nos palcos. “Eu já sai da barriga da minha mãe cantando", brincou. "O musical foi mais desafiador que cantar no 'The Voice', porque eu tenho essa veia cômica, mas quando você parte para uma parte técnica, com um texto grande é mais complicado”, contou a artista.

Ludimillah Anjos no papel de Oda Mae Brown
Divulgação/Caio Gallucci
Ludimillah Anjos no papel de Oda Mae Brown


Os colegas de elenco não economizaram elogios para a estreante. “Quando não estou em cena, adoro assistir aos meus amigos atuando. A Ludimilla fazendo as cenas dela é um deleite, eu tenho que me consertar para não entrar no ritmo dela e começar a rir”, conta Igor Miranda, que tem a espinhosa missão de interpretar Carl, o grande vilão da história.

Essa é a versão do musical que o personagem de Igor tem mais espaço. “Não me inspirei no filme. Nós criamos um Carl muito particular, com uma personalidade única. Ele tem mais espaço, mais tempo de cena e mais força na interpretação. O diretor quis mostrar a traição e ganância que acontece no espetáculo de uma forma mais marcante”, afirmou o ator.

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"Ghost – O Musical"
Quando: de quinta a domingo, até 2 de outubro
Onde: Teatro Bradesco (Rua Palestra Itália, 500 / 3º piso – Bourbon Shopping São Paulo)
Quanto: de R$ 40 a R$ 190