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Ao iG, secretário de cultura de São Paulo fala sobre modelo de gestão de equipamentos culturais, fim dos pancadões e plano para a cidade: "Não pretendemos interromper nenhum programa da gestão anterior"

Um dos nomes mais festejados da administração de João Doria (PSDB) em São Paulo, André Sturm , novo secretário de cultura da capital paulista, foi bem recebido até por quem não votou no novo prefeito da cidade. Com um perfil de realizador e experiências de sucesso na bagagem, ele assumiu a pasta há menos de um mês e tem uma missão desafiadora pela frente.

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André Sturm, conhecido por trabalhos no MIS-SP e no Cine Caixa Belas Artes, é o novo secretário de cultura de São Paulo
Divulgação/Sylvia Masini
André Sturm, conhecido por trabalhos no MIS-SP e no Cine Caixa Belas Artes, é o novo secretário de cultura de São Paulo

Com experiências bem sucedidas no MIS-SP (Museu da Imagem e do Som) e no Cine Caixa Belas Artes , André Sturm é o responsável por tocar as pautas culturais de uma gestão que vem causando polêmica quando o assunto é cultura. Nos últimos dias, os debates sobre os grafites apagados na Av. 23 de Maio se juntaram a outras questões que já eram alvo de discussões antes mesmo da posse do prefeito, como as mudanças na Virada Cultural e a guerra contra os pancadões, uma das promessas de campanha de Doria.

Entretanto, nada disso tira o sono de Sturm. Com políticas bem definidas, ele sabe muito bem como quer gerir a cultura da maior cidade do País pelos próximos quatro anos. "Meu maior objetivo é ampliar o acesso. Tanto da população à cultura quanto dos artistas à população", explicou o secretário em entrevista ao iG .

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Na entrevista abaixo, o secretário de cultura de fala sobre os desafios da pasta, a Virada Cultural e o modelo de gestão das bibliotecas e outros equipamentos culturais na capital, que podem ser concedidos a organizações sociais. "Não é de maneira nenhuma privatização", garante.

Leia a entrevista

iG: O que te levou a aceitar o cargo na secretaria de cultura?
André Sturm:  O prefeito [João Doria] me fez um convite e disse que admirava meu trabalho e tinha acompanhado o que eu fiz no MIS e no Cine Caixa Belas Artes. Ele achou meu trabalho bacana e disse que eu era ousado e fora da caixinha. Não o conhecia e me senti muito orgulhoso. O prefeito quer uma pessoa que faça as coisas e não fique empurrando pedrinhas.

iG: Qual é o seu maior objetivo a frente da pasta?
AS: Meu maior objetivo é ampliar o acesso. Tanto da população à cultura quanto dos artistas à população.

iG: Em qual estado você encontrou a secretaria de cultura?
AS:  Encontrei numa situação ok. Não precisamos consertar nada do passado.

iG: O que você pretende realizar neste primeiro ano de gestão?
AS: Temos um projeto, que é o Bibliotecas Vivas, que visa dar mais dinamismo às bibliotecas e fazer com que elas virem equipamentos culturais em suas regiões, opções efetivas de cultura para a população que mora ao redor. Pretendemos promover atividades de diversas linguagens para buscar o público para a leitura. Outro projeto é fazer a circulação de artistas pela cidade, levar artistas conhecidos para equipamentos culturais nas periferias, mas também promover os artistas das regiões e levá-los para os outros lugares da cidade.

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iG: Quais projetos da gestão anterior você pretende dar continuidade?
AS:  Não pretendemos interromper nenhum programa da gestão anterior. Vamos apenas incrementar e criar novos. Uma das coisas que queremos fazer é ampliar o programa do Circuito Municipal de Cultura.

iG: O Theatro Municipal é um dos grandes desafios da administração. Quais são seus planos para esse equipamento?
AS: Nosso slogan é "A cidade no Municipal e o Municipal na cidade". Queremos democratizar o acesso e fazer o Theatro ser um lugar ao qual as pessoas vão, tanto quem trabalha ou mora por perto quanto quem mora longe. Também queremos fazer os corpos ir aos bairros para dar acesso às pessoas que moram longe do Theatro.

iG: Como você pretende fazer essa democratização?
AS: Com uma programação intensa e variada, incrementando programas com preços populares e trabalhando muito forte na divulgação. Muita gente não sabe da programação do Municipal, mas muitas pessoas sabem e achan que aquilo não é para elas. As pessoas têm que saber que dá para ir ao Theatro. Para isso, vamos ter dias com ingressos a preços populares.

Sob a gestão de André Sturm, o MIS promoveu exposições como
Letícia Godoy/MIS
Sob a gestão de André Sturm, o MIS promoveu exposições como "Castelo Rá-Tim-Bum – A Exposição"

iG: Quais são seus planos para os museus municipais? Você acha que eles podem repetir o sucesso do MIS?
AS:  O MIS é diferente dos museus municipais porque grande parte deles são casas museus. Quero levar aos museus municipais a experiência da dinamização. O museu precisa ser um lugar vivo, ter mais atividades que dinamizem o público, como exposições com experiências sensoriais. Não temos planos para os museus ainda, quero uma pessoa para cuidar disso, que tenha ideias de dinamismo e que implante essas medidas. Ainda não procurei ninguém.

iG: No começo do mês, você afirmou que equipamentos como bibliotecas e o Centro Cultural São Paulo podem ser concedidos a organizações sociais. Como isso vai funcionar?
AS: Ainda não temos nada decidido, aquilo foi um mal entendido do que eu disse. O prefeito acha que o modelo de oganizações sociais (OS) deu certo no Estado e que precisamos trabalhar nessa direção. Mas não tem nada decidido e eu nem posso fazer isso. É um conceito de gestão que eu considero bastante positivo. Os grandes equipamentos são todos geridos por OS, é um modelo que dá certo. Muita gente critica, falando em privatização e concessão, mas o modelo de OS deixa na mão do Estado a política pública. A secretaria da cultura vai definir as políticas, a OS vai decidir a programação. Não é de maneira nenhuma privatização. É uma ideia que a gente tem, mas ainda está sendo estudada.

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iG: Quais são os planos para o carnaval de rua deste ano em São Paulo?
AS:  Vamos seguir a gestão anterior, não dá para inventar a roda nesse momento. Estamos juntos com as subprefeituras e outras secretarias. O carnaval tem dois grupos de interessados: os que querem desfilar e os que moram nas ruas por onde os blocos passam. Temos que achar a melhor solução para todos.

iG: O que você já pode antecipar sobre a Virada Cultural?
AS: Ainda não temos nada decidido. Estamos buscando um patrocinador para o carnaval e trabalhando nos eventos do aniversário da cidade [nesta quarta-feira (25)]. Depois disso, vamos nos debruçar sobre a questão da Virada Cultural.

iG: Uma das promessas de campanha do prefeito João Doria era acabar com os pancadões. A secretaria de cultura está envolvida nisso de alguma maneira?
André Sturm:  Não é o papel da secretaria de cultura acabar com nada. Vamos trabalhar com todas as culturas, não temos discriminação. Vamos trabalhar com todas as linguagens possíveis.