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Série dos mesmos criadores de “Transparent” traz perspectiva feminina em uma história de amor e desejo e tem Kevin Bacon como catalisador de mudança radical na rotina de um casal. Estreia em 12 de maio na Amazon

A mais nova produção da Amazon, que já emplacou preciosidades como “Transparent” e “Goliath”, é “I Love Dick”, adaptação do elogiado livro de Chris Kraus publicado em 1997 e que conta com o mesmo time criativo por trás de “Transparent”. O potencial de ser o principal produto da plataforma de streaming em 2017 é monstruoso.

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Os três protagonistas de I love Dick e uma obsessão: série construída a partir da perspectiva feminina
Divulgação
Os três protagonistas de I love Dick e uma obsessão: série construída a partir da perspectiva feminina

“I Love Dick” é sobre feminismo, amor, desejo, arte, sexo, obsessão e tudo aquilo que faz com que esses conceitos se embaralhem. O iG assistiu os três primeiros episódios da série que estreia mundialmente no dia 12 de maio. Estrelada por Kevin Bacon, como Dick, alvo da obsessão da diretora de cinema que teria seu novo filme exibido no festival de Veneza Chris (Kathryn Hahn) e de seu marido, Sylvere (Griffin Dunne), um escritor que recebeu subsídios para terminar seu romance sobre o holocausto, a série é dirigida por Andrea Arnold (“Docinho da América”) e Kimberly Peirce (“Meninos Não Choram”), além de Jill Soloway, criadora e responsável pelo roteiro.

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Esse casal nova-iorquino que tem grande estima por seu modo de vida vai para essa pequena comunidade texana chamada Marfa. A ideia de ter uma cidade no Texas que transpire arte é boa demais e a maneira como ela impacta o casal vai escalando até o momento em que eles conhecem Dick. O endeusamento de Dick por Chris, e a percepção erótica dele pela rotina do casal – que passa a questionar pressupostos monogâmicos – alimenta impulsos artísticos de todos os envolvidos nessa crônica tão inusitada.

O cartaz original de I Love Dick
Divulgação
O cartaz original de I Love Dick

As cenas são entrecortadas por trechos de cartas que Chris escreveu para Dick, expondo seu intimo, sua vulnerabilidade, seu desejo. Trata-se de uma elaboração artística valiosa. Uma metalinguagem hierárquica, por assim dizer.

O trio principal está ótimo e perfeitamente alinhado à proposta da série. Enigmático, Kevin Bacon sabe que para seu personagem menos é mais. Dunne abraça o histrionismo cacofônico de seu personagem com vigor e Hahn, que costuma roubar cenas em filmes como “Perfeita é a Mãe” e “Sete Dias sem Fim”, aqui ganha o espaço que uma atriz de seu talento merece.

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“I Love Dick” promete ser uma das séries adultas mais inconvencionais e sedutoras da temporada. Falar de sexo, no caso, é puro bônus.

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