Rafa Vitti e Tatá Werneck estão juntos há cinco anos e são pais de Clara Maria
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Rafa Vitti e Tatá Werneck estão juntos há cinco anos e são pais de Clara Maria

Rafael Vitti ficou fora do ar só uma semana, mas, como num passe de mágica, a partir de amanhã vai reaparecer oito anos mais velho na tela. Após ser visto como Pedro na reprise de “Malhação sonhos”, agora ele é Davi, o protagonista da nova trama das seis, “Além da ilusão”. Do folhetim teen em que estreou para cá, o tempo parece ter passado rápido para o artista. Além de considerar o ilusionista um personagem mais maduro e um ponto de virada em sua carreira, o ator conta que as mudanças na vida pessoal também o fizeram amadurecer. Aos 26 anos, ele é visto como um paizão para Clara Maria e um marido apaixonado para Tatá Werneck, com quem está há cinco. Pelas redes sociais, muitos acompanham o querido casal e também o crescimento de Clara. Mas, segundo o astro (que, se pudesse, abriria mão da fama), não há truque algum para formar uma família como aquelas dos comerciais de margarina. Isso, sim, é uma ilusão. Gente como a gente, Rafa estava varrendo a casa e passando um café minutos antes desta entrevista:

"De longe, eu sou uma pessoa perfeita. Mas de perto... Tá maluco! (risos). Hoje me sinto amadurecido. Ainda sou um garoto de 26 anos, mas as escolhas que fiz, de construir uma família e de casar, me trouxeram uma maturidade maior. Ter que lidar com isso na pandemia também me deixou mais cascudo. Não dá para ser um molecão. Apesar de que, em alguns momentos, eu ainda sou. Ainda mais com Tatá! Preservamos esse lado infantil, de brincar e zoar. Claro que também sou mais experiente depois de cinco novelas. Mas não me considero um ator maduro, de maneira nenhuma (risos)!".

De toda forma, Rafa vai ter que encarar tanto o lado mágico da novela quanto o pesado, nu e cru. O personagem vai se encantar por Elisa, interpretada por Larissa Manoela, mas a paixão avassaladora sela o destino dos dois de forma trágica.

"Embora seja retratado como um herói na história, Davi é humano. Coloquei um pouco de tudo nele, que tem muita raiva de Matias Tapajós (Antonio Calloni). O homem matou a mulher que ele ama, o incriminou, e ele fica dez anos preso. Davi vai segurar a onda, mas tem ressentimento, mágoa, por momentos perde a cabeça. São pensamentos normais, por melhor pessoa que você seja. Só seria diferente se ele fosse Buda ou Dalai Lama (risos) — afirma Rafa, que palpita sobre a mensagem que a novela vai passar: — Acho que tem a ver com “Malhação sonhos”. Cada personagem tem o desejo de achar seu lugar no mundo."

“Malhação”, inclusive, tem se mostrado bastante presente no caminho de Rafa na nova trama das seis. Além de Eriberto Leão, o Gael da novela teen, que também está no elenco de agora, o galã tem encontrado parte da produção do antigo folhetim onde grava atualmente. Aos risos, o ator lembra uma história curiosa da época:

"Nilo, da produção, é o cara que salvou minha vida. No primeiro dia de gravação de “Malhação” (exibida entre 2014 e 2015), pulei a roleta da portaria porque estava atrasado, sem crachá, e não tinha ninguém na hora para me dar um. Achei que seria mais fácil explicar o porquê de ter pulado do que atrasar. Um erro juvenil da minha parte, óbvio. Como vou pular a catraca da empresa? Os seguranças já estavam me levando para fazer um relatório, quando ele apareceu. Levei uma bronca! Se não fosse o Nilo, acho que não estaria na Globo!".

Treinando ilusionismo para a novela, Rafa também investiu em outro hobby na quarentena: o xadrez. Ele teve seu primeiro encontro com o esporte ao gravar o filme “Júpiter” em 2017, que foi lançado em janeiro na HBO Max. Anos depois, dedicar parte do seu tempo em frente ao tabuleiro o fez conseguir encarar a pandemia de Covid-19:

"Ter Clara foi a principal coisa que me fez não pirar como todo mundo. Querendo ou não, um neném faz você sempre estar ali numa rotina, o que é muito importante para não cair numa depressão. Já o xadrez foi uma grande descoberta na minha vida. Estava me sentindo um pouco burro por não estar lendo ou estudando nada. Estava muito tempo parado, só me dedicando à paternidade e às coisas da casa. Isso me preenchia por um lado, mas por outro me angustiava. O jogo me salvou demais."

O interesse por xadrez foi uma descoberta da quarentena, mas o ilusionismo não é novidade na vida de Rafa. Ele já tinha sido vencedor do “Truque VIP”, quadro com números de ilusionismo do “Domingão”, em 2016. Desde então, o ator já se interessava muito pela arte.

"Na época, com 19 anos, fiquei tão empolgado que achava que podia ser um ilusionista (risos). Agora, levo mais como hobby e para me ajudar na carreira. Quando estava estudando mais, me senti o mágico. Mas parei de praticar tanto por conta das gravações. Acabei regredindo e já tive uma dificuldade maior para fazer uma cena ou outra que, no início, eu fazia com mais facilidade", lamenta ele, que elege seus truques favoritos. "Gosto muito da mágica com objetos como baralho, caneta, moeda. Uma manipulação bem feita é muito mais valiosa do que uma grande ilusão."

Para o novo personagem, o ator teve aulas com o mágico Rafael Santa Cruz. Na equipe da novela, ele tem o auxílio de Gabriel Montenegro, que é quem bola os truques que aparecerão na TV. O ator garante, porém, que é ele quem faz a maioria das cenas. Agora, o público poderá assistir, mas, antes, Clara e Tatá eram suas únicas espectadoras:

"Quando comecei, Clara tinha 1 ano e meio e não dava tanta atenção. Agora que ela está maiorzinha, tem uma reação genuína, assim como Tatá."

Enquanto muitos casamentos não duraram durante a quarentena, Rafa e a mulher parecem sempre apaixonados. Mas ele garante que também não tira da cartola uma união perfeita.

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"Para estarmos juntos hoje, tivemos que passar por muitas provações. Não existe relação em que você vai se entender 100% com a pessoa, mas temos uma cumplicidade, e isso é difícil achar numa pessoa. Hoje em dia, é muito fácil desistir na primeira rusga, mas nos amamos e queremos ficar juntos. Temos nossas questões, nossos problemas, discutimos, mas queremos fazer dar certo. Se precisar, cada um vai para o seu canto na casa. Mas, quando conseguimos transpor os problemas, vamos ficando mais fortes", conta.

Nascido numa família de artistas, o rapaz segue como modelo a relação dos pais, os atores João Vitti e Valéria Alencar, casados há 26 anos. Os dois também foram exemplo no modo com que o jovem ator encara a repercussão de seu trabalho. Já na estreia, em “Malhação”, Rafa teve que aprender a lidar com uma fama estrondosa.

"Tive a sorte de ter pais que são atores e já passaram por situações semelhantes, de fazer sucesso e depois ter que lidar com a ausência do sucesso (risos). Nunca me senti tão famoso como na época de “Malhação”. Eu ia para uma cidade e descobriam. Ficava todo mundo embaixo do hotel querendo me ver. É o que acontece com Larissa (Manoela). Quando lancei meu livro na Bienal em 2015, foram quatro mil pessoas pegar autógrafo. Hoje em dia, isso jamais aconteceria. Se eu fosse lançar um livro, iriam só cem candangos", brinca.

O ator, porém, não encara a mudança como uma perda de popularidade. Segundo ele, agora há um outro tipo de relação com seus fãs e o público.

"Eu gosto muito de estar no set, fazer um personagem, gravar. Mas abriria mão da fama. Adoro quando as pessoas falam comigo,vivo normalmente, não estou numa bolha, não me escondo. Geralmente, o que acontece com alguém muito famoso é entrar num carro blindado e já não andar mais na rua, ir à padaria, ao mercado, não ver a vida. Eu sempre tive na cabeça de que isso eu não queria que acontecesse comigo", afirma o artista, que também pensa na privacidade da filha, que está com 2 anos e 4 meses e é superpopular nas redes. "Eu e Tatá somos artistas e, inevitavelmente, Clara vai ter que crescer com isso, mesmo sem ter escolhido. Quando ela nasceu, estávamos tão felizes que optamos por compartilhar o que estávamos vivendo. Durante toda a pandemia, nossa vida era nós e ela. Então, foi natural. Depois, me arrependi um pouco, achei que expusemos demais a nossa filha. Não queremos escondê-la, mas não precisamos mostrá-la tanto sempre."

Fruto da relação do ator com Tatá, de 38 anos, Clara Maria já começou a mostrar sua personalidade e entrar na fase da birra. Mas Rafa não perde o jogo de cintura.

"Eu e Tatá nos esforçamos para evitar seguir padrões comuns como impor a nossa vontade só porque somos os adultos. Respeitamos Clara, que está aprendendo a lidar com seus sentimentos. Sempre consegui contornar as situações em que ela não quis algo e não respeitou, ou quando quis fazer alguma coisa perigosa e não aceitou o “não”. Até fico feliz quando acontece. Claro que isso é impossível de ser mantido para sempre. Tem momentos em que a gente vai perder a cabeça, mas não aconteceu comigo ainda. Ela é uma criança maravilhosa. É só explicar, que ela entende", afirma o ator.

Mas, como ninguém é perfeito, Rafa tentou mudar algumas atitudes, mas não conseguiu:

"No início, pensava em transformar minha alimentação, dizia que não entraria besteira em casa: “Vou ser o maior exemplo”. Corta para hoje, em que devoro dois Big Macs. Ilusões que a gente tem...".

História de amor atemporal

Como numa máquina do tempo, o público vai ser transportado para os anos 30 e 40 em “Além da ilusão”. Após ser preso e ver a morte de Elisa, Davi vai conseguir fugir da prisão e, com uma outra identidade (por acaso, Rafael), chegar em Campos dos Goytacazes, onde a família Tapajós mora. Num golpe do destino, ele logo encontra Isadora (irmã mais nova de Elisa), que também é interpretada por Larissa Manoela, na segunda fase da novela. O encanto entre o casal improvável vai ser imediato. Além da história dos protagonistas, parte da trama se passa numa tecelagem e vai mostrar a modernização que o Brasil viveu nos anos 40.

"A história poderia ser contada em qualquer tempo, mas fica muito mais legal por ser nessas décadas em que o Brasil estava começando a se transformar com toda a esperança que o povo estava tendo", reflete Rafa, que completa. "Meu vocabulário está expandindo muito com a novela, já que volta e meia tenho que falar umas palavras que não conheço. Também estou adorando usar terno e paletó (risos)."

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