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Série de reportagens, que já está no ar, oferece um painel rico e plural de como anda a cena cultural brasileira, nossa relação com a informação e ajuda a entender como a internet mudou drasticamente o consumo de cultura

Editoriais geralmente são escritos na segunda página de um jornal ou narrados pelo âncora no começo de um, seja ele na TV ou no rádio, mas a internet é mais livre. Portanto, esse editorial fecha uma série que tenho muito orgulho de ter patrocinado na qualidade de editor de Entretenimento do portal iG , uma que versa sobre o status da Cultura no Brasil .

Parceria sem fronteiras: a união musical dos brasileiros com os latinos

O mercado dos livros e das revistas passam por transformações que as empresas têm tentado acompanhar
Reprodução
O mercado dos livros e das revistas passam por transformações que as empresas têm tentado acompanhar

Em um primeiro momento, essa série ataca um lugar-comum do jornalismo online. De que não há espaço para reportagens de fôlego. Foram 13 matérias que mapearam, com uma pluralidade chamativa, as circunstâncias da cultura no País. Ao fim desse editorial ficará mais claro para o leitor minha opção de encerrar, e não iniciar, essa série com ele.

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Os repórteres Jonathan Pereira e Caio Menezes, junto com as estagiárias Verônica Maluf e Heloisa Cavalcanti compuseram uma força-tarefa para destrinchar o cenário cultural do Brasil e o que emergiu desse esforço de reportagem foi um quadro muito positivo e que permite o otimismo para quem, como eu, acha que a pauta cultural é negligenciada Brasil afora.

Mudança de paradigma

A internet é uma realidade que transformou muitos paradigmas culturais. Radiografamos isso na matéria “Dez Hábitos Culturais que foram transformados pela internet” . Os limites e potencialidades do streaming, que está radicalizando nossa relação com o consumo de conteúdo audiovisual, foram cercados pela Helo, como a Heloisa é chamada aqui na redação, na matéria “A ascensão definitiva do streaming será em 2017?” . Ela também foi investigar como a internet está mudando o mercado editorial , no contexto das revistas e dos livros.

Tem quem diga que se não passou na Globo é como se não existisse e a emissora sediada no Jardim Botânico resiste, mas já olha para as séries – essa apropriação americana que costumávamos chamar de enlatados – com outros olhos. É à constatação que chegamos em “Tendência? Televisa reduz novelas para produzir séries; Globo resiste” .

Nenhuma mudança, em curso ou consumada, nos animou mais do que verificar o exponencial crescimento de visitações nos museus e exposições paulistanas. Com energia incrível e um tesão pela pauta que nos permite vislumbrar a grande jornalista que ela está se formando, Verônica Maluf transmutou-se em museóloga para que pudéssemos publicar “O fenômeno das grandes exposições de arte em São Paulo” .

Soft power

Você já riu hoje? Talvez, então, não ande bem informado. O humor se assevera como uma valiosa ferramenta de informação e é justamente a deflagração desse poder tão inesperado que a Helo foi investigar e oferece explicadinho para o leitor em “Da comédia à crítica, o humor se consolida transformando riso em informação” .

O chargista Junião traz para o humor questões que envolvem os direitos humanos
Divulgação
O chargista Junião traz para o humor questões que envolvem os direitos humanos

Outra forte tendência que fomos à raiz é essa dos digital influencers. Mais do que ser contra ou a favor, nossa preocupação foi entender quem eles são e de que maneira estão mudando a relação da sociedade com a informação, não necessariamente com a notícia e entender essa diferença fica mais fácil depois de ler as duas matérias de autoria do craque, nem tanto no futebol, Caio Menezes.

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Relevo

A mudança de perfil do Canal Brasil, um destacado fomentador da cultura brasileira , o boom de parcerias entre artistas brasileiros e latinos na música e uma entrevista com o secretário municipal da Cultura de São Paulo, André Sturm, completam essa série que tanto me dá orgulho e que, talvez, também entusiasme o leitor.

Desculpando-me pelo editorial alongado, ouso dizer que a cultura merece. E se você, leitor, me acompanhou até aqui, provavelmente concorda comigo.