
O jornalista Maurício Kubrusly foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Casa da Misericórdia de Itabuna, no sul da Bahia, após sofrer uma queda. A informação foi confirmada pela assessoria do hospital.
O carioca, de 80 anos, mora na região desde 2018, quando recebeu o primeiro diagnóstico de demência frontotemporal. Ele vive com a esposa, Beatriz Goulart, a única pessoa cujo nome consegue se recordar.
De acordo com a assessoria do hospital, o jornalista foi transferido para a UTI no domingo (14) e passou por um procedimento para drenar um hematoma.
Carreira na TV Globo
Maurício Kubrusly entrou na TV Globo na década de 1980 e construiu uma carreira que abrangeu jornais impressos, televisão e rádio. No Fantástico, fez sucesso com o quadro Me Leva, Brasil, que mostrava o dia a dia de brasileiros que viviam longe das grandes cidades.
O jornalista visitou mais de 150 cidades e percorreu cerca de 400 mil km pelo país. A atração permaneceu no ar por 16 anos. Em dezembro de 2024, Kubrusly foi homenageado com o documentário Kubrusly: mistério sempre há de pintar por aí, lançado na plataforma Globoplay.
O que é a demência frontotemporal?
Segundo o neurologista Fernando Freua, do hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, a DFT engloba um grupo bastante heterogêneo de doenças neurodegenerativas. Ela causa alterações no comportamento social e afasia, que é a incapacidade de compreender ou executar a linguagem,
Os primeiros sinais da doença são as alterações no comportamento social. O diagnóstico é complexo, e geralmente se inicia por meio da suspeita clínica. Normalmente, pessoas próximas à pessoa afetada trazem queixas de alteração comportamental, como inadequação social, apatia ou embotamento.
Em seguida, são realizadas baterias cognitivas de triagem no consultório, além de um exame físico que avalia disfunções da região frontal. Em um segundo momento, é feita uma bateria de exames que avaliam como estão as funções cognitivas envolvidas nessas regiões, ratificando a impressão de que é uma DFT.
"Alguns casos são geneticamente determinados, e para esses deve ser feita a testagem genética de acordo com a suspeita clínica", esclarece Fernando Freua.
A DFT é uma doença neurodegenerativa de caráter progressivo, cujo tempo de evolução depende de diversos fatores. A condição pode ser agravada por outras comorbidades, que podem acelerar o processo de perda funcional e qualidade de execução das tarefas básicas, dependendo de cada paciente.