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Série se recusa a abandonar vícios de linguagem das HQs e compromete legado de um programa que começou visionário e surpreendente

“Rick Grimes de Alexandria”. Este foi o tratamento nobre dado pelo Rei Ezekiel (Khary Payton) a Rick (Andrew Lincoln), que junto com alguns de seu grupo, visitou comunidades em busca de apoio a sua causa: derrotar Negan (Jeffrey Dean Morgan) e os Salvadores. O retorno de “The Walking Dead” para a segunda parte da sétima temporada trouxe de volta a irregularidade que tem caracterizado o programa.

A segunda parte da sétima temporada The Walking Dead estreou no último domingo (12)
Reprodução
A segunda parte da sétima temporada The Walking Dead estreou no último domingo (12)


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Além do humor, na maior parte do tempo involuntário, provocado pelo núcleo do Rei Ezekiel, “ The Walking Dead ” continua padecendo de um mal que produtores e roteiristas não parecem ter uma solução à vista. A necessidade de ter Negan em cena. Neste nono episódio, como em uma providência divina, um novo grupo, fortemente armado, cruzou o caminho de Rick justamente quando ele carecia de mão de obra e armas para inflar o levante contra o domínio do sádico Negan.

O episódio teve duração estendida. Mas os 13 minutos a mais só serviram para aborrecer. Tudo o que aconteceu no episódio já era intuído pelo público quando lá no 2º episódio da temporada o reino foi apresentado. Apesar da bem sacada cena em que Rick e Michonne (Danai Gurira) matam zumbis usando dois carros e uma corda como arma, o retorno da série não só deixou a desejar narrativamente, como em termos dramáticos abastece as críticas e desconfianças suscitadas pelo programa.

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A semelhança forçosa com outro hit atual, “Game of Thrones” extrapola o tratamento medieval dispensado a Rick pelo Rei Ezekiel. Os produtores se esforçam para costurar uma movimentação política que carece de sustância.

Tudo indica que Robert Kirkman, Scott M. Gimple e companhia vão esticar ao máximo essa preparação para a rebelião contra Negan, tornando toda a sétima temporada algo bem distante do que ela poderia ser.  Além do desperdício de não aprofundar no grupo de Rick o impacto da nova ordem estabelecida por Negan – a série optou apenas por eliminar personagens como forma de estabelecer traumas nos personagens -, há mais personagens em cena do que disposição e capacidade de desenvolvimento. O novo grupo, do qual pouco se sabe, deve agravar esse problema.

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Kirkman e seus produtores continuam insistindo em um erro capital. “The Walking Dead”, na TV, deve sim considerar a HQ como fonte de inspiração, mas não deve ser refém dela na narrativa, muito menos na linguagem.  Do jeito que está, ainda tem muita margem para piorar...

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