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Temporada dá longa e desnecessária volta, repleta de diálogos ruins, para colocar personagens no mesmo ponto de ebulição do ano anterior

A season finale do sétimo ano de “The Walking Dead” resume bem o que foi a contestada temporada do outrora programa mais assistido da televisão no mundo. Diálogos ruins, muita enrolação, personagens aturdidos e alguns bons momentos.

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Negan em cena do último episódio da sétima temporada de The Walking Dead
Divulgação
Negan em cena do último episódio da sétima temporada de The Walking Dead

“The First Day of the Rest of Your Life” começou tirando o pé do acelerador, uma tendência que foi verificada na temporada mais “morde e assopra” do programa. “The Walking Dead” jamais foi tão dependente de fórmulas para manter o interesse de sua audiência, que mesmo assim está em queda. A média verificada nesta segunda leva de episódios da temporada foi 30% inferior à verificada na segunda metade de episódios do sexto ano.

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O episódio começou com Alexandria, Hilltop e O Reino alinhando-se, ainda que separadamente, para a antecipada batalha contra Negan (Jeffrey Dean Morgan) e os salvadores. Por seu turno, Negan já parecia saber que Rick (Andrew Lincoln) organizava uma rebelião e se preparou para usar Sasha (Sonequa Martin-Green) como elemento desestabilizador em uma eventual negociação.

Generosa e ciente tanto da estratégia de Negan, como da efetividade que ela teria junto a Rick, Sasha decide tirar a própria vida e materializar (mais) uma chance de atentar contra a do líder dos Salvadores. Não dá certo, claro, mas foi um sopro de humanidade na série que se banhava nela, mesmo em seus momentos mais obscuros, mas que hoje submete seus personagens a mais alarmante catatonia.

Rick em cena de The Walking Dead
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Rick em cena de The Walking Dead

Traídos pelo grupo do lixão, Rick e Alexandria só tiveram mais uma chance de reagir contra as forças de Negan em virtude da última cartada de Sasha. Depois, novamente acuados, são salvos pela chegada redentora de habitantes do Reino e de Hilltop liderados por Maggie (Lauren Cohan). Há um mimo para os fãs, talvez para minorar a ruindade da temporada, e vemos a tigresa Shiva em ação pela primeira vez. Muito pouco, é preciso dizer.

O ator Norman Reedus, que interpreta Daryl, disse recentemente que o último episódio da temporada lembrava o filme “Coração Valente” , em que escoceses lutam contra a opressão da Coroa inglesa. É uma comparação compreensível e que objetiva aferir grandeza à season finale, mas o episódio não a sustenta. Negan, que pela primeira vez, ainda que por pouco tempo, perde a pose, continua sendo o grande trunfo da série no momento. Ainda que menos cativante do que quando pousamos os olhos nele.

A ideia de reestruturar o universo de “The Walking Dead”, incluindo mais personagens, comunidades e redimensionando conflitos não é ruim. Pelo contrário, é muito boa. Mas falta compreensão da linguagem televisiva e de uma macronarrativa a Robert Kirkman e seus comandados. Apesar de aspirar a grandeza, a série vai para o oitavo ano menor do que nunca. No pior dos sentidos.

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