Aline Borges interpreta Zuleica na novela
Reprodução/Globo - 28.06.2022
Aline Borges interpreta Zuleica na novela


Agora que Tenório (Murilo Benício) já descobriu o caso entre Maria Bruaca (Isabel Teixeira) e Alcides (Juliano Cazarré), em “Pantanal”, a vida das duas famílias do fazendeiro vai virar de cabeça para baixo. Aline Borges, de 47 anos, intérprete de Zuleica, conta que o elenco foi atravessado por “fortes emoções” nas gravações da nova fase da trama. Para sua personagem, tudo começa com o pedido do marido para que ela e seus filhos se mudem para terras pantaneiras. A resposta, em um primeiro momento, é negativa.

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— Tenório quer levar Zuleica para lá porque está com o orgulho ferido, se sentindo traído e não quer ficar por baixo. Quer esfregar a segunda família na cara da Maria como uma vingança — avalia Aline, que aponta o motivo do pé atrás da enfermeira sem titubear: — Minha personagem é uma mulher independente, tanto financeira quanto emocionalmente, e ele pede que ela largue a vida dela para ir ao Pantanal. É um pedido muito difícil.


A decisão — e consequentemente o destino — da personagem muda quando ela ouve do marido que ele é capaz de tirar a vida de sua primeira mulher.

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— Quando Zuleica entende que esse homem está prestes a matar Maria, que ele está possuído e com ódio mortal, isso pega na fragilidade dela como uma mulher que é feminista e que tem empatia. Tenório fica falando de crime de honra e ela diz: “Como assim? Isso é feminicídio! Você está louco?”. Vamos atravessar um lugar sério, delicado, de muita dor. É barra pesada mesmo. Embora seja ficção, sabemos que acontece o tempo todo. Infelizmente, há milhares de Marias e Tenórios por aí — destaca Aline.

É nessa mudança para a fazenda que Zuleica conhece, de fato, as vilanias do homem com quem é casada por todo esse tempo. “E ela vai ficar louca!”, entrega a atriz:

— Zuleica conhece o Tenório, mas até uma certa página, porque ele tem uma relação muito distante. Era quase um turista vindo uma ou duas vezes em casa.

Na última semana, a artista gravou a cena em que Zuleica coloca os pés no Pantanal pela primeira vez e descreveu que o sentimento foi muito forte. Já na fazenda, a personagem verá sua vida mudar totalmente:

— Ela vai meio que “embruacar”. Perde sua identidade e sua autoestima, vai se definhando. Zuleica vai sendo levada pelo ritmo daquela vida. Vai passar por poucas e boas que vão dar uma chacoalhada tão profunda que, em algum momento, ela vai acordar. E quando isso acontecer... Aí é que vai florescer — entrega a atriz, destacando a simbologia dessa mudança acontecer justamente no Pantanal: — É lindo esse processo acontecer lá, num lugar abençoado. A natureza a convida a olhar para dentro de si e entrar em um movimento de reconhecimento da sua identidade.

Mas o que liga Zuleica a Tenório de forma tão intensa a ponto de ela largar a própria vida para atender ao pedido do marido? Além do anseio em proteger a vida de Maria, os segredos do passado, explica ela:

— Quando Marcelo (Lucas Leto) foi para o Pantanal, ela já ficou numa tensão danada porque tem esse segredo que quem já viu a versão passada da novela sabe. O rapaz não é filho do Tenório. Ela tem medo de o marido descobrir e fazer algum mal para esse filho. Então, quer proteger a família. Se eu fosse ela, ia meter o pé dali com os filhos e dane-se! Mas ela chega tão frágil que fica sem forças para tomar a atitude certa.

Cura no Pantanal

“Quando fui ao Pantanal gravar a novela, tive uma crise de pânico no avião. Era a primeira vez que eu viajava sozinha e estava indo dar um passo muito grande na minha carreira, que é participar dessa novela. Dei de cara com um medo gigante. Pedi para sair da aeronave, chorei. Tive que achar forças dentro de mim. Estou ansiosa pelas cenas em que gravei lá porque cada uma está sendo uma cura. Estou curando os meus medos internos e vendo a Zuleica curar os dela também”.

Relações abusivas

“Eu já estive em uma relação abusiva, de muita violência verbal. Eu não tive uma educação muito livre, onde eu era ensinada a ser uma mulher empoderada. E hoje vejo o quanto isso me levou a lugares equivocados. Fui ensinada a ser uma boa mulher para o marido com quem eu fosse casar. Minha mãe foi educada assim também, ela não tem culpa. Eu consegui desconstruir isso depois dos 30. Com 23 anos, eu ainda namorava achando que eu tinha que servir, botar prato de comida para o meu namorado, baixar a cabeça para as cenas de ciúme dele, uma inversão de valores”.

Apelidos carinhosos

“Eu, Lucas Leto (que faz o Marcelo), Cauê Campos (o Roberto da trama) e Gabriel Santana (intérprete do Renato) temos uma conexão forte e de muito carinho. Eles não conseguem me chamar mais de amiga, só de mãezinha. E eu os chamo de ‘meus filhos’. É um presente grande caminhar com eles, tive muita sorte”.

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