Segundo o ator, no ar na novela "Joia Rara", nem a audiência marcada pelo Ibope deveria mais ser divulgada

É tempo de velocidade, de informação rápida, de geração touch, de notícia em segundos, de TV na palma da mão. Falta papo, falta criatividade, falta tempo e sobra vontade. Caio Blat sabe disso. Se foi a tranquilidade que o budismo transmite que o fez analisar seu novo universo ou se foi a inquietude da alma de artista, tanto faz. Ele já está se movimentando para se adequar a uma nova era que já começou para a televisão. "Acho que a TV aberta está acabando, está tendo uma necessidade de se reinventar, porque agora é a pessoa que manda na TV, e não a TV que manda nela", disse ao iG durante o lançamento do filme “Alemão”, no Rio de Janeiro.

"Não conheço ninguém mais que acompanhe TV aberta. Só assisto às coisas que estão gravadas, ou no laptop… Até comprei um celular com uma tela bem grande… É incrível. Assisto a qualquer filme, a qualquer série. Acho que agora a pessoa é dona do seu entretenimento, do seu tempo. Acho, inclusive, que o ibope da TV aberta não deveria nem mais ser divulgado. É uma coisa que vai chegar num piso e vai parar, porque as pessoas vão chegar em casa e assistir ao que quiserem, na hora que quiserem. Por isso que cada vez mais nós temos que fazer produtos de qualidade, que as pessoas tenham vontade de ver naquela hora", opinou o ator.

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Para isso, seus trabalhos são escolhidos a dedo. Atualmente, ele está no ar na novela "Joia Rara" e trabalha, em paralelo, com projetos de cinema e TV. Nome de prestígio na Globo, Caio se sentiu à vontade para, pela primeira vez, sugerir um projeto à emissora. Em pauta, uma adaptação de uma obra de Fiódor Dostoiévski . "Estou muito feliz com a possibilidade. Está sendo desenvolvido, não está aprovado. Não posso dizer 'vamos fazer', mas a ideia está sendo desenvolvida lá dentro e espero que role. Eu escreveria e também atuaria. Mas é tudo muito precoce", contou.

Pensou em como encaixar Dostoiévski na TV aberta? Caio também. "Acho que tem espaço. Cada vez mais o pessoal quer ver séries. A ideia é, em vez de fazer remakes, fazer coisas importantes, coisas da literatura mundial, grandes obras. Fazer de um jeito moderno, bacana, dentro da linguagem da TV brasileira".

"As séries precisam ter cada vez mais identidade, cada vez mais ideias diferentes. O Dostoiévski vem muito nessa intenção, de criar uma coisa que se passa na Rússia, que é um grande clássico da humanidade, mas fazer de um jeito moderno. Acho que a TV tem que apresentar cada vez mais diversidade e coisas mais rápidas, séries mais curtas, novelas… Essa coisa de assistir todo dia por nove meses eu acho que é um formato, claro, ainda muito esperado. Tem muita gente que fica ali diariamente e acompanha, mas acho que está se tornando uma minoria", falou.

O papo voltou para o Ibope e a forma como a crítica ainda está ligada aos números. "Quando entrei na Globo, há 15 anos, a novela das 19h dava 45 pontos de Ibope. Hoje, se eu faço uma novela das 19h, às vezes ela não consegue dar 20 pontos. Ou seja, perdeu mais de 50% do público em 10 anos. Acho que vai diminuir ainda mais um pouco e vai chegar em um piso. A gente tem que começar a pensar em outras plataformas", sugeriu.

Caio continuou sua análise. Como ator e produtor, essa nova realidade abre campos amplos e nunca antes explorados por ele. É preciso desbravar e começar a entender o novo público do entretenimento e como ele é consumido. “Eu estou com o roteiro do meu primeiro filme como diretor pronto. Se chama ‘Juliano Pavollini’, é um romance do Cristovão Tezza. Eu estou nessa há mais de um ano. Ganhei um edital, contratei o Hilton Lacerda, escrevi o roteiro junto com ele e estamos levantando a produção. Mas imagina, há cinco anos eu filmava com película. Hoje, eu já estou pensando em como meu filme vai ser lançado no Instagram e no Twitter”, destacou.

Caio ainda relembrou a série “Latitudes”, com Daniel de Oliveira e Alice Braga , que foi criada em vários formatos para atingir todas as mídias. “Há muito tempo eu falo que a gente tem que fazer isso. Séries com sequências de 10 minutos, coloca na internet… Se a pessoa quiser assistir por inteiro, ela vai ao cinema e assiste inteiro. Se ela quiser assistir em casa como minissérie, ela assiste, e se ela quiser assistir cinco minutos no celular, ela também pode ver. A gente tem que dar essa liberdade de escolha. Agora a pessoa é dona do seu tempo e a gente tem que aparecer com produtos de qualidade”, completou.

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