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Ator, que volta ao ar na segunda temporada de "Filhos da Pátria", fala da relação entre a série e a atual situação política do Brasil

Que país é esse? O mesmo que vê o futuro repetir o passado. Pelo menos é o que “ Filhos da Pátria ” vai mostrar a partir do dia 8, quando estreia a segunda temporada da série de Bruno Mazzeo. Desta vez, o corrupto Geraldo (Alexandre Nero) e a família Bulhosa, que na história anterior viviam em 1822, dão um salto no tempo e estão em 1930, no início da Era Vargas.

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Divulgação/TV Globo
Alexandre Nero como Geraldo na nova temporada de "Filhos da Pátria"

Um século se passa, mas nada muda. No então novo contexto político que se apresenta, a velha conhecida expressão “agora vai” cai por terra com um Brasil ainda mergulhado em corrupção, desigualdade social, preconceitos... Qualquer semelhança com os dias atuais seria mera coincidência? Intérprete do protagonista da bem-humorada história dirigida por Felipe Joffily,  Alexandre Nero de 49 anos opina sobre os rumos do Brasil.

"A graça de 'Filhos da Pátria' é que a gente vê que as coisas estão iguais. E a desgraça é que a gente vê que as coisas estão iguais. Mais do que nunca, o passado está escancaradamente no futuro do Brasil. Se continuarmos como estamos, 1930 estará em 2030. Estamos em 1930! A corrupção é apenas uma das questões da série. Abordamos coisas arcaicas, como racismo, mulheres ganhando menos do que os homens, coisas que continuam presentes em nossa sociedade", afirma Nero.

O ator se esforça para ver luz no fim do túnel, apesar do cenário de ilusões perdidas: "É triste, mas eu não tenho esperança no país. A humanidade é uma coisa que deu errado. Minha vontade é de sair do planeta. É possível ir para Marte (risos)? Na verdade, sem esperança de que o mundo pode melhorar, eu nem levantaria da minha cama — frisa ele, completando: — Mas me pergunto como pode as coisas estarem se repetindo, caindo nesse mesmo buraco. A gente está há mais de 500 anos nisso".

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Reprodução/Instagram/@alexandrenero
Alexandre nero

A atual polarização política é algo que também preocupa o intérprete do desonesto Geraldo de “Filhos da pátria”: "É confuso esse negócio de direita e esquerda. Há quem seja atacado pelos dois lados. Nosso cuidado na série é para que a gente não faça rir quem não deve rir. Geraldo é um canalha, a personagem da Fernanda Torres (Maria Teresa, mulher de Geraldo, que é elitista e racista) fala barbaridades. Eles são patéticos, e isso deve ficar claro. Os estúpidos são perigosos. E os estúpidos que se acham inteligentes são mais perigosos ainda. Temos exemplos ocupando altos cargos políticos. E eles colocam a vida das pessoas em risco", lamenta.

As gravações da nova temporada de “Filhos da Pátria” já terminaram. De férias até novembro, quando começa a se dedicar à próxima novela das nove, Alexandre Nero está curtindo o tempo com a família: a mulher, a produtora de moda Karen Brusttolin, e os filhos Noá, de 4 anos, e Inã, de 1 . "Estou num momento família total! Pode ter certeza de que meu trabalho é bem menor na Globo do que lá em casa (risos). A demanda é barra pesada, principalmente quando a minha mulher está trabalhando. Levo à escola, ao judô, à natação, faço tudo. Neste momento, sei mais deles do que Karen", garante.

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Entre um cuidado e outro com os filhos, o ator, que também é cantor, aproveita para produzir mais um trabalho musical. Desde 2014, quando lançou o DVD “Revendo amor com pouco uso quase na caixa”, Alexandre Nero não apresenta um novo projeto na área: "Vou lançar um negócio no ano que vem. Esse lado é mais artesanal, é minha feira hippie, não tem esse ritmo da televisão".