Rosamaria Murtinho foi homenageada no Festival de Cinema de Vassouras
Mark Saglia/Divulgação
Rosamaria Murtinho foi homenageada no Festival de Cinema de Vassouras


Rosamaria Murtinho está muito descontente com os novos rumos da dramaturgia da Globo e principalmente por ter entrado na lista de "esquecimento" da emissora. Mesmo estando contratada e recebendo normalmente seus salários, ela não esconde sua insatisfação de sequer ser lembrada para participações em novelas ou produções do Globoplay, e afirmou que a empresa tem sido o etarista e ingrata com os artistas que fizeram sua dramaturgia ser reconhecida internacionalmente.


"Os autores não escrevem personagens para nós, a produção não nos escala. Então eu acho que quando você fica mais velha, vem o etarismo. Existe isso, mas isso não é só no Brasil, não. É em qualquer lugar do mundo. O etarismo existe, as pessoas realmente botam de lado as pessoas mais velhas. Então o que que eu fiz? Eu tive um convite para fazer um curta-metragem no Paraná e fui", disse ela em entrevista exclusiva à coluna.

A atriz esteve na premiação da segunda edição do Festival de Cinema de Vassouras - No Vale do Café, e foi homenageada pelo conjunto de sua obra. Antes de entrar no salão do evento, conversou com a coluna e abriu seu coração sobre a vontade de voltar a ser requisitada para outros trabalhos.

Vale lembrar que sua última aparição em novelas foi em A Dona do Pedaço (2019), após ficar seis anos sem um papel fixo nas tramas da casa. Ela fez uma participação de uma semana em Deus Salve o Rei (2018), esteve em alguns episódios de duas séries da Globo, mas não era escalada para uma personagem recorrente desde 2013, quando esteve em Amor à Vida.

"Para as pessoas mais velhas, o mercado está parado. Pessoal mais velho está parado, sim! Muita gente da idade reclama, como a Laura Cardoso, o Emiliano Queiroz, Stênio Garcia, Lima Duarte, Mauro Mendonça. A nossa cabeça está boa, sabe? É isso que dói mais. Porque a cabeça está boa, a gente está bem, está conversando, está falando, fazendo as coisas, lendo, fazendo o curso, dando entrevista, tudo isso, e o convite para trabalhar não vem", desabafou.

Mesmo ciente de que seu contrato em vigência é raridade no atual cenário da TV brasileira, ela culpa mais os autores e escaladores de elenco pela falta de trabalho que a própria Globo em si. E sente que a falta de oportunidades para pessoas de sua faixa etária faz parte de um movimento mundial.

"É triste, porque não é só a gente, mas o público espera que a gente trabalhe. Eu encontro com gente na rua que me pergunta: 'Ô, meu Deus, quando é que a gente vai ver agora os atores que a gente conhecia há tanto tempo?'", comentou.

Nossas senhoras

Enquanto os convites para trabalhos na TV não aparecem, Rosamaria Murtinho aceita os raros papéis que lhe surgem no cinema. Em 2021, por exemplo, ela esteve no elenco do curta-metragem Nossas Senhoras, gravado em Curitiba, e que foi premiado internacionalmente.

"Pois o filme, do diretor Valmir Milani, ganhou 10 prêmios internacionais. Quer dizer, se o pessoal [da TV] não convida, a gente aceita outros convites. Eu gostei muito de ter feito o filme lá [no Paraná]. O Milani é um grande diretor, muito bom. O roteiro, sabe? E ganhou dez prêmios: Internacional de Milão, de Firenze, de Nova York. É demais", avaliou a veterana.

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