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Em entrevista ao iG, a "oitava casseta" relembra os principais pontos de sua trajetória, confessa a paixão por psicologia (sua formação) e fala dos pontos em comum com sua personagem em "Doidas e Santas", a psicanalista Beatriz

Quem ligava a televisão às terças-feiras à noite na Rede Globo já estava acostumado a ver seu rosto nas telinhas. Apresentadora e atriz no programa “Casseta & Planeta, Urgente!”, Maria Paula Fidalgo se destacou com o seu humor irreverente e estilo despojado de ser. Integrando-se rapidamente ao grupo de colegas, a atriz chegou a ser chamada como “a Oitava Casseta” e se entregou ao projeto durante 17 anos. Entretanto, não foi só através do finado programa que a artista despontou a sua fama com o seu talento humorístico. O trabalho lhe rendeu a abertura de diversas portas em uma trajetória que, hoje, faz com que ela tenha nos cinemas o seu primeiro trabalho como atriz protagonista, em “Doidas e Santas”.

Em Doidas e Santas, Maria Paula é Beatriz, uma mulher que enfrenta a crise dos 40 anos
Reprodução
Em Doidas e Santas, Maria Paula é Beatriz, uma mulher que enfrenta a crise dos 40 anos


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“Foi um prazer esse ' Doidas e Santas '”, comenta Maria Paula. “É uma história muito boa, muito possível. Tem muito a ver com a realidade mesmo. É um filme de humor, mas ele também tem os seus dramas: da vida real, das crises, dos relacionamentos...”, completa a artista. 

O longa, baseado no livro homônimo de Martha Medeiros, chegou a ter uma adaptação para o teatro e, agora, para o cinema. A trama cerca a vida de Beatriz, uma mulher que chegou na chamada crise dos 40 e precisa encontrar mecanismos de superar essa longa fase. “Ela tem uma relação difícil com a irmã, com a filha, com a mãe e com o marido, então tem todos esses altos e baixos das relações. É claro que isso dá muita piada, tem muita situação engraçada, mas faz a gente refletir bastante sobre a forma como a gente se relaciona”, comenta a artista.

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A atriz Maria Paula lança Doidas e Santas em agosto
Divulgação/Globo
A atriz Maria Paula lança Doidas e Santas em agosto

As semelhanças entre a atriz e a personagem, por outro lado, são muitas. “Temos muito em comum. Inclusive essa coisa do destino, das escolhas, a trajetória de vida. A Beatriz é uma psicanalista e escritora - e eu também. É aquela história, a vida imita a arte, a arte imita a vida”, reflete. “Ela me ensinou muito: sobre tolerância, suavidade, e principalmente sobre coragem. Ela é muito corajosa, ela vê coisas que ela tá repetindo, que ela estava num lugar, na zona de conforto e ela vê que não tá feliz, então ela se arrisca. Essa lição foi muito bem vinda”, opina.

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Legados

Arriscar-se, entretanto, foi algo que Maria Paula praticou ainda no começo da sua vida profissional. Com apenas dezenove anos, a artista já despontava na televisão como VJ da MTV brasileira, chamando atenção pelo seu humor irreverente e um estilo pra lá de diferente de apresentar os clipes musicais na época. A jovem, então, foi caindo na graça do público que mais tarde a recepcionaria em outros projetos, como aconteceu em “Casseta & Planeta” em 1994, três anos depois de terminar a faculdade de psicologia. “As recordações são as melhores possíveis. Uma coisa que eu carrego é uma amizade, um profundo respeito, é uma vontade de ver todos aqueles gênios, porque eu acho que são geniais e eu sempre fico torcendo para ver o sucesso deles”, comenta a atriz.

De lá para cá, ela ainda teve participações em “Os Normais” em 2001 e “Malhação” em 2012, além de ter sido apresentadora e repórter em programas como “Saúde por Aí” e “A Liga”, da Rede Bandeirantes. Entre diversas experimentações na televisão, a artista afirma que apesar de se sua participação no cinema, o gosto pela TV sempre a acompanhará. “Televisão é sempre uma possibilidade na minha vida, eu adoro a televisão e o lado de apresentadora é algo que me dá prazer, então as possibilidade de fazer TV são sempre abertas”, comenta, relembrando também que há negociações em andamento para que, em breve, volte à telinha.

O “Casseta & Planeta”, por outro lado, fica como um legado: “Eu acho que o humor do “Casseta & Planeta” sempre vai ser um exemplo, mas acho que é bom que haja renovação, que deem espaço para a galera que está chegando”, finaliza.

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Longe das câmeras

A atriz protagonizou um ensaio para a revista UM, publicação masculina que já não circula mais
Divulgação
A atriz protagonizou um ensaio para a revista UM, publicação masculina que já não circula mais

Apesar de se dedicar à televisão, ao cinema e ao teatro, a atriz e apresentadora Maria Paula Fidalgo também possui o seu lado de pesquisadora. Formada em Psicologia, a brasiliense foi aprovada recentemente para realizar seu mestrado na Universidade de Brasília e afirma que vive uma fase empolgante. “Eu sou uma pessoa que adoro estudar, então a vida acadêmica foi um presente da minha vida. A vida de pesquisadora me interessa muito, me atrai muito”, comenta. "Eu faço o que eu gosto, não tanto porque eu pretenda atuar profissionalmente mas porque eu gosto, porque me acrescenta, estimula a minha cabeça. E claro que tudo também acrescenta na minha carreira como atriz, todos os personagens que eu vou fazer ficam mais profundos a maneira que eu estudo a psique humana”, reflete. 

Quando questionada sobre o que move o seu interesse na psicologia, Maria Paula não hesita em responder: “Eu adoro gente”, revela. “Eu sinto assim vontade de estudar, de entender, de compreender a mente humana, a consciência humana, o que faz com que a gente faça certas coisas e não outras e a minha aproximação da psicologia foi muito nesse sentido, o que move o ser humano”, completa a atriz.

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Unindo as duas paixões em um único trabalho - a atuação em frente às câmeras e a psicologia - Maria Paula retoma às telonas em “Doidas e Santas” no próximo dia 24 de agosto, interpretando uma psicanalista. O longa é dirigido por Paulo Thiago e ainda conta com a participação de Nicette Bruno, Georgiana Góes, Flávia Alessandra, Thiago Fragoso, Marcelo Faria, Fernando Caruso e Roberto Bomfim.  

De "Doidas e Santas" à "Radical Chic", relembre carreira de Maria Paula:


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