Paulo Lessa interpreta Ítalo em 'Cara e Coragem'
Reprodução/Globo - 14.06.2022
Paulo Lessa interpreta Ítalo em 'Cara e Coragem'


O instrutor de parkour Ítalo, de “Cara e coragem”, representa um grande salto na carreira do ator Paulo Lessa, de 40 anos. Seu primeiro protagonista em novelas enche seu coração não apenas pela conquista profissional, mas também pela representatividade negra na TV. Ele mergulhou de cabeça nessa empreitada e, aliás, com um belo dread. Logo nos primeiros dias da trama, se emocionou por ver um fã decidindo mudar o penteado por conta do personagem. Paulo conta que chegou a dar palpites na caracterização de Ítalo.

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— A equipe pegou fotos minhas antigas de dread e colocou como possibilidade. Sugeri de fazê-lo de novo, para eles verem pessoalmente. É algo incomum para um chefe de segurança (outra atividade do personagem além do parkour) como ele. A novela vem com essa proposta de quebra de estereótipos, isso chama atenção de modo positivo — enfatiza o ator, que recentemente foi visto na TV com a cabeça raspada como o general Bakari, de “Gênesis”, da Record.


E o cabelo tem mesmo um lugar especial na história de Paulo. Sua mãe, Dai Bastos, foi uma cabeleireira famosa no Rio e atendia diversas celebridades negras em seu salão. No último dia 6, foi instituído o Dia da Pessoa Trancista, projeto da vereadora Thais Ferreira (Psol). A data era justamente o aniversário de sua mãe, que morreu em 2012. Na sua clientela estavam Zezé Motta, Antonio Pitanga e... Taís Araujo, seu atual par romântico na trama das sete. Paulo participou dos testes virtuais para o personagem até ficar entre os três finalistas que fariam cenas presenciais com a atriz. Na ocasião, ele relembrou essa história e conseguiu “quebrar o gelo” para a cena que teriam que fazer.

— Esses cinco minutinhos que antecederam a cena foram fundamentais para a gente estabelecer o casal. Depois do resultado, Taís foi a primeira a me mandar mensagem. Ela arrumou meu número e me enviou um áudio lindo, se colocando à disposição, dizendo que iria me ajudar no que fosse preciso. Uma vez, ela disse: “Pega na minha mão que eu pego na sua, e não vou largar até o final da novela” — recorda ele, agradecendo: — A receptividade dela, do Marcelo Serrado e da Paolla Oliveira (os outros protagonistas) me deixou muito à vontade, fiquei me sentindo parte da turma.

Apesar de conviver com grandes artistas desde a infância, o flamenguista tentou primeiro ser jogador de futebol, trabalhou como modelo e cursou fisioterapia quando percebeu que teria que convencer a mãe de que queria ser ator, algo que só conseguiu quando passou para a Oficina de Atores da Globo, em 2008.

— Ela tinha muito medo de eu embarcar em uma outra incerteza. Eu queria o futebol e não aconteceu. Naquela época, a Globo contratava os atores para estudar. Eu recebia um salário, tinha um plano de saúde, carteira assinada. Foi o trunfo que usei para sair da faculdade — conta Paulo, que hoje é pai da pequena Jade, de 1 ano, do seu casamento com a dentista cabo-verdiana Cindy Cruz, com quem está desde 2007.

A oficina trouxe amigos e aproximou o galã de “Cara e coragem’’ de um dos galãs de “Pantanal’’, Leandro Lima, intérprete do Levi:

— Estamos vibrando muito um com o momento do outro. Já nos visitamos nos estúdios. Sempre que dá, almoçamos juntos. É uma festa!

Ator busca seguir com o legado da mãe

Cabeleireira desde os anos 70, a mãe de Paulo vendeu o que tinha para comprar o sobrado na Rua Joaquim Silva, na Lapa, no início dos anos 90. Ali montou um salão e uma ONG, onde formou meninas carentes também para a especialidade em cabelo afro. O projeto dela foi reconhecido até pela ONU. Depois da morte de Dai (na foto ao lado), Paulo alugou o imóvel para um inquilino até o ano passado, mas, em julho, retomou a Casa Afrodai, em parceria com o diretor e ex-BBB Rodrigo França e o irmão, Fábio. O bar Seu França também funciona no local:

— Montamos uma loja com afroempreendedores. Não temos o projeto social, por falta de apoio, estamos nos organizando para retomá-lo. Quero aproveitar a visibilidade para conseguir parceiros.


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